A estátua fica à entrada do "The Oitavos", um hotel de grande luxo na zona da Quinta da Marinha (Oitavos - Cascais). Francamente já não sei: será arte péssima? Ou assim assim? Para quê os pés para dentro? E as mãozitas "tipo atrasado mental"! Ajudem que estou confuso...
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31.10.11
14.10.11
ARTE PÉSSIMA - OS MATACÕES DE CABRITA REIS
Pedro Cabrita Reis afirma-se escultor. A Câmara Municipal de Oeiras comprou-lhe duas "instalações" no valor de um milhão e duzentos mil euros (sim, leram bem)! Esta "coisa" aqui fotografada comemora os 250 anos da vila de Oeiras. São oito matacões em mármore, sem escala, sem arte, sem personalidade. O valor do mármore não ultrapassa os cinquenta mil euros... Será que o valor acrescentado representa tanto? O defeito não está em quem sabe vender. A virtude está em quem sabe comprar. A CMO enfiou o barrete. É uma cultura sem recurso. Uma visão transitada em julgado. Uma estratégia em suspensão. Até quando temos de pagar as custas?
21.9.11
ARTE PÉSSIMA - ESTORIL SOL RESIDENCE
Não tenho falado deste monstro com receio de represálias dos meus amigos arquitectos. Ontem, porém, fui a Cascais. Perdi-me nas vielas da cidade velha. Ruas que dão para a baía. Casas baixas despenhadas sobre o mar. Tudo com escala. De repente, levantamos o olhar... e zás!. Do outro lado da baía, o Monstro. Concebido pelo arquitecto Gonçalo Byrne em terrenos do antigo Hotel Estoril-Sol, o Monstro ofende a Costa do Sol, como um mancha de poluição no horizonte. É impossível ficarmos indiferentes. O Monstro esmaga a paisagem. Afecta a linha da costa. Minimiza a Estrada Marginal. Um postal ilustrado com a pintura borrada. Uma escala egocêntrica para vender milhões. Como os arquitectos, por definição, nunca têm culpa e o dono da obra quer é construir mais, a culpa tem de ir por inteiro para as autarquias que autorizam estas barbaridades. Assusta não haver a possibilidade de voltar atrás e projectar diferente. Assusta não haver morteiros para abater o Monstro. Um caso de legítima defesa paisagística.
10.6.11
SERTÃ - ARTE PÉSSIMA
Quando já estávamos preparados para tudo, vacinados pela "arte-das-rotundas", eis que somos supreendidos. Foi na Sertã, pacata vila da Beira Baixa. Não sabemos qual foi a encomenda, mas acreditamos tenha sido algo ligado ao ensino, dada a proximidade de um liceu. São carteiras gigantes a descair para os pinhais. Ali o ensino cheira a resina. Os alunos sentem-se motivados. Os professores recompensados. Nós ficámos esmagados e íamos batendo de frente, atónitos com tanta arte.
19.10.10
ARTE PÉSSIMA - ACESSO INTERDITO
Os rios correm livres. Desaguam felizes no mar. Os horizontes expandem-se. As águas misturam-se e a vida é eterna. Nós procuramos essa água. Essa água que é vida. Essa água de horizonte sem fim. Terá sido para nos lembrar isso que o grande escultor/instalacionista, Pedro Cabrita Reis, entaipou simbolicamente o Tejo com uma parede tosca de tijolos e cimento. Foi, seguramente, para entendermos o que seria o rio todo fechado que o deixaram pôr aquele mono em frente ao Tejo, sob o alto patrocínio do Museu da Electricidade e com a total concordância da Câmara de Lisboa. A "obra", de 2010, chama-se "De Tempos a Tempos" e o meu único receio é que os Tempos nunca mais acabem.
15.8.10
ARTE PÉSSIMA - PAINELEIRICES DE CUTILEIRO
O espaço é nobre. Aqui é a Porta da Cidade. O Largo do Infante. A Casa dos Governadores. Ao fundo o Mercado de Escravos. O Jardim do Castelo... Lagos sofreu uma recente renovação da zona ribeirinha, patrocinada pelo Programa POLIS. Renovação que lançou polémica nas gentes da terra. No entanto, para um turista, olhando o que lá estava e o que lá fica só pode haver uma apreciação favorável. Mas, no melhor pano cai a nódoa. A Câmara Municipal, por razões obscuras, entregou ao escultor Cutileiro, um pseudo-modernista capaz dos maiores dislates, a importante missão de esconder uma caixa de tratamento de esgotos, situada bem no meio de todo o Pólis, bem no meio do Jardim, a dois passos da Marginal, quase em cima do Infante. Não satisfeito em ter devastado um Largo em 1973, com a invocação idiota de D. Sebastião, o ilustre paineleiro, meteu o cu de uma imberbe menina virado para o Largo do Jardim, a trepar para a Casa dos Governadores. A caixa de esgotos ficou tapada de frente, mas com grande percepção lateral. Cutileiro recebeu uma importância não totalmente dispicienda. Poderíamos perder tempo na exegese, na interpretação. Valerá a pena? Não! Aquilo é mau demais. Uma mancha brutal numa zona nobre. O ilustre paineleiro continua a rir-se de Lagos e os Governadores deixam e aplaudem. Desde os tempos em que usou e abusou da Igreja das Freiras como oficina e a destruiu sem controle, o Paineleiro tem contas a ajustar com Lagos. Curiosamente, ainda lhe pagam para destruir o Jardim! Quem controla estas contas e estes critérios? Há Paineleiros com sorte...
24.6.10
ARTE PÉSSIMA - BEJA
Pax Julia, mais conhecida por Beja, tem historial romano e mouro. Não foi das terras com mais sorte na preservação desse rico património. Ao longo dos tempos, e ao sabor das várias intervenções urbanísticas, muita coisa se perdeu, por incúria ou ignorância. Felizmente, nos últimos anos assiste-se a um recrudescimento invulgar de arte pública. Sem querer ser exaustivo, chamo a atenção para este magnífico exemplar de "estuária rotundunal". Uma espécie de fontanário em bidé, decorado em ricos mosaicos com elementos marítimos, acentuando a contradição conceptual com a zona de ceara circundante. É a aridez interrompida, um oásis fóssil, um poço de frescura iniciática. As proporções do objecto sugerem um estudo aprofundado dos fontanários clássicos. Com rotundas assim, Beja fica numa entrada por saída.
1.3.10
ARTE PÉSSIMA - O CISNE DE OEIRAS
O "Cisne e Dama", do afamado escultor Espiga Pinto, surge bem difarçado no meio das palmeiras do relvado do Jardim da Pérgula, à entrada para a vila de Oeiras, logo ali de quem vem da Marginal. Felizmente, ninguém repara. O Cisne faz parte do Brasão desta vila onde moro. Alguns pensarão que é um fraco Brasão. Até um pouco "panisga". Desenganem-se. Em grande parte das culturas espalhadas pelo mundo, o cisne é fortísimo. Uma dualidade permanente: o cisne branco e o cisne preto. Uma epifania à luz e à pureza. Símbolo da força da poesia, emblema do vate inspirado, insígnia do sacerdote sagrado.
A coisa remonta a Zeus. Este deus grego teve necessidade de se transformar em cisne para conquistar Leda que, entretanto, se tinha transformado em gansa para lhe fugir (porquê a mitologia não é pacífica). Independentemente de isto estar comprovado por escutas ou investigação jornalística, a verdade é que a gansa é um avatar do cisne na acepção lunar e feminina. Zeus-Cisne e Leda-Gansa representam uma bipolarização do símbolo luminar, levando a pensar que os gregos, e também Espiga Pinto, fundindo as duas acepções (diurna e nocturna) fizeram do cisne uma simbologia hermafrodita, em que Zeus e Leda são a mesma e única personagem. As duas polaridades do mundo: o Sol e a Lua. O cisne morre cantando e canta morrendo, convertendo-se no desejo primordial que é o desejo sexual. Tal como Jung, chega-se à conclusão que o cisne (Schwan) é tão somente a manifestação mítica do isomorfismo etimológico da luz.
É tudo isto que Espiga Pinto representa nesta figura. E em que seguramente pensou maduramente. E se mais pensou, melhor o fez. Pensem nisto sempre forem comer um hamburguer com cebolada ao McDonald's. E pensem na Leda, pobre dama aprisionada. O cisne é lixado. Espiga, desastrado, fez um medalhão com três metros e meio de altura..
6.7.09
ARTE PÉSSIMA - XI
jp
11.6.09
ARTE PÉSSIMA - X
jp
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