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23.12.14
22.12.14
SERRA D'OSSA - VI
A seguir à extinção das ordens religiosas, e no vazio de poder que se sucedeu, o saque do Convento de São Paulo durou 36 anos. A talha dourada que revestia a igreja foi queimada para retirar o ouro. Os azulejos, à falta de técnicas apropriadas, eram retirados a escopro e martelo. Partiram-se quase todos. As telhas, portas e janelas foram roubadas. O Convento ficou ao abandono e à intempérie.
Foi há apenas 21 anos que o Convento foi reaberto como hotel, após prolongada recuperação. São 40 quartos, alguns no chamado "núcleo museológico" (que inclui as celas dos monges). A loucura deste projecto deve-se à Fundação Henrique Leote. Sem ele, nunca seria possível ter rentabilidade turística para manter o Convento. O Estado em vez de ajudar, tem, ao que parece desajudado. É uma pena que as várias "capelinhas" do Estado possam dificultar a vida aos conventos, mesmo quando são Monumento Nacional. Continuamos a ser um país desorganizado e burocraticamente cego.
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19.12.14
SERRA D'OSSA - V
São Paulo "o Eremita" tinha 17 anos quando achou que se devia calar para sempre. Passavam uns 300 anos depois de Cristo. Nunca mais falou. Isolou-se no deserto, ou seja, num espaço sem shoppings nem lojas de chineses. Ficou debaixo da tamareira. Comia tâmaras e vestia-se folhas verdes que lhe cobriam as partes mais obscuras e lhe faziam uma azia divina, aquela que só passa com Omeoprazol concentrado.
Paulo tinha já 110 anos sem falar quando apareceu um "chato do deserto". Santo Antão achava que ninguém conseguia ficar calado tanto tempo. Achava que ele, Antão, era o mais mudo de todos no reino do silêncio. Seguindo a mensagem divina encontrou a tamareira e tanto chateou Paulo que o fez falar. Paulo morreu exausto à segunda frase. Hoje tem conventos na Calçada do Combro e na Arrábida. Hoje a vida é um barulho de avenida e todos queremos a ausência de ruído sem conseguir estar calados. Será este o primeiro ecologista?
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18.12.14
SERRA D'OSSA - IV
Sobe-se para cima como se desce para baixo. Dominus vobiscum das escadas rolantes. Verbo maior da epifania menor. Ficamos sem saber se fomos ou se existimos. Se subimos ou descemos. Se morremos ou se tanto faz. E entre o ser e o haver, escolhemos qualquer coisa que não faça azia. Ficamos a pensar como seria a vida antes do azul. A vida teria cores antes de Cristo? E Cristo era uma banda desenhada ou já haveria diaporamas ao vivo? Quem era afinal este ser exótico que morreu por querer e ressurrecionou-se sem querer?
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