Aparecemos cheios de malas. É dia de semana. Somos olhados com desconfiança. Sentimos inveja e mesmo ódio. Se dizemos que somos aposentados, interrogam-se: quem vai pagar? Os fundos de pensões? A segurança social? As gerações futuras?... Se dizemos que não somos aposentados, ainda pior. Como temos dinheiro para viajar? Fuga aos impostos? Dinheiro em off-shore? Podemos tentar parecer desempregados. Então é um caso de polícia: viajar à conta do subsídio de desemprego?... Viajar em tempos de crise é penoso. Quase temos de pedir desculpa. Sentimo-nos uma espécie de bandidos sociais.
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16.6.14
CRÓNICAS DE ISTANBUL X - ATATURK
O poderio otomano poderá ter tido origem na decadência dos países muçulmanos, mas a partir do século XVI a decadência é geral. O Império otomano não era mais do que um exército acampado em países conquistados. Os sultões eram apenas a família de Osmã, o fundador da tribo, com poder absoluto, emir, califa, basileus e Kaiser-i-Rum (César de Roma) e o direito de mandar executar os varões da sua família, para extinguir ressentimentos, tudo a "bem da nação". Mas esse poder era ilusório. Na verdade, o Império era governado por escravos e renegados. Os "janízaros" eram cristãos eslavos e constituíam a guarda pretoriana que, em breve, assumiria a gestão do Império. O conselho de vizires (ministros) era conhecido como "mercado dos escravos". Era necessário adoptar as invenções europeias e o Corão não tinha previsto a formação de técnicos. O sultão passou rapidamente a ser o membro da família Osmã, delegado ao poder pelo exército dos janízaros. As intrigas de harém e as más alianças estratégicas acabaram com um Império obsoleto que não conseguiu acompanhar o progresso europeu. Após a derrota sofrida pelo Império Otomano às mãos dos Aliados, na I Guerra Mundial, e os planos subsequentes para a partilha de seu território, Mustafa Kemal liderou o Movimento Nacional Turco, naquela que se se tornaria conhecida posteriormente como a Guerra de Independência Turca. Após estabelecer um governo provisório em Ancara, derrotou as forças enviadas pela Tríplice Entente. As suas campanhas militares bem-sucedidas asseguraram a libertação do país e a proclamação da república. Ataturk, o "pai dos turcos" seria o primeiro presidente da Turquia e embarcou num ambicioso programa de reformas políticas, económicas e culturais. Um admirador do Iluminismo, Atatürk transformou as ruínas do Império Otomano numa nação-Estado democrática e secular. O "kemalismo" continua a ser a base política do Estado turco moderno. A Turquia é um Estado "tampão" essencial à segurança da Europa. Hoje assistimos, com preocupação, a uma viragem política para um certo fundamentalismo islâmico. A Turquia divide-se: metade é europeia, o resto nem tanto. As lutas da Praça Taksim são isso mesmo: a indecisão entre a religião do Estado e o Estado sem religião.
15.6.14
ISTANBUL - SEXTA FEIRA
As pessoas nascem do chão como se fossem pedras. O dia é santo e as compras também. Um mar de gente. Um oceano de cores. Vamos entalados rua acima até ao Grande Bazar. Cheios de multidão, perdidos de nós, na claustrofobia do caminho.
14.6.14
13.6.14
CRÓNICAS DE ISTANBUL IX - A SUBLIME PORTA
Os Bizantinos continuaram a ter o seu patriarca, mas a cidade mudou de nome. Onde havia torres sineiras, ergueram-se cúpulas e minaretes. A cidade povoou-se de muçulmanos, eslavos, arménios e judeus vindos de Espanha. Dominada a Grécia, a Valáquia e liquidadas as feitorias genovesas e venezianas, em breve o Mar Negro seria um lago otomano. No século XVI, os otomanos conquistaram a Hungria e levaram os assaltos às portas da Viena de Carlos V. A Mesopotâmia, a Síria e o Egipto dos Mamelucos, cairiam de seguida. O califa do Cairo é feito prisioneiro e o sultão passa a ostentar o título de Comandante dos Crentes, título usado até 1924. O califa era também "sultão romano", um Império maior que o de Roma e que iria durar 4 séculos, até se tornar "o doente". A "Sublime Porta" (ver foto) passou a ser o símbolo deste Império. Aqui eram recebidos os embaixadores estrangeiros. Hoje as instalações fazem parte da prefeitura de Istanbul.
12.6.14
CRÓNICAS DE ISTANBUL VIII - TOPKAPI
Um palácio que era residência oficial do sultão. Aqui estava o governo e o harém. O diwa (divã) do sultão tornou-se o símbolo de ir a despacho (ministros) ou ser despachada (as mulheres). Hoje podemos aqui ver a o tesouro otomano: tronos em ouro, adagas cravejadas, joias das 1001 noites (entre elas o maior diamante do mundo). Os sultões faziam uma gestão cuidada e inteligente do harém. Não se casavam, o que lhes permitia designar o sucessor conforme melhor entendessem. Normalmente os restantes irmãos eram cautelarmente eliminados. Ver o Topkapi é ver muita gente acumulada com bandeirinhas nacionais para não se perderem do grupo. Os descendentes dos sultões (hoje na penúria) meteram um requerimento para ficar com uma parte das receitas turísticas. Foi indeferido.
9.6.14
8.6.14
CRÓNICAS DE ISTANBUL VII - OS PROFETAS
O Alcorão identifica uma série de homens como profetas do Islão. Os muçulmanos acreditam que estes indivíduos receberam de Alá (Allah, "Deus") a missão especial de orientar os seres humanos no caminho do monoteísmo e do bem. Muitos destes profetas são também referidos nos textos sagrados do judaísmo e do cristianismo.
O Islão distingue dois tipos de profeta: os que receberam de Deus a missão de dar a conhecer aos homens a vontade divina (anbiya; singular: nabi) e os que para além desta função lhes foi entregue uma escritura revelada (rusul; singular: rasul, "mensageiro"). Neste último tipo de profeta encontra-se, por exemplo, Musa (Moisés) que recebeu como escritura revelada a Torá.
Adam (Adão) foi o primeiro profeta. Após a sua expulsão do Jardim do Éden, Deus perdoou a sua falta, razão pela qual o Islão não aceita o conceito de pecado original. O penúltimo profeta foi Isa (Jesus), que os muçulmanos acreditam ter profetizado a vinda de Maomé. Os muçulmanos aceitam o nascimento de Isa a partir de uma virgem, mas não acreditam que ele tenha morrido na cruz; em vez disso Isa ascendeu ao céu.
Todos os profetas são humanos e não seres divinos. Os muçulmanos devem acreditar em todos eles, sem fazer qualquer tipo de distinção. Quando um muçulmano se refere ao nome de um profeta ele acrescenta "que a Paz e Bênção de Deus estejam sobre ele" em sinal de respeito.
Cinco profetas são alvo de particular atenção no islamismo: Nuh (Noé), Ibrahim(Abraão), Musa (Moisés), Isa (Jesus) e Muhammad (Maomé), que foi o último profeta, sendo por isso conhecido como o Selo dos Profetas.
CRÓNICAS DE ISTANBUL VI - PORTAKAL
A laranja doce foi trazida da China para a Europa no século XVI pelos portugueses. É por isso que as laranjas doces são denominadas "portuguesas" em vários países, especialmente nos Bálcãs (por exemplo, laranja em grego... é portokali e portakal em turco), em romeno é portocala e portogallo com diferentes grafias nos vários dialectos italianos .
Portugal, propriamente dito, para os turcos, é o País de Ronaldo. Uma espécie de identidade abstracta, feita de pontapés e penalties, falando vagamente espanhol, nas fotos sexy da namorada Irina espalhadas sem véu pela cidade fora. Os portugueses são Portekiz e ninguém acredita que conseguimos falar brasileiro.
Portugal, propriamente dito, para os turcos, é o País de Ronaldo. Uma espécie de identidade abstracta, feita de pontapés e penalties, falando vagamente espanhol, nas fotos sexy da namorada Irina espalhadas sem véu pela cidade fora. Os portugueses são Portekiz e ninguém acredita que conseguimos falar brasileiro.
1.6.14
31.5.14
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