31.5.13

CHAVES - V

Foi então por volta de 1160 que Chaves integra o país, que já era Portugal, com a participação dos lendários Ruy Lopes e Garcia Lopes, tão intimamente ligados à história da terra.
Pela sua situação fronteiriça, Chaves era vulnerável ao ataque de invasores e como medida de protecção D. Dinis (1279-1325), mandou levantar o castelo e as muralhas que ainda hoje dominam grande parte da cidade e a sua periferia.
A 8 de julho de 1912 travou-se um combate entre as forças monárquicas de Paiva Couceiro e as do governo republicano, chefiadas pelo coronel Ribeiro de Carvalho, de que resultou o fim da 2ª incursão monárquica. Os intervenientes republicanos desse combate foram homenageados na toponímia de Lisboa, com a designação de uma avenida, a Avenida Defensores de Chaves, entre a Avenida Casal Ribeiro e o Campo Pequeno. A 12 de Março de 1929 Chaves foi elevada à categoria de cidade.

30.5.13

CHAVES - IV

Com os árabes, também o islamismo invadiu o espaço ocupado pelo cristianismo, o que causou uma azeda querela religiosa e provocou a fuga das populações residentes para as montanhas a noroeste, com inevitáveis destruições. As escaramuças entre mouros e cristãos duraram até ao século XI. A cidade começou por ser reconquistada aos mouros no século IX, por D. Afonso, rei de Leão que a reconstruiu parcialmente. Porém, logo depois, no primeiro quartel do século X, voltou a cair no poder dos mouros, até que no século XI, D. Afonso III, rei de Leão, a resgatou definitivamente e mandou reconstruir, povoar e cercar novamente de muralhas.

COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST

BloggerEduardo P.L. said...
Vendo suas fotos e lendo suas histórias, Jorge, me reportou aos dias de hoje, onde em alguns países como a Síria, para citar apenas um exemplo, as lutas continuam destruindo cidades inteiras como nos tempos dos "bárbaros"... Lá também , um dia haverá paz, e haverão cidadãos que narrarão esse período como coisa absurda, passada, e incrivelmente desnecessárias e cruéis. A história da humanidade só faz se repetir. Mudam os cenários, as razões aparentes, os métodos, as armas, mas o resultado é sempre o mesmo: devastação, mortes, poder, e gloria.

29.5.13

CHAVES - III

O auge da dominação romana verificou-se até ao início do século III, aquando da chegada gradual dos vulgarmente apelidados bárbaros. Eram eles os Suevos, Visigodos e Alanos, provenientes do leste europeu e que puseram termo à colonização romana. As guerras entre Remismundo e Frumário, na disputa do direito ao trono, tiveram como consequência a quase total destruição da cidade, a vitória de Frumário e a prisão de Idácio, notável Bispo de Chaves. O domínio bárbaro durou até que os mouros, oriundos do Norte de África, invadiram a região e venceram Rodrigo, o último monarca visigodo, no início do século VIII.

28.5.13

CHAVES - II

 
À época da invasão romana da península Ibérica, os romanos instalaram-se no vale do rio Tâmega, onde hoje se ergue a cidade e, construíram fortificações pela periferia, aproveitando alguns dos castros existentes.
Para defesa do aglomerado populacional foram erguidas muralhas e, para a travessia do rio, construíram a ponte de Trajano. Fomentaram o uso das águas quentes mínero-medicinais, implantando balneários Termais, exploraram minérios, com destaque para filões auríferos, e outros recursos naturais.
Tal era a importância desse núcleo urbano, que foi elevado à categoria de Município no ano 79 d.C. quando dominava Tito Flávio Vespasiano, o primeiro César da família Flávia. Daqui advém a antiga designação Aquæ Flaviæ da actual cidade de Chaves, bem como o seu gentílico — flaviense.

25.5.13

CASTELO DE MONTEREI (GALIZA)




 
Esta fortificação esteve em poder de algumas das mais poderosas linhagens da Galiza: os Ulloa, os Zúñiga, os Viedma, os Fonseca, os Acevedo e finalmente a Casa de Alba. No século XII, o primeiro rei de Portugal Afonso Henriques, edificou o castelo, porém este rapidamente passou para o reino de Leão e Castela com a assinatura do Tratado de Tui em 1137, renunciando Afonso Henriques a possessões e pretensões na Galiza.
Neste lugar foi impresso o primeiro incunábulo galego, com a primeira imprensa de tipos móveis: a 3 de Fevereiro de 1494 foi estampado o "Missale Auriense", o primeiro livro editado na Galiza.

23.5.13

VIDAGO PALACE - IV

A verdade é que não ficámos no Vidago Palace que é muito caro para tempos de crise. Fomos direitos a Chaves. São quase seiscentos quilómetros, a partir de Lisboa, o que em Portugal é muito. Chaves fica muito perto de Espanha. Uma zona que tanto podia ser nosso como deles. Ficámos no Forte de São Francisco. Uma fortaleza renovada para hotel, com qualidade e sossego. Depois foram três dias a conduzir de um lado para o outro, entre serras e penedios, apenas com intervalos para comer. Comer é apelido. Porque em Trás-os-Montes não se come, atesta-se. Ossos de Suã, mãozinha de vaca com grão, posta de vitela, feijoada à transmontana, cozido à portuguesa, muito cabrito, as omnipresentes alheiras, enchidos variados, um ligeiro folar de carne e bacalhau para disfarçar. A eterna discussão sobre os melhores vinhos e castas adequadas enriqueceu as refeições, enquanto as garrafas circulavam com velocidade alarmante na ânsia da degustação. Os portugueses coleccionam recordações culinárias. Todos temos a nossa lista pessoal de restaurantes preferidos e todos sabemos imenso de vinhos, nem que seja só para bebê-los. No fim, e para rebater, a milagrosa Água das Pedras, essa água mágica que tudo dissolve e nos restabelece para um jantar à base de tripas e mais algum grão, entremeado com feijão e muito presunto. Que seria de nós sem essa água redentora? Pergunto: como fazem no estrangeiro para ter uma boa digestão? Provavelmente não comem.

16.5.13

QUINTA DO CARMO - VIDIGUEIRA


O Convento de Nossa Senhora das Relíquias, na Vidigueira, é conhecido por Quinta do Carmo. O Convento foi extinto em 1834 quando da abolição das ordens religiosas. O edifício é imponente e ainda hoje se conserva, embora adaptado a casa de habitação. Uma mole escura que se destaca na paisagem e se sobrepõe às grandes árvores que o ladeiam. Os terrenos que lhe estão adstritos constituem, desde o século passado, a Quinta do Carmo, designação derivada do nome da ordem a que pertenciam os frades que aí tiveram residência, a Ordem Carmelita. Na igreja do convento estiveram depositados os restos mortais de Vasco da Gama cerca de três séculos e meio, antes de serem transladados para os Jerónimos.
A vila da Vidigueira está indelevelmente associada a Vasco da Gama, o navegador. O título de Conde da Vidigueira foi-lhe concedido em 1519 pelo rei D. Manuel I. Uma concessão que foi antecedida de um acordo entre Vasco da Gama e D. Jaime I, Duque de Bragança, em que este último vendia as vilas da Vidigueira e Vila de Frades a Vasco da Gama, seus herdeiros e sucessores, bem como todos os rendimentos e privilégios relacionados. Hoje Vasco da Gama tem uma estátua na Praça Central da vila. Os restos mortais devem continuar lá pelos Jerónimos. A Índia é dos indianos. O caminho marítimo é de todos. E Portugal anda nisto...

 

VILA DE FRADES


15.5.13

O PAÍS DAS UVAS - FIALHO DE ALMEIDA


"Enquanto o Meio-Dia e o Sul colhem e pisam a pés de homem os cachos rúbidos e opados, no lagar aonde o mosto ferve, como num mistério dionisíaco, ao Norte, pelas encostas do Douro, sobranceiras ao rio, já se não oferece como outrora o espetáculo da verdura hilariando em vários tons esmeraldinos, e os esquisitos recortes das parras, dando a ilusão de pequenas faianças de esmalte maravilhoso.
Toda essa cultura panorâmica da vinha, deitada aos ombros de montes risonhamente acidentados; toda essa cultura expirou, súbito ferida nas exuberâncias da seiva: e em cada inverno as tristes populaças pedem esmola, lastimando a saudade dos dias fartos!"
 
In "O País das Uvas", de Fialho de Almeida, escritor nascido em Vila de Frades (Alentejo), em 1854.

TALHAS


A uva esmagada vai para dentro destas talhas de barro que levam quase 300 litros cada e aqui ficam a fermentar. Depois tira-se o engaço, que vai para aguardente, e o vinho está pronto a servir. É vinho novo que nunca chega a velho porque a vontade de beber é maior do que a de guardar. Entre Novembro e Fevereiro ainda há. Depois só o engarrafado. É no "País das Uvas", em Vila de Frades (Alentejo, perto da Vidigueira), um restauarante tradicional imperdível.

14.5.13

FREE TO STAY - A NOVA BIOGRAFIA

Esta é uma parte da herdade Monte da Ribeira, no concelho de Cuba, Alentejo. Andei por lá dois dias a fazer entrevitas para a biografia que estou a fazer. Esta herdade foi ocupada pela Cooperativa "Otelo Saraiva de Carvalho", em Setembro de 1975, no contexto da Reforma Agrária. Ela é uma peça central da história que estou a escrever. A ocupação, a desocupação, o momento politíco, as peripécias judiciais, os sentimentos, os perigos... Tomar conhecimento com locais e pessoas que estiveram directamente implicados e ouvir as suas versões dos acontecimentos, é sair da abstracção e passar à realidade. Fiz sete entrevistas. Trabalho insano. Algumas ao ar livre. Outra numa tasca, bebericando copos de tinto. As mais extraordinárias foram com um "camarada" de uma dessas heróicas Cooperativas. Em pé num corredor cheio de passadeiras sobrepostas, sobrepujados por um tapete tipo peluche com a ascenção da Virgem embutida a cores, a televisão aos gritos lá no fundo da casa e ele de boca cheia, merendando um pão com chouriço. A boa vontade do homem era mínima. Outra foi com a mulher do pastor já falecido. Uma mulher expansiva que se foi arranjar para me receber. E recebeu-me na sala do cabeleiro que explora, bem no Largo Central do Alvito, no meio de secadores e escovas, com um cheiro a brushing de cabelo entranhado. Aprendi que a Reforma Agrária, decorridos estes anos todos, ainda está bem presente na população. Tão presente que falam a custo. Há muitos traumas e desilusões. Muita gente que ganhou e muita mais gente que perdeu. Quem perdeu tem raiva dos "chico-espertos". Os "chico-espertos" não querem falar disso. Agora é transformar as transcrições em história e a história em literatura.

12.5.13

UM LIVRO COLECTIVO

.UM NOVO CASO & MANJAR BRANCO - Contos policiais em três versões
Eduardo P. Lunardelli
Rui Silvares
Milton Ribeiro
Maria de Fátima Santos
Jorge Pinheiro
Piacaba Editora

11.5.13

ALVITO - EREMIDA DE SÃO SEBASTIÃO

Capela de tamanho médio, com características góticas e influência mudéjar. Destacam-se os contrafortes de secção circular, pináculos piramidais, remate de merlões chanfrados na capela-mor. Interiormente é abobadado em cruzaria de ogivas.

10.5.13

O PAVÃO DO ALVITO


Será que o pavão crocita? Ou será que pissita? Muge, brame ou grita? O pavão charla, cacareja ou pia? Talvez grunhe ou silve? Seja como fôr, o pavão do Alvito não deu descanso a noite toda. De manhã estava com um zonido quase bufado à beira do chiado.

9.5.13

CASTELO DO ALVITO (ALENTEJO)

 Em 1475, Afonso V de Portugal, outorgou o título de barão de Alvito a João Fernandes da Silveira, funcionário régio cujos descendentes viriam a ser titulados como marqueses. Poucos anos mais tarde, em 1482, João II de Portugal, concedeu ao barão e a sua esposa o direito de aí construírem um castelo, outorgando-lhes o senhorio da vila e dos povoados vizinhos.
De planta retangular, com quatro torreões cilíndricos ameados nos vértices, os seus lados definem um pátio interior onde se ergue, a noroeste, a Torre de Menagem, adossada ao pano da muralha. O alto dos muros é percorrido por um adarve constituído por parapeito alteado com merlões onde se rasgam as seteiras. As características manuelinas e islâmicas são identificadas por algumas janelas em arco de ferradura, maineladas, inscritas em arco conupial, com aduelas em tijolo, e pela decoração naturalista dos capitéis.

No contexto das Guerras Liberais, este castelo foi atacado e danificado em 1834, tendo lugar, posteriormente novas obras de recuperação. No século XX, o castelo foi classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de Junho de 1910. Após a implantação da República, o ex-soberano D. Manuel II, integrou o castelo ao património da Casa de Bragança (1915), no qual está compreendido até hoje.

No contexto da Revolução dos Cravos (25 de Abril), as dependências do castelo foram ocupadas pela Comissão de Moradores de Alvito que promoveram obras de adaptação no primeiro e no segundo pavimentos. Pretendiam instalar ali uma escola. A ideia não teve aceitação, vindo a alojar-se, nos compartimentos térreos, uma cooperativa de consumo. A partir de 1993, integrou a rede das Pousadas de Portugal sob o nome Pousada do Castelo de Alvito, hoje explorada pelo grupo Pestana.