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13.11.09

TARDES DE LISBOA

São estranhos estes encontros de cidade. Vai-se a descer uma escada rolante e ouve-se: "Jorge...". Não devo ser eu. Disfarça-se o mais que se pode, mas ela insiste e sopra-me ao ouvido: "Bem me parecia que eras tu". Agora está nos Açores, terra natal. Na ilha do Faial. Passa meio ano cá, meio ano lá. Já não a via há uns quatro anos, altura em que lhe desabafei tudo sobre o meu processo de divórcio e as dúvidas que então tinha. Ajudou-me muito e, no entanto, não temos uma relação próxima. Ela foi minha amante durante uns anos na década de 80. Mantivemos sempre um enorme respeito um pelo outro. A relação não é próxima, mas é íntima. Tão íntima que podemos estar anos sem nos ver e falarmos como se nos tivessemos acabado de separar. É bom este tipo de amizade entre homem e mulher. Não queremos agora mais do que falar. Sabemos que podemos dizer tudo, sem que o síndroma do desejo baralhe o entendimento das palavras. A nossa sociedade estabelece um tabu quanto a este tipo de relações. E esse tabu acaba por envenenar essas relações que, muitas vezes, mais não são do que conversas que levam a intimidade ao extremo físico e sexual. Hoje tenho orgulho nessa relação e naquilo em que ela se tornou: numa grande Amizade.

APONTAMENTOS DE LISBOA - I



APONTAMENTOS DE LISBOA - II




23.9.09

SEXO NO CONVENTO


A vocação não era a principal razão para as mulheres irem para freiras. As visitas aos conventos faziam parte da etiqueta social da nobreza. Era de bom tom um nobre "ter" a "sua" freira, com discrição mas com muita intenção. Era chique trocar correspondência. Fazer visitas. Trocar prendas, talvez poemas por doces conventuais. No Convento de Odivelas ainda hoje são famosas a marmelada de Odivelas e o pudim da Madre Paula. Com tanta marmelada, rapidamente as celas viravam alcovas. O Convento de Odivelas, hoje perdido num mar de casas sub-urbanas da região de Lisboa, ficava outrora "fora de portas". Local de quintas e saloios, era lá que D. Dinis (1261-1325) buscava carne fresca e benzida com o beneplácito da esposa, a Rainha Santa Isabel, que na angústia de ter de enfretar o real marzápio, recomendava ao rei "Ide vê-las, ide vê-las", referindo-se às freiras de Odivelas. Dizem que o nome veio dessa santa frase. Não sabemos. O que sabemos é que a tradição se manteve.

D. João V (1689-1750), o rei Magnanímo, era um freirático incorrigível. A sua obsessão pelo sexo levou-o ao uso e abuso de afrodisíacos, designadamente de cantáridas, que lhe abalaram a saúde e apressaram a morte. Era para Odivelas que ele corria a lançar-se nos braços de Madre Paula. Dela teve três filhos: D. António, D. Gaspar e D. José, conhecidos pelos "Meninos de Palhavã", do nome do palácio onde moraram, hoje Embaixada de Espanha. Madre Paula sobreviveu 35 anos à morte do amante, sempre tratada com toda a consideração. O Convento de Odivelas foi, posteriormente, transformado em colégio para as filhas dos oficiais das Forças Armadas. A marmelada manteve-se. É branca e pura e só elas sabem porquê.

ÀS PORTAS DO CONVENTO

O CONFESSIONÁRIO - CONVENTO DE ODIVELAS



AZULEJOS - CONVENTO DE ODIVELAS



28.6.09

QUIOSQUES DE LISBOA

Quiosque vem do francês Kiosque que deriva do turco Kosk. Significa pavilhão. É uma pequena construção octogonal, aberta por todos os lados, erigida em locais públicos e para fins públicos. Lisboa desde os finais do séc. XIX sempre teve uma tradição de Quiosques. O seu abandalhamento, quer visual, quer em termos de exploração comercial, está agora a ser corrigido, e bem, pela Câmara Municipal de Lisboa. Estes são os novos Quiosques da capital. Na foto vemos o Quiosque da Largo Camões, ao Chiado, concessionado à Catarina Portas, a meia-irmã de Paulo e Miguel Portas, dois políticos de quiosque sempre aberto. Limonadas deliciosas e outros petiscos para tomar de passagem. A não perder se forem ao Bairro Alto ou à Bica.

27.6.09

NOITE DE FADO

Fui de viela em viela,
Numa delas dei com ela
E quedei-me enfeitiçado.
No seu rosto só vi pranto,
Fui-me embora amargurado.
E ainda recordo agora
A visão que ao ir-me embora.
Guardei de mulher perdida.
E a pena que me desgarra
Só me lembra uma guitarra
A chorar penas da vida.
Alfredo Marceneiro - Música
Guilherme Pereira da Rosa- letra

13.6.09

SANTO ANTÓNIO - III

Martim Antônio Franciscano (1195 - 1231) nasceu em Lisboa e morreu em Pádua. Em vida deixou boa imagem de si próprio e o Vaticano, sempre atento, deu-lhe a canonização e mais tarde o "master" em "doutor da Igreja". Com grandes dotes oratórios segue para Marrocos e depois para Itália. Acaba convidado pelo próprio S. Francisco para pregar contra a "heresia" albigense, em França. Foi tal a sua eficácia que ficou conhecido como "incansável martelo dos hereges". Grande taumaturgo, são inúmeros os milagres que se lhe atribuem, em especal depois da morte e até aos nossos dias. São os chamados "milagres por invocação" que são os mais acessíveis. Como o Santo já está sentado à direita de Deus-Pai é só pedir! Os seus famosos sermões estão reunidos nos "Sermões Dominicais e Festivos", obra compilada pelo próprio Frei António. Os restantes que por aí andam são apócrifos. Bom franciscano, Frei António abrilhantava os seus sermões com temas ligados à natureza. Assim como S. Francisco pregava aos pássaros, Santo António pregava aos peixes. Talvez venha daí a gosto pelas sardinhas assadas que, tal como o cordeiro pascal, são sacrificadas aos milhares nas brasas de Santo António. Com a fama de casamenteiro que tem, seria seguramente hoje um defensor dos casamentos gay e do matrimónio dos sacerdotes, as únicas pessoas que ainda se querem casar nos dias que correm.
jp

MANJERICOS

CRUZ VERMELHA - UM DESCANSO

O melhor local para se estar ontem era a tenda da Cruz Vermelha instalada no Largo Camões. Aqui havia paz. Limpeza imaculada. Macas confortáveis. Enfermeiras prontas para a massagem mais exigente. Cocktails de medicamentos no "shot" mais apetecível e muita água oxigenada para acompanhar. Os Santos Populares transformaram-se num verdadeiro "baile de vampiros", numa competição para ver quem é mais alarve. Bandos de jovens monstros, cabelo em crista, roupa abandalhada, ar andrajoso, todos esburacados de "piercings" e borrados de tatuagens, desfilam entre vielas pejadas de grafitis, entoando a devoção ao Santo em bebedeiras rituais de carácter obrigatório, na liturgia da música tecno em distorção amplificada. De que toca sai esta gente? De buraco emergiram? De que vivem? O que fazem durante o dia? Quem os alimenta? Para que servem? Assim caminha a humanidade. não sei é para onde...
jp

SANTO ANTÓNIO - II





Alto de Santa Catarina ontem à noite. A festa renovada pela música tecno e a comida vegetariana. Em cima uma esplanada despenhada na vertigem do miradouro.

AFTER SANTOS

Então até já. Às dez da manhã na Praia dos Pescadores. Atenção à polícia...

SANTO ANTÓNIO - I

A coisa está animada. Vou ali e já venho...