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24.3.09

LAMEGO - AS PORTAS DA PERCEPÇÃO

Fecham-se as portas sobre esta viagem ao Alto Douro. Como dizia Miguel Torga: "O prodígio de uma paisagem que deixou de o ser à força de se desmedir. Não é os olhos que contemplam: é um excesso da natureza. Um poema geológico. A beleza absoluta". E como não consigo dizer isto melhor, deixo-vos com os "socalcos" da porta da Sé de Lamego!

QUINTA DO PANASCAL

Foi nesta vetusta quinta, despenhada sobre o rio Távora e propriedade da empresa Fonseca Guimarães, que me foram revelados os segredos contados nos últimos dias sobre o vinho do Porto. Por isso aqui deixo a publicidade. Uma quinta fabulosa e cuja história remonta ao séc. XVII. No concelho de Tabuaço e perto da aldeia da Folgosa, a Quinta está aberta ao enoturismo.

VINHO DO PORTO V

Os LBV (Late Bottle Vintage) são uma excelente alternativa aos Vintage. Também provenientes de uma só colheita, ficam não dois mas cinco ou seis anos em casco, antes de serem engarrafados. Podem bebidos logo. Não necessitam de ser decantados, nem na horizontal. São um excelente compromisso de qualidade/preço relativamente aos "Vintage". Bebem-se com um bom queijo, recomendando-se o melhor do mundo: o Queijo da Serra da Estrela. Ainda dentro dos vinhos excepcionais, temos o "Vintage Character", este já proveniente de um lote de quatro anos, sempre excepcionais, e, consequentemente, sem data no rótulo. O preço continua a baixar.
Como já se disse a maioria dos vinhos são envelhecidos em casco. Os "Ruby" são vinhos que envelhecem em grandes balseiros de madeira de carvalho (cerca de 20 000 litros), o que lhes dá pouco contacto com o ar que entra pelos poros da madeira. Assim, são vinhos de baixa oxidação que mantêm as características iniciais de vinhos jovens, com sabor intenso a frutos silvestres. Vinhos despretensiosos. Os "Tawny" provém do mesmo tipo de uvas, mas envelhecem 2/3 anos em balseiros de 20 000 litros e depois são transfegados para pipas de 550 litros. Esse maior contacto com a madeira e com o ar que penetra pelos poros aumenta a oxidação e o o envelhecimento é mais rápido. Quando ficam muitos anos na madeira, acabam por adquirir uma cor âmbar, clara e amarelada. Um "Tawny" velho pode chegar aos 40 anos de envelhecimento. A complexidade dos aromas e sabores é, então, enorme. Uma vasta gama de aromas subtis, de grande intensidade, sobressaindo os frutos secos e a madeira. Deve ser consumida à sobremesa e, curiosamente, acompanha bem com chocolate, café e amêndoa. Sendo um vinho muito versátil pode ser servido fresco, sendo ideal para o Verão. Finalmente, há também os Portos Brancos, feitos exclusivamente a partir de uva branca (contrariamente a outros vinhos brancos). São vinhos relativamente desprezados para um apreciador, mas muito usados como aperitivo. Como se vê em Portugal inventam-se todos os pretextos para beber vinho. Um hábito que, infelizmente, está a perder clientes para a cerveja. O preço será apenas uma das razões!
jp

23.3.09

VINHO DO PORTO IV

Os vinhos do Porto estão sujeitos a classificação rigorosa. Os vinhedos podem ser de nível A a F. Os vinhedos classificados com o nível A e B são os únicos autorizados a produzir os "Vintage" e os "Single Quinta Vintage". A classificação é dada pelo Instituto do Vinho do Porto que concede uma licença, na qual se especifica as quantidades de vinho do Porto que podem ser confeccionadas. No caso dos "Vintage" só são permitidos 600 litros por cada 1000 vinhas. A classificação obedece a múltiplos parâmetros: a produtividade; altitude; tipo de clima; tipo de solo; espaçamento das vinhas; exposição ao solo; tipo de uvas; tipo de poda; etc, etc. A pontuação máxima é de 1630 pontos. Depois vai baixando de 200 em 200 pontos até à letra F.
Os ingleses estiveram envolvidos com o vinho do Porto desde o séc. XVII. O teor encorpado dos vinhos agradava-lhes e substituía o Bordeaux, cuja importação era dificultada pelo permanente estado de guerra com França (a guerra dos "Cem Anos", na verdade durou 300). Por outro lado, desde o tempo da 2ª dinastia (D. João I, 1383) havia uma aliança com Portugal, aliança reforçada com o Tratado de Methwen, de 1703, conhecido pelo "Tratado dos Panos e dos Vinhos", e que garantiu privilégios alfandegários de entrada em Inglaterra dos vinhos, em relação aos franceses e alemães. Os comerciantes ingleses começaram a perceber que o vinho viajava mal por mar e azedava frequentemente. Passaram a juntar-lhe aguardente para estabilizar (há quem defenda que este processo era já usado pelos portugueses na rota dos Descobrimentos. Este sistema evoluiu para a fortificação do vinho (junção de aguardente vínica) em pleno processo de vinificação, interrompendo a fermentação dois ou três dias depois de ter começado, permitindo a conservação de parte do açúcar das uvas que, assim, não se transforma totalmente em álcool. Este vinho, não só tem características próprias, como envelhece muito mais e melhor do que o vinho "normal". Há dois estilos de envelhecimento: em casco (a maioria) e em garrafa.
Os vinhos envelhecidos em casco (pipa ou tonel) devem ser consumidos rapidamente após acompra da garrafa. Não vão envelhecer. Só podem é estragar-se. Diferentemente, os vinhos envelhecidos em garrafa (após algum tempo de maturaçaõ em madeira, claro) atingem a maturidade plena no vidro. Os Vintage e os Single Quinta Vintage são envelhecidos em garrafa. Os "Vintage" são os de mais alta qualidade e preço. Uma selecção de vinhos de um só ano de produção excepcional e como tal designada pela entidade reguladora. Permanecem dois anos em casco e são depois engarrafados, envelhecendo por décadas nas caves arejadas, ganhando um requintado aroma e copioso sabor. Devem ser bebidos no fim da refeição acompanhando nozes e frutos secos. Um vez aberta a garrafa deve ser consumida no prazo máximo de 48 horas...
Amanhã acabo que estou quase alcoolizado. Boanôteatodos... ick!
jp

21.3.09

VINHO ADIADO...

Depois de umas salsichas com couve lombarda ali no "Pereira", em Cascais, nada como ver "Che - o Argentino" para rebater. Achei o Fidel um pouco apanisgado e o Che muito asmático. O filme é selva com tiros e mensagens de "Patria ou Muerte" sempre que possível. A guerrilha fuma muitos "habanos" e é simpática e educada. Falta qualquer coisa. Um não quê ideológico que, embora "demodé", daria profundidade ao filme. Com tudo isto deixo os meus leitores pendurados. Não tenho tempo de falar do néctar do Porto. Ainda por cima, amanhã tenho que despachar um cabrito ali para os lados de Vila do Rei, mais propriamente em Valhascos. O bicho teimou em refugiar-se no forno e agora temos de nos sacrificar. É a Páscoa a chegar e o Inverno a fugir. Amanhã já é Primavera. O tempo nem por isso, mas a disposição do melhor. Fiquem bem. Na 2ª feira o VINHO DO PORTO ataca outra vez...

20.3.09

ARTE PÉSSIMA III

Uma rolha? Um saca-rolhas? Uma garrafa abortada? Um buraco de agulha? Talvez a estreita entrada para o Paraíso... Estamos em Lamego. Bispo, cónegos. ilustres prelados. Gente nobre, brasonada. Reis e rainhas. Todos por aqui passaram engrandecendo esta terra rica em palácios e solares, igrejas e capelas. Por todo o lado se respira a densidade de um passado intenso e respeitável. Pois foi neste ambiente nobre e sério que alguém descobriu a necessidade de produzir uma rotunda pequenina, quase minimalista, logo povoada de amores-perfeitinhos, muito queridos, e enxameada de sinais de trânsito, para os carros circularem em círculo, olhando a magnífica Sé e o Paço Episcopal atrás e assim demorarem mais tempo nas arquivoltas do trânsito espiralado. A coisa podia ter ficado assim. Mas não! O homem quer... a obra nasce. E neste caso nasce uma "coisa" vinda do nada e que ao nada há-de voltar. O seu autor esconde-se no anonimato de quem não quer ser eternizado. Como eu o compreendo! Lamego ficou com esta "coisa" e a "coisa" todos os dias pensa se não terá havido engano no destino!
jp

19.3.09

VINHO DO PORTO - III

As castas predominantes são quatro: os Brâmanes ou sacerdotes; os Chátrias ou guerreiros; os Vaisias, camponeses e comerciantes; e os Sudras ou escravos, povos não arianos. As castas não se podem misturar. Cada uma tem de ficar na sua, eternamente. Mas isto é na Índia. Aqui no Douro, felizmente as castas misturam-se... e bem!
São 40 as castas permitidas na confecção do Vinho do Porto. No entanto, as melhores e mais utilizadas são seis. A Touriga Nacional é a melhor em vigor e força. Produz pouca quantidade, mas de grande qualidade. Uvas pequenas e azuladas. Os vinhos têm uma tonalidade profunda e aroma a frutos silvestres. Dá-se em solos quentes e áridos como estes do Douro. A Tinta Roriz é a única, das clássicas, não originária de Portugal (em Espanha é a "temperanillo", na região de Rioja). Viril no carácter e com taninos fortes, tem nariz de resina, com aroma a cedro. A Touriga Francesa dá uma quantidade abundante, vinhos claros e aromáticos. A Tinto Cão, uma das primeiras variedades a ser aqui plantada, provavelmente antes do séc. XVI, produz pequenas quantidades de excepcional subtileza e invulgar aroma prolongado. A Tinto Amarela, produz com abundância. Cachos apertados, com uvas de casca fina e com sabor profundo a frutos maduros. Adora uma boa exposição ao Sol. Finalmente a Tinta Barroca é uma inovação introduzida há cerca de 100 anos. Colheitas abundantes. Vinhos robustos, aveludados e elegantes. Suaviza o lote final. A vinha é resistente ao frio, podendo ser plantada virada a norte.
Na década de 1870 apareceu a filoxera. Um insecto que ataca as raízes da videira e que as destrói completamente. Foi a calamidade na Europa. Na iminência de terem de beber água ou cerveja, os civilizados europeus acabaram por descobrir que o male viera da América, claro. Provavelmente numa vinha contaminada que fora exposta num Salão de Agricultura em Paris. Ora, se essa vinha não morria, era resistente... A partir de então as vinhas europeias passaram todas a ser enxertadas com vinha americana. O rizoma é plantado e depois faz-se a enxertia da vinha nativa. A diferença é que aqui no Douro o enxerto é feita nos próprios vinhedos e não em viveiro. Ficamos por aqui. Amanhã vamos aos Vintage...
jp

LAMEGO - FONTE DOS GIGANTES





LAMEGO - NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS




É melhor atacar de carro por trás e depois descer a pé os 377 degraus da escadaria do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, cujo desnível para a Avenida Dr. Alfredo de Sousa é de 600 metros! O problema é quem vai depois buscar o carro outra vez lá cima. Perdidos neste dilema, podemos andar dias nisto sem perceber a metafísica da coisa. Aqui havia o culto de Santo Estevão. Aliás isto é o Monte de Santo Estevão. Havia, bem no alto, uma capelinha mandada construir pelo bispo Durando, em 1361. Veio o bispo Manuel de Noronha (1568), esse "grande construtor" e manda demolir a eremida. No seu lugar constrói uma outra dedicada a Nossa Senhora dos Remédios. Porquê esta alteração de culto? Pois aí reside toda a problemática de Lamego. Santo Estevão foi o primeiro mártir do cristianismo. Pertencia ao "grupo dos sete" ou "helenistas". A sua mensagem era radical e não se identificava com os apóstolos. Acaba apedrejado por blasfémia à porta do Sinédrio. O seu culto está associado à Festa dos Rapazes em Trás-os-Montes. Festividades do Sostício de Inverno derivadas dos cultos pagâos do Sol. D. Manuel de Noronha não ia em folguedos. Inspirado em acabar com estas poucas vergonhas, manda vir uma virgem de Roma, muito considerada por ser grande remediadora dos males de que os crentes se queixavam. Instalada no alto do Monte, a Virgem toma conta da ocorrência e rapidamente Estevão cai no esquecimento. O edifício que vemos na imagem é barroco e é já de 1750, provavelmente da autoria de Nasoni. Destaque para o "Pátio dos Reis", onde estão representados os 18 últimos nomes da casa de David e para o obelisco de 15 metros, no centro do qual está a "Fonte dos Gigantes", com as suas fabulosas "carrancas" (ver post seguinte)
jp

LAMEGO - FRESCOS DA SÉ

Excepcionalmente avanço com uma foto sacada da net, satisfazendo um pedido, aliás pertinente, do João Menéres. Eis os frescos da Sé de lamego da autoria de Nasoni (1737-1738).

18.3.09

VINHO DO PORTO - II

O Rio Douro nasce em Leão (Espanha) e desagua no Porto. Foi ele que deu o nome à Região Demarcada. O vinho chegava aos aos armazéns de Gaia, em frente ao Porto, depois de uma perigosa travessia desde a Régua. Era transportado pelos barcos rabelos e o seu nome inicial era Vinho de Ribadouro. O Douro era um rio perigosíssimo até aos anos 70 do séc. XX, altura em que foi feito um sistema de barragens e eclusas que amansaram o caudal.
O Vinho do Porto surge com a sua especificidade devido a três factores distintivos: o clima; o solo; e as castas escolhidas.
A zona está separada do clima severo do Atlântico pela Serra do Marão, conhecida pela sua intransponibilidade. Uma barreira protectora para as uvas. A zona sofre Invernos rigorosos e Verões tremendamente secos. As vinhas são plantadas em vertiginosas encostas. Até aos anos 20, eram plantadas exclusivamente em socalcos suportados em muros, totalmente construídos à mão. Os desastres fatais eram (e são) frequentes. Só permitiam o cultivo de uma fila de de vinha. Muito trabalho e pouca uva, era o resultado. Com a introdução da recto-escavadora foi possível penetrar mais fundo no terreno e dispensar os muros de suporte. Os patamares construídos (veja-se a foto) passaram a permitir duas filas de vinha a uma distância de dois metros, uma da outra, sendo agora o trabalho feito mecanicamente. É possível com o "sistema de patamares" obter 3500 vinhas por hectare. Outro sistema, recentemente introduzido, é a plantação na vertical. A inclinação deve, porém, ser inferior a 45%. Aumenta-se a quantidade de vinhas para 5000 por hectare. Embora, presentemente, o trabalho na vinha seja quase totalmente mecânico, a víndima continua a ser manual. É mais caro, mas assegura-se a qualidade da uva. Só os cachos em bom estado e bem maduros são recolhidos. O solo da região demarcada é, também, importante na característica final do vinho. O solo é proveniente de um rompimento de rocha xistosa, sedimentária, que constituíu há milhões de anos o fundo de um lago. Grandes cataclismos determinaram que a rocha tivesse mudado da posição horizontal para vertical! Essa inversão deu ao solo uma porosidade muito especial e rica em nutrientes. Há vinhas cujas raízes conseguem penetrar no solo mais de dez metros em busca de água. Deixo para amanhã a problemática das castas. Já estou cheio de sede...
jp

LAMEGO - ARQUIVOLTAS





Perdemos-nos nas arquivoltas do pórtico principal da Sé, no seu gótico flamejante em figuras talhadas no granito com motivos antropomórficos, zoomórficos e vegetalistas. Algumas figuras encontram-se decepadas por uma censura tardia que não existiu quando o primitivo cinzel do "companheiro" concebeu a obra de arte. Decifrar aqueles pórticos é tarefa para muitos meses e quilos de presunto para rebater.

17.3.09

LAMEGO - SÉ CATEDRAL




Devidamente fundidos Túrdulos, Lígures e Íberos, vieram os romanos que tudo colonizaram. Lamecus torna-se cristã quando o rei visigótico Recaredo I se converte em 570 (depois de Cristo, como é óbvio). Depois veio a habitual alternância entre mouros e cristãos que, não sendo parlamentar, era definitivamente discutida à bofetada. Em 1057 Lamecus foi conquistada definitivamente por Fernando Magno de Leão. Egas Moniz, o nobre aio de Afonso Henriques, tem a tenência da vila em 1128. Lamego era ponto de passagem na rota hispânica para Compostela, para quem vinha de Mérida, Cordova ou Sevilha. Aqui se comerciavam especiarias e tecidos orientais. Os mouros eram bem vindos. A importância de Lamego perde-se com a conquista de Granada e a expulsão dos mouros pelos Reis Católicos de Espanha e com a descoberta do Caminho Marítimo para a Índia, enfranquecendo o comércio da região. O desenvolvimento só reaparece ao tempo do Marquês de Pombal, na sequência da criação da Região Demarcada do Douro. Hoje é uma cidade cheia de história e de solares, mas enfranquecida de gentes e parca no desenvolvimento. Um oásis no deserto que, em breve, poderá ser um deserto de oásis.
A Sé é de origem românica (séc. XII) e magnífica. Só ela vale a deslocação. A parte cimeira já é do séc. XVI, da iniciativa do bispo Manuel de Noronha. Na fachada podem ver-se três notáveis pórticos, gravados em granito com figuras antropomórficas de desenho muito pouco católico, como se verá amanhã. Obra do gótico flamejante tardio, já com prenúncios renascentistas. O interior de três naves, tem as abóbadas profusamente coloridas por Nicolau Nasoni que por aqui andou entre 1737 e 1738. Os Templários também cá estiveram, como se vê pelo altar-mor. Deixo-vos com Deus!
jp

LAMEGO - CONFISSÃO

Aqui em Lamego os confessionários convidam à introspecção. Confessionários sólidos a inspirar boas confissões. Os pecados saem com naturalidade. Perdão imediato. Arrependimento garantido. Em Lamego até eu me confesso!

VINHO DO PORTO - I

Julgavam que já se tinham visto livres do Douro? Puro engano. Até 6ª feira o Expresso da Linha tem o prazer de vos contar, com grande detalhe e inegável prazer, os pormenores mais sórdidos dessa mixórdia a que chamam Vinho do Porto. Para desanuviar de tanto álcool, faremos alguma abstinência em sequências postalíferas da velha cidade de Lamego, a Lamaecus dos romanos, onde em tempos inenarráveis habitaram Lígures e Túrdulos.
O vinho do Porto é um vinho natural e fortificado. A noção de fortificado remonta ao tempo em que os ingleses vieram para aqui embebedar-se com mais vigor. Há, porém, historiadores que dizem a tradição existir já no tempo dos Descobrimentos, visando a "fortificação" evitar que o vinho ficasse azedo tão rapidamente. Este vinho faz-se exclusivamente das uvas provenientes da Região Demarcada do Douro. Esta é, de facto, a mais antiga região vitivinícola do mundo, criada por alvará de D. José I, em Setembro de 1756, era ministro o nosso amigo Marquês de Pombal, também Conde de Oeiras, coisa que terá sido determinante num ligeiro aconchego de uvas de Carcavelos no mosto portista... mas isso agora não interessa nada! A principal diferença para os restantes vinhos é que a fermentação do vinho do Porto não é completa. É interrompida dois a três dias depois de ter começado, pela adição de aguardente vínica neutra (cerca de 77º de álcool), mantendo o vinho doce, visto que o açúcar das uvas não chega a ser totalmente transformado em álcool. Este vinho acaba, assim, por ficar nos 18º a 22º graus de alcolémia. A Região Demarcada tem cerca de 40 000 hectares, despenhados por montes e vales em socalcos de vertigem. Divide-se em três zonas principais: Baixo Corgo; Cima Corgo e Douro Superior, sendo as 2 últimas as melhores. A geologia ajudou e o clima também (como veremos amanhã). Até lá, à Vossa!
jp

8.3.09

BARÃO DE FORRESTER


Nascido a 1809, em Kingstown-Upon Hull, Joseph James Forrester chega ao Porto 3m 1831 para trabalhar na empresa de vinhos Offley, Forrester and Webber. Paralelamente, Forrester dedica-se à pintura, pintando a óleo sobre placa de zinco paisagens do Douro e da cidade do Porto. Em 1836 casa com Eliza Cramp, de quem terá sete filhos. Abandona a firma Offley e estabelece-se por conta própria como lavrador e produtor. Em Londres recebe aulas de fotografia e é um dos pioneiros dessa arte. A partir de 1854 estuda e publica diversos livros sobre a moléstia da vinha. Escreve ainda um livro "Uma Palavra Sobre Os Que Adulteram o Vinho do Porto". É ele também que apresenta um levantamento do Rio Douro desde o Salto da Sadinha em Espanha, até o São João da Foz. Em 1855, D. Fernando II, regente na menoridade de Pedro V, concede-lhe o título de Barão. Participa na Exposição Mundial de Paris de 1855 onde recebe várias medalhas. A 13 de Maio de 1861 morre afogado num célebre naufrágio do Douro, na zona do Cachão da Valeira. O Barão, diz a lenda, morreu porque à levava um cinto carregado de moedas de ouro. O seu corpo nunca apareceu. Com ele morreram mais pessoas que iam a bordo. Salvou-se a amante D. Antónia Adelaide Ferreira, a "Ferreirinha", grande proprietária de vinhas e mãe de todos os vinhos, cuja saia de balão a terá feito boiar até à margem. Refira-se apenas que o Douro manso que hoje vemos, regulado por mais de uma dezena de barragens, corria, naquela época, entre pedregulhos e rápidos sessenta metros mais abaixo. Um verdadeiro terror para o transporte do vinho até ao Porto. No Museu do Douro, recentemente inaugurado na Régua, está patente uma interessantíssima exposição sobre o Barão de Forrester, seus quadros, suas fotografias e sua época. Forrester, um português que era inglês!
jp

7.3.09

BARÃO DE FORRESTER - OS QUADROS



Óleos sobre zinco de Joseph James Forrester, expostos no Museu do Douro, Régua. No último vemos de costas o Barão e a sua amante, a "Ferreirinha", a do "Barca Velha"!