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4.9.13

DEUS É INCONSTITUCIONAL


Eu que não me confesso sinto-me invadido. Deus escuta-me. E parece que me escuta por todo o lado. Ao virar da esquina. Deitado na cama. Na casa de banho. Nos mais íntimos momentos da minha insalubre existência. Será legal? Primeiro eram as Finanças... Depois a Procuradoria... Chegou a suspeitar-se do Governo. Há quem diga que são os Estado Unidos. Mas não. É Deus! Deus quer saber tudo. Estar em todo o lado. Uma obsessão omnipresente que gera uma ubiquidade promíscua. Um dom duvidoso que pode ser criminalizado. Deus é inconstitucional. Não pode escutar sem mandato judicial. Vou recorrer.
Mais um post antigo para recordar...

31.8.13

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO


O autocarro coreano deslizava suavemente pela Avenida dos Descobrimentos abaixo. Ao fundo a Torre de Belém no seu calcário rendilhado, contrastando com o Tejo azul em cenário quinhentista. O Padrão, com os seus navegadores monolíticos, lembrando velhas glórias do Império. À volta hotéis de 6 e 7 estrelas, olhando o rio a preços asiáticos, vedados por cercas electrificadas e seguranças nipónicos em face samurai.
Dentro do autocarro, um grupo de indianos risonhos comenta que dali tinha saído o Vasco da Gama, o tal que os tinha invadido. E riam alarvemente. No piso de baixo, um grupo de chineses barulhentos tira fotografias a tudo o que mexe. Lá atrás, duas famílias de angolanos disfarçam as origens falando em bantu. Meia dúzia de brasileiros põe a hipótese de explorar comercialmente o decadente Mosteiro dos Jerónimos.
Lá fora, no calor do meio-dia, pobres turistas alemães e suecos confraternizam à volta das mesas de pic-nic, compartilhando as sandes de fiambre que sobraram da véspera. Portugueses esfarrapados, pedem pelos cantos tocando acordeão e lançando fados vadios com tradução em mandarim. Um bando de espanhóis dança flamenco a pedido. No átrio central da Praça do Império, o Presidente da Repúbica faz uma "presidência aberta" de calção de banho e sardinhas assadas, para turista ver.

A camioneta chega, finalmente, ao Rossio. A guia diz nas três línguas oficiais, mandarim, brasileiro e inglês do Ragistão: "Chegámos ao fim da nossa viagem. Toda a zona a norte e leste não é segura. É habitada por portugueses e outros marginais que aqui se estabeleceram no tempo da União Europeia. Por favor não se percam do vosso guia".

Post publicado em 2008 e cada vez mais actual.

5.1.13

PORTUGAL


Há um país que todos os dias acorda ensonado. Um país cansado de si mesmo. Um país que não sonha. Um país que se levanta às 6 da manhã. Corre ao infantário a depositar as crianças. Segue engarrafado até ao trabalho. Engole um café na precipitação do horário. Há um país normalizado. Um país de rendimento mínimo e recibo verde que aguarda vez na estatística do centro de saúde. Um país anónimo que adormece esgotado no zapping suburbano do T2 mal isolado. Há um país de consumidores falidos. Um país proletário de licenciados formatados exauridos pelo juro. Há um país deprimido que delega no voto sonhos que não pode viver. Há um país doente, inerte, esmagado. Há um país envergonhado, engelhado e velho. Um país que dorme nos bancos do jardim. Um país com fome que ninguém quer ver.
Há um outro país em "off-shore". Um país de especulação. Um país fiduciário, improdutivo, imoral. Um país de seitas e comissões de vencimento. Um país de subsídios e clientelas. Um país mesquinho de gente hipócrita. Um país que confunde esperteza com riqueza. Um país sem sentimentos, sem impostos. Um país egoísta. Há um país... E nós somos o quê?
 
Post publicado no Expresso da Linha de Fevereiro de 2008. A única diferença é que está pior e pagamos mais impostos.

4.1.13

QUE LUGAR TE FAZ SENTIR EM CASA

Aqui sinto-me em casa. Um lugar irrecusável. Uma necessidade imperiosa. Uma solidão desejada. Um lugar exclusivo. Aqui sou eu, sozinho com o meu intestino. Um diálogo de intimidade total. Um ritual diário de consequências imprevisíveis. Aqui gemo. Grito. Esforço-me. Desespero. Passo da mais líquida diarreia à mais empedernida prisão de ventre. Vou da cólica selvagem à beatitude intestinal. Aqui sofro. Quase morro. Ressuscito no alívio de prazer intenso. Um lugar de peregrinação obrigatória. Quase religioso. Aqui tenho as melhores ideias enquanto liberto os despojos da véspera. Ao lado tenho um bloco de notas. Aqui me ocorrem pensamentos profundos. Ideias loucas. Discursos demolidores. Metáforas elípticas. Retóricas brilhantes. Há uma relação directa entre a libertação do cólon e a explosão da imaginação. Metade deste blogue começa neste lugar… Ainda bem que os posts não têm cheiro.
 
NOTA: na impossibilidade de postar fotos do meu arquivo Picasa (por qualquer birra do Blogger que ainda não entendi), recordo este post de 15/6/2009, integrado na Tertúlia Virtual - "Que Lugar Te Faz Sentir em Casa"

24.12.12

VACA ROMPE SILÊNCIO

Remetida a um Convento Carmelita, a vaca tem-se remetido a um profundo e prudente silêncio. Na época a vaca chegou a ser entrevistada pelos doutores da Igreja, Mateus, Marcos, Lucas e João. Mas nenhum dos entrevistadores contou a mesma versão. Esta adulteração da verdade muito incomodou a pacífica vaca que ficou a ruminar na torpe manipulação humana e jurou não mais abrir a boca sobre aquele jubiloso dia. No entanto, e face às afirmações do burro e do camelo, a vaca não pôde deixar de vir a terreiro repor a verdade e afirmá-la bem alto para glória do Senhor.
“O burro é um recalcado e mete-se nos copos. Distorce a verdade para se vingar. É um animal rancoroso. Põe aquele ar pesaroso, mas é um verdadeiro perigo. O camelo é um exibicionista nato. Sonha com califas e haréns, oásis de mel e tâmaras. É um deslumbrado. Não passa de um iludido que vive de fantasia num deserto de ideias. Em verdade vos digo: o burro e o camelo nem sequer lá estavam. O burro tinha ido à reunião semanal dos Alcoólicos Anónimos e o camelo tinha sido detido pela Mossad por suspeita de colaboração com o Hamas. Eu e só eu é que estava presente, como, aliás, demonstra a fotografia junta. Numa coisa o burro tem razão. Era Agosto. Mas isso que interessa! O que interessa é que o Menino nasceu em casa, no meio de palhinhas. José era carpinteiro e a Senhora se não era virgem parecia bastante. O menino era um santo. Fazia montes de milagres e estava sempre pronto a satisfazer qualquer pedido. Bastava pedir. Foi isso que o tramou. Naquela manhã do dia 14 do mês de Primavera de Nissã o procurador da Judeia, Pôncio Pilatos, saiu para a colunata coberto entre as duas alas do palácio de Herodes. O Sol queimava horrivelmente lá no alto, batendo com força nos mosaicos brilhantes. A dor de cabeça era horrível. As fontes latejavam desde manhãzinha. O procurador estava de novo com uma terrível enxaqueca. O réu aguardava vestido com uma túnica azul-clara, rasgada e suja. As mãos estavam amarradas. Um ar vagamente ausente. Tinha fama de milagreiro. Pilatos pediu-lhe uma cura para as dores de cabeça. Essa, porém, não era a especialidade de Yeshua. Tentou, tentou, mas nada. Se fosse uma cura da lepra ou mesmo uma ressurreição, ainda dava. Agora enxaquecas...! Foi isto perdeu o Menino, bendito seja o seu nome. A verdade é que se não fossem as enxaquecas do procurador não haveria Natal.”
A vaca calou-se abrupamente e seguiu a manada em direcção ao convento. Nunca ninguém mais a viu!

Post editado no Expresso da Linha em Dezembro de 2008.

CAMELO DESMENTE

Ao abrigo da Lei de Imprensa passamos a publicar a seguinte nota.
“Senhor Director do Expresso da Linha,
Serve a presente carta para protestar, veementemente, contra as ignóbeis afirmações proferidas pelo burro no pasquim dirigido por Vexa. Falo em nome dos três camelos que transportaram esses nobres Reis do oriente que tão cedo chegaram ao berço do Menino.
O burro não sabe o que diz. Aliás, é burro. A verdade sempre lhe escapou. Incapaz de destrinçar entre subtilezas filosóficas e um par de cenouras. Fala por despeito e raiva. Despeito, porque não lhe deram vestes de brocados e damasco. Raiva, porque nunca na vida transportou alguém importante. Não passa de um elemento decorativo no presépio. Para assumir protagonismo inventa tudo. O Menino nem sequer nasceu em Belém… Tudo de passou em Nazareth, como toda a gente muito bem sabe. Quando passámos a Faixa de Gaza, a estrela de David guiou-nos até àquelas doces palhinhas no meio da gruta, onde a Senhora depositara o fruto do vosso ventre, ámen. Os Reis Magos eram gente séria. Porque diabo se viriam incomodar, deserto fora, desde a longínqua Pérsia? É evidente que aquele era o Messias, “o Desejado”. Ah, e claro que era Natal. Estava um frio de rachar. O burro anda a ver muita televisão. Deve andar a ver os “X Files”. Acho mesmo que ele nunca leu a Bíblia! Então e a vaca, já ouviram a vaca? Sem querer dar lições, há que ouvir todas as partes envolvidas, Sr. Director. Sem mais, reitero que o Natal existe e é para todos!”
Assinado, o Camelo.
 
Post publicado no Expresso da Linha em Dezembro de 2008.

23.12.12

ENTREVISTA COM O BURRO

O burro tem sido uma das figuras mais esquecidas e desprezadas de todo o presépio. A vaca, os carneirinhos, até os camelos atingiram dimensão bíblica. O burro, porém, não passa de figura de estilo remetido a um silêncio hipócrita pelos exegetas do Novo Testamento, talvez por recearem comparações menos felizes com a sua própria inteligência.
Fomos encontrar o burro amargurado a retouçar um par de cenouras, tristonho e revoltado com este esquecimento evangélico. A entrevista foi rápida e esclarecedora.
“Em verdade vos digo. Fui eu que transportei a Senhora e José à urgência do hospital de Belém. Ela estava muito grávida há uma série de meses. Aquilo acontecera de repente. Os vizinhos diziam que ela concebera sem pecado e olhavam de lado para José. O pobre carpinteiro andava com a cabeça cada vez mais pesada e, em desespero, pregava pregos à toa em qualquer madeira que lhe aparecia à frente. Naquele dia de Agosto fazia um calor de rachar. O Natal já fora há muitos meses, A Senhora berrava. José, histérico, corria de um lado para o outro e só conseguia balbuciar “valha-me a Virgem Maria, valha-me a Virgem Maria”. O hospital fervilhava de agitação. Parei em contra mão. José corria desaustinado: “ai minha Virgem Maria, ai minha Virgem Maria”. À falta de melhor registaram a Senhora como Virgem Maria. O miúdo nasceu nas calmas. Veio logo a falar três línguas: aramaico, latim e grego clássico. Um sobredotado! Cá fora os familiares da Senhora estavam impedidos de entrar. Eram palestinianos. Um ainda se fez explodir de satisfação... José nunca mais foi o mesmo. O miúdo começou rapidamente a mandar lá em casa. A Senhora deixava-o fazer o queria. José não tinha mão nele. Ainda adolescente apanharam-no a andar sobre a água. Outra vez multiplicou os pães. Só disparates. Foi demais. Acabou internado num colégio Essénio. Pior não podia ter sido. A partir daí começou a falar na terceira pessoa e a pregar no deserto. Claro que as insolações não lhe fizeram nada bem. Um dia em que estava mais desidratado entrou num templo e atirou-se aos vendilhões. Partiu a loiça toda. O resto já todos sabem. O rapaz meteu-se na política e acabou mal. No Médio Oriente a política acaba sempre mal!”
O burro calou-se surpreendido por ter falado tanto. Lá atrás o presépio canta gloriosos hinos de louvor em alemão, entre estrelas prateadas made in Taiwan. Pessoas aos magotes sorriem a crédito na euforia das compras. É Natal para toda a gente. Só o burro sabe que não!
 
Post publicado no Expresso da Linha em Dezembro de 2008.

3.5.12

FÉRIAS


Não se deixem enganar pelo tempo chuvoso. A contagem começou. Esta é a pior época do ano para as mulheres. O Verão está à porta. A praia vem aí! É a barriguinha que teima em saltar da cueca. A celulite escorrendo em casca de laranja pelo fémur abaixo. Os músculos flácidos que não respeitam a estética do Ancão. Ginásios. Inscrições à pressa. Muita malhação. Circuitos de máquinas hidráulicas sempre a dar ao pedal. Depilação profunda das virilhas. Arranjo de pés. Esfoliação. "Peeling". Endermologia. Refirmantes. Cremes adelgaçantes. Hidratantes. Massagens modelares. Comprimidos para acelerar o metabolismo. Laxantes para aliviar. Quatro sessões de solário para simular vinda directa das Caraíbas... Enfim, uma canseira e um dinheirão não comparticipado para 15 dias de paranóia entre toldos apertados, enfernizados de putos aos gritos, comendo bolas de Berlim cadastradas que a ASAE investiga. Uma ventosga permanente e um mar gelado carregado de algas e sal. Boas Férias!

Post publicado em Maio de 2008.

11.4.12

RECORDANDO POSTS - SEXY BODY (O SOVACO)

Carne tenra e suave. Uma curva íntima que se esconde do olhar. A mão que penetra no recôndito vale. Sensação húmida. Promessa que fica. Um beijo, uma carícia... O sovaco carece tratamento especial. As cócegas não exprimem orgasmo, o cheiro não lubrifica. Temos de ser enérgicos. Um carícia leve pode transformar um encontro romântico numa sessão de riso descontrolada. O sovaco é dos "pontos G" mais sensíveis. Só grandes especialistas o podem enfrentar. Se não souber, não mexa.

Publicado em Abril de 2010.

RECORDANDO POSTS - 25 DE ABRIL SEMPRE?

Há a ideia de que tudo era muito cinzento antes do “25 de Abril”. Não havia liberdade, não havia expressão, não havia divertimento, a criatividade era controlada. Era deus, pátria e família! Muita ordem e repressão. Tudo muito careta. Há a ideia que antes do “25 de Abril” a infelicidade nacional era completa e o isolamento total. Há a ideia que depois do “25 de Abril” todo mudou. Onde havia cinzento ficou encarnado. Onde havia desespero, virou paixão. A liberdade rebentou por todo o lado. Acabou a repressão. Toda a gente se passou a exprimir como queria e como não queria. A cada um sua expressão. A alegria inundou a rua. As pessoas, de repente, ficaram muito unidas e solidárias. As colónias libertaram-se partindo para os seus exóticos destinos. Penso que são ideias exageradas. A verdade estará algures entre a liberdade, a responsabilidade e cidadania. A democracia é uma conquista. Mas não passa de um regime. Também tem desmandos e perigos. O excesso de representatividade é um deles. Sendo o melhor que conhecemos, não devemos ficar satisfeitos e inertes. O antigo regime foi essencial para controlar a total balbúrdia da I República (1910). A revolução ditatorial de 28 de Maio de 1926 foi querida e desejada pelo povo, farto dos desmandos democráticos. Ser democrata era, então, pejorativo. Só alguns empedernidos maçons se mantiveram na deles. O povo ansiava ditadura, algo que os livrasse da bancarrota e da perda de dignidade nacional. Tudo é, pois, relativo. Só não foi relativo o tempo excessivo em que o antigo regime se manteve. A verdade, porém, é que os portugueses não têm cultura política. Nunca tiveram. Nem na monarquia, nem na república. Tem caciques e gente que segue os caciques. Impera a lei do menor esforço, do emprego público, da preguiça mental. Do receio de contrariar o poder, da falta de cidadania. Por isso a ditadura durou tanto. Poucos queriam deitá-la a baixo. Era cómodo como estava. Tudo certo, direitinho, controlado. As pessoas iam às suas vidinhas, papavam as hóstias e constituíam família. É evidente que com o “25 de Abril” ganhámos muito, independentemente da balbúrdia que se seguiu à revolução. Agora pergunto. Que importa termos imensa liberdade de expressão para nos esgotarmos a dizer mal “deles” sem agirmos no local e tempo certos? Que interessa podermos fazer o que queremos se o que queremos é não fazer nada? Mais, se não fosse a adesão à União Europeia, em 1986, ainda estaríamos neste regime? Duvido!

Post publicado no Expresso da Linha em Abril de 2009.

10.4.12

RECORDANDO POSTS - A FROTA AUTOMÓVEL

Tenho um problema. E grave. Preciso do vosso conselho. Imaginem que se for eleito, como espero, vou-me deparar com uma situação insustentável. Na Câmara Municipal de Nenhures há 76 motoristas para conduzir directores. Por outro lado, há apenas 35 veículos automóveis. 76 pessoas, para 35 máquinas! Fico num dilema: ou despeço motoristas ou compro carros. Se despeço motoristas, vou ter logo um sarilho e ser acusado de contribuir para o desemprego e para a crise mundial. Se compro carros, serei um despesista. É claro que dispensar directores ou quadros superiores ou acabar-lhes com as regalias está completamente fora de questão. Se o fizesse não seria eleito, pura e simplesmente. Por outro lado, se comprar os carros terei de aumentar as derramas e outros impostos para ter dinheiro para comprar os ditos carros. Finalmente, se comprar mais automóveis contribuo para o desenvolvimento da indústria mundial, em geral, e das empresas revendedoras, em particular. Ou seja: de um lado não despeço ninguém, satisfaço clientelas e dou dinheiro aos capitalistas. Do outro, limito-me a aumentar uns impostozitos. Que hei-de fazer?

RECORDANDO POSTS - O BACALHAU É NOSSO

A maior descoberta da epopeia portuguesa não foi o caminho marítimo para a Índia. Não foi o "achamento" do Brasil. Nem sequer a chegada à Austrália ou a tomada de Ormuz. Curiosamente, o evento deu-se precisamente no ano em que Cabral esbarrou com terras de Vera Cruz, quando se dirigia para a Índia. Esse evento obscuro ocorreu no bafejado ano de 1500: Gaspar Corte Real atinge a Terra dos Bacalhaus ou Terra Nova e Labrador (actualmente). O que seria de nós sem esta descoberta? O que seria da nossa identidade? A Índia foi-se. O Brasil também. Até a África se perdeu. Mas o bacalhau é nosso! O bacalhau é o que resta do Império Colonial. O último sopro do "Quinto Império". Estranho é a data não ser comemorada. Estranho é haver mais de 1000 receitas de bacalhau e não haver "bacalhau à Gaspar"! Fica a sugestão.