De facto esta edição de Si Sabes Ver, agora lançada não é a segunda, conforme referido na reportagem acima, mas sim a terceira. A primeira edição foi editada em 1975, uma edição de autor, impressa por um amigo de Myra por troca com um quadro. A segunda, de 1984, é já assumida pela Universidade. Esta é a terceira. É uma reedição e não uma mera reposição de stocks.
A verdade é que logo em 1975, um ano após ter ingressado na Universidade Veracruzana, como professora, e por divergências académicas, Myra deixa a Faculdade de Artes Plásticas para ingressar como investigadora a tempo inteiro no Instituto de Investigação Estética e de Criação Artística, da mesma Universidade.
Tudo começou por invejas mesquinhas. As aulas de Myra tinham 100% de assistência. O seu estilo era muito o de Robin Williams, no “Clube dos Poetas Mortos”. Os alunos adoravam. Os professores queixavam-se. O cálice acabou por entornar. A mulher de um conhecido político de Xalapa começou a frequentar as aulas. Um dia apareceu com uma tela pequena, carregada ridiculamente pelo motorista e perguntou a opinião de Myra sobre o quadro. “Qual quadro? perguntou Myra. “Isso é NADA”. E mandou o motorista dali para fora. No final do ano era Myra que estava em causa.
O Reitor sempre a apoiou e acabou por criar o Instituto de Investigação porque não queria que Myra deixasse de estar ligada à Universidade. Os alunos revoltaram-se. Queriam fazer greve. Myra não deixou. Em vez disso escreveu Si Sabes Ver, um livro dedicado aos seus alunos. No fundo é um livro contra-corrente. Um livro anti-método. Anti-sistema. Um livro agora assumido e homenageado. A partir daí a casa de Myra passou a ser sucursal da Faculdade, permanentemente frequentada por ex-alunos. O Instituto de Investigação serviu para outros projectos de que falaremos noutros episódios.
Voltando à primeira edição de Si Sabes Ver, aquela que ela própria fez em 1975, só tardiamente a Biblioteca da Universidade pediu livros. Antes, apareceram colados nas paredes da cidade, em especial perto das Faculdades, grandes cartazes, em papel barato, onde se anunciava o livro em letras bem grandes. Durante a noite Myra, amigos e alunos corriam as ruas de Xalapa com baldes de cola. No dia seguinte, os principais jornais queriam entrevistas. Finalmente a Biblioteca quis livros…
(continua)

11 comments:
Que garra que tem Myra e não se deixa intimidar por nada. É autêntica e sincera.
Se gosta, gosta,se não,danem-se.
Issoé raça! Linda história!abração,chica
ARTISTA não pode ser subsídio- dependente.
E MYRA nunca o foi!
Este episódio da mulher de um político, aqui narrado pelo JORGE, é um exemplo claro da certeza da ARTISTA que em si existia.
Bravo MYRA!
Parabéns, JORGE!
JORGE
Servi-me do cartaz que apresenta e já rectifiquei a data!
Curioso o pormenor das 3 edições que ambos não deixámos escapar!
Si sabes ver...
Tento!
uma vez mais meu querido amigo Jorge, agradeço TUDO!!!!!igual ao Joao!
que amigos formidaveis tenho, sou privilegiada!
E venha mais!
Um livro fabuloso que tenho MUITO orgulho de ter em minha estante ao lado de outros clássicos da literatura e arte.
Myra sempre foi muito intensa. É isso que a faz ser tão especial.
Obrigado a todos pela vossa leitura e comentários. Dá-nos força para continuar, a mim e a Myra. Sim, isto é escrito a quatro mãos.
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