13.11.09
TARDES DE LISBOA
23.9.09
SEXO NO CONVENTO
A vocação não era a principal razão para as mulheres irem para freiras. As visitas aos conventos faziam parte da etiqueta social da nobreza. Era de bom tom um nobre "ter" a "sua" freira, com discrição mas com muita intenção. Era chique trocar correspondência. Fazer visitas. Trocar prendas, talvez poemas por doces conventuais. No Convento de Odivelas ainda hoje são famosas a marmelada de Odivelas e o pudim da Madre Paula. Com tanta marmelada, rapidamente as celas viravam alcovas. O Convento de Odivelas, hoje perdido num mar de casas sub-urbanas da região de Lisboa, ficava outrora "fora de portas". Local de quintas e saloios, era lá que D. Dinis (1261-1325) buscava carne fresca e benzida com o beneplácito da esposa, a Rainha Santa Isabel, que na angústia de ter de enfretar o real marzápio, recomendava ao rei "Ide vê-las, ide vê-las", referindo-se às freiras de Odivelas. Dizem que o nome veio dessa santa frase. Não sabemos. O que sabemos é que a tradição se manteve.
D. João V (1689-1750), o rei Magnanímo, era um freirático incorrigível. A sua obsessão pelo sexo levou-o ao uso e abuso de afrodisíacos, designadamente de cantáridas, que lhe abalaram a saúde e apressaram a morte. Era para Odivelas que ele corria a lançar-se nos braços de Madre Paula. Dela teve três filhos: D. António, D. Gaspar e D. José, conhecidos pelos "Meninos de Palhavã", do nome do palácio onde moraram, hoje Embaixada de Espanha. Madre Paula sobreviveu 35 anos à morte do amante, sempre tratada com toda a consideração. O Convento de Odivelas foi, posteriormente, transformado em colégio para as filhas dos oficiais das Forças Armadas. A marmelada manteve-se. É branca e pura e só elas sabem porquê.
7.7.09
28.6.09
QUIOSQUES DE LISBOA
27.6.09
NOITE DE FADO
19.6.09
13.6.09
SANTO ANTÓNIO - III
Martim Antônio Franciscano (1195 - 1231) nasceu em Lisboa e morreu em Pádua. Em vida deixou boa imagem de si próprio e o Vaticano, sempre atento, deu-lhe a canonização e mais tarde o "master" em "doutor da Igreja". Com grandes dotes oratórios segue para Marrocos e depois para Itália. Acaba convidado pelo próprio S. Francisco para pregar contra a "heresia" albigense, em França. Foi tal a sua eficácia que ficou conhecido como "incansável martelo dos hereges". Grande taumaturgo, são inúmeros os milagres que se lhe atribuem, em especal depois da morte e até aos nossos dias. São os chamados "milagres por invocação" que são os mais acessíveis. Como o Santo já está sentado à direita de Deus-Pai é só pedir! Os seus famosos sermões estão reunidos nos "Sermões Dominicais e Festivos", obra compilada pelo próprio Frei António. Os restantes que por aí andam são apócrifos. Bom franciscano, Frei António abrilhantava os seus sermões com temas ligados à natureza. Assim como S. Francisco pregava aos pássaros, Santo António pregava aos peixes. Talvez venha daí a gosto pelas sardinhas assadas que, tal como o cordeiro pascal, são sacrificadas aos milhares nas brasas de Santo António. Com a fama de casamenteiro que tem, seria seguramente hoje um defensor dos casamentos gay e do matrimónio dos sacerdotes, as únicas pessoas que ainda se querem casar nos dias que correm.

