O filme é o Blue Jasmine, do Woody Allen. O enredo típico de Woody, com dramas sentimentais, mulheres à beira da depressão e namoros cruzados. Uma excelente interpretação de Kate Blanchet. O filme passa-se em S. Francisco, Califórnia. Os habituais clichés de imagem estão lá, nos postais ilustrados da ponte, da baía e de meia dúzia de locais emblemáticos. Mas nada disto importa, nem era sobre isso que vos queria falar. A verdade é que estou a ficar velhote. Ontem tive a certeza. Fui com uns amigos e parece que passei o filme todo a falar alto. Eles já estavam um bocado envergonhados. Estava constantemente a ver parecenças da Kate com uma prima da Fernanda ou a achar que S. Francisco só tem neblina, a perguntar onde era aquela cena ou a queixar-me das costas. Ainda por cima, o raio do filme tem uma música muito suave, a puxar ao jazzie, e ninguém estava a comer pipocas na sala (?), o que exponenciou as minhas sussurradas palavras num som de megafone que toda a sala deve ter ouvido. Fiquei perturbado porque não tinha a consciência de que tinha falado muito. Enfim, a idade não perdoa. Não tarda ando por aí a falar sozinho.
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21.9.13
15.12.11
27.3.10
ALICE
O filme é em 3D. Sentimo-nos todos no país das maravilhas. Sensação de envolvimento total. Caracterização fabulosa. Realização fantástica. Personagens deslumbrantes. Porque será então que saímos do cinema com a impressão de saber a pouco? Porque foi o filme simplificado ao nível da pipoca para consumo rápido de efeitos especiais? O livro está lá, mas a história não. Será uma questão de cogumelos? Tim Burton reduziu o filme à expressão mais simples. A mais compreensível e de efeitos mais garantidos. Prestou um bom serviço ao cinema, mas um mau serviço à literatura. Tudo isto serve para levantar uma questão: a profusão de efeitos, a infindável panóplia de gagets e a sua utilização ao limite, não mata a imaginação? Não perturba a própria realização? Não compromete a história? Ou estaremos ainda nos primórdios de um novo produto que deslumbra os próprios realizadores? Alice é um filme a ver, mas que não deixa saudades.
19.12.09
AVATAR
Entrada atrasada. Centenas de pessoas com óculos 3D, todos com cara de Onassis. Empurrões, tropeções,"desculpe", "ai", "porra". Um bando de putos já tinha entornado um quilo de pipocas no chão. Sapatos pegajosos. Pensamento positivo: "Olha se fosse feijoada ou caldeirada de chocos!" A escada desce para cima e sobe para baixo. Os 3D não deixam ver a cadeira e a cadeira não se quer mostrar. Por pouco não ficamos sentados no meio do ar."Avatar" (de James Cameron) é um filme de índios e cow boys, com dragões e marines à mistura, em ambiente espacial, de "Apocalipse Now", entremeado com "Extreminador 2", no distante planeta Pandora. Acrescente-se um fundo ecológico, muito verde, para consumo dos defensores da Amazônia. Muito pouco sexo (um tímido beijo entre o Avatar e a aborígene), essencial para garantir a classificação "Todas as Idades" e aumentar a receita em milhões de putos e americanos "quakers". Argumento totalmente bacoco, à beira da indigência mental, absolutamente previsísel, como é essencial ao pensamento das massas. Os efeitos 3D são demolidores, atirando-nos com tudo para cima: helicópeteros, dragões, avatares, pipocas... Tudo nos cai em cima! Um nova etapa se abriu para os cinéfilos. A partir de agora passamos a poder apalpar as nossas actrizes favoritas. É bom que sejam avantajadas para o relevo nos entrar pelos óculos dentro!
5.11.09
CINEMA BRASILEIRO - S. JORGE
Cinema Mostra de Cinema Brasileiro“Galera, bora aí ao São Jorge!” Há duas edições atrás “Saneamento Básico” de Jorge Furtado, com Wagner Moura (que volta este ano com “Romance”), fez-me querer descobrir ainda mais o cinema brasileiro. Uma comédia genial. É basicamente isto que é bom nestas mostras de cinema, nós, que estamos habituados a ver cinema comercial (mas não temos culpa disso), temos a oportunidade de, por um preço significativamente mais barato poder “arriscar”, “cometer um pecado”, “praticar algo radical” – ir ver um filme não-norte-americano. De 5 a 8 de Novembro, temos a chance de conhecer, re-descobrir ou “ir à mostra de cinema brasileiro, porque estava a ver que nunca mais voltava”. Com a certeza de que lá estarei, aposto no “Romance” e no “A Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele. E o melhor, pessoal… é que nem legendas tem! 3,5 euros o bilhete - várias horas. (Le Cool Nuno Félix)
FESTIVAL DE CINEMA NO ESTORIL
Festival de Cinema Estoril Film FestivalCaçadores de autógrafos, regozijem e beijem os vossos DVDs Edição Especial Tripla Platina! Filmes, workshops e nomes grandes do cinema vão agraciar o Estoril com a sua presença, incluindo o homem que para sempre associou helicópteros a Wagner e o grande grande Rei do Horror Venéreo, também conhecido como o Barão do Sangue, David Cronenberg. O canadiano tem direito a uma retrospectiva integral, e energias psiónicas farão explodir cabeças a quem perder a oportunidade de ver como sangue, metal retorcido e orifícios corporais de natureza original e artificial podem definir os limites do ser humano. Hoje o filme de abertura é uma animação do Wes Anderson com vozes de George Clooney, Meryl Streep e, obviamente, Bill Murray: O Fantástico Senhor Raposo. Vejam o programa para não perderem absolutamente nada. No Casino Estoril de 5 a 14 de Novembro. Três euros cada bilhete. (Le Cool, Bananita)
20.2.09
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