31.1.14
30.1.14
29.1.14
28.1.14
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXXVI
(Continua)
27.1.14
ARCO DA RUA AUGUSTA
Por apenas dois euros e meio pode agora subir-se ao terraço do Arco da Rua Augusta. Todas as fotos nos posts anteriores foram tiradas de lá. Deslumbrante.
TERREIRO DO PAÇO
Apenas por curiosidade, o meu pai trabalhou de 1961 a 1968 no torreão que se vê ao fundo (o torreão ocidental), mais precisamente na sala com varanda no primeiro andar. Era então onde funcionava o Ministério do Exército.
26.1.14
25.1.14
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXXV
Moema não conseguira acompanhar Valdemar. Vira-o chegar ao lobby do
hotel, eram umas sete da tarde. Vira-o ser abordado por dois chinas. Ainda
tentou apanhar um táxi para o seguir, mas perdeu-lhe o rasto. Estranhou, por
isso, quando ele voltou, duas horas depois, acompanhado de duas prostitutas em
direcção ao bar. Viu-o mandar uma mensagem por telemóvel e pensou que aquela
mensagem poderia ser a chave de tudo. As comunicações de Valdemar estavam
sujeitas a intercepção, desde que Moema iniciara a vigilância lá em Imbituba.
Por volta da meia-noite, enquanto Valdemar comemorava no quarto acompanhado das
duas beldades chinesas, Moema recebia no seu portátil um e-mail do NTCT com a
indicação da comunicação, do número e do local destino. Apressou-se a reenviar
o e-mail para “o Gordo”, com uma nota de humor: “Joguei na sorte e a sorte
jogou em mim”. Eram quinze horas em Lagos. “O Gordo” acabava de se
alambazar com dúzia e meia de sardinhas assadas, bem regadas com uma garrafa de
tinto alentejano, no restaurante “Barrigana”. Nem queria acreditar quando o
iPhone apitou uma mensagem urgente. O cerco apertava-se. Bruxelas parecia ser
onde todos os caminhos iam dar.
(Continua)
23.1.14
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXXIV
Moema não conseguira acompanhar Valdemar. Vira-o chegar ao lobby do
hotel, eram umas sete da tarde. Vira-o ser abordado por dois chinas. Ainda
tentou apanhar um táxi para o seguir, mas perdeu-lhe o rasto. Estranhou, por
isso, quando ele voltou, duas horas depois, acompanhado de duas prostitutas em
direcção ao bar. Viu-o mandar uma mensagem por telemóvel e pensou que aquela
mensagem poderia ser a chave de tudo. As comunicações de Valdemar estavam
sujeitas a intercepção, desde que Moema iniciara a vigilância lá em Imbituba.
Por volta da meia-noite, enquanto Valdemar comemorava no quarto acompanhado das
duas beldades chinesas, Moema recebia no seu portátil um e-mail do NTCT com a
indicação da comunicação, do número e do local destino. Apressou-se a reenviar
o e-mail para “o Gordo”, com uma nota de humor: “Joguei na sorte e a sorte
jogou em mim”. Eram quinze horas em Lagos. “O Gordo” acabava de se
alambazar com dúzia e meia de sardinhas assadas, bem regadas com uma garrafa de
tinto alentejano, no restaurante “Barrigana”. Nem queria acreditar quando o
iPhone apitou uma mensagem urgente. O cerco apertava-se. Bruxelas parecia ser
onde todos os caminhos iam dar.
Fotografia de Roberto Barbosa
(Continua)
22.1.14
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXXIII
Quinze minutos depois estavam no iate “Pérola do Oriente”, ancorado ao
largo, a meio caminho entre Macau e Hong Kong. Tsé-Lao era um homem elegante.
Gostava do modo de vida ocidental, mas preservava muito as hierarquias e
tradições chinesas. Era um homem poderoso e cheio de si. Por ele passava todo o
comércio ilegal de armas convencionais, explosivos e de armas bio-químicas
provenientes das fábricas e laboratórios da República Popular da China. Cumprimentou
Valdemar com um inclinar de cabeça e foi direito ao assunto, em tom desafiador:
“Sempre negociámos com um homem chamado Octávio. Agora dizes que és tu o
chefe. Que razão temos para acreditar em ti? E não nos achavas suficientemente
dignos de falar directamente com o chefe?”. Valdemar limitou-se a dizer: “Fui
eu que mandei executar Octávio. Se ele estivesse vivo, provavelmente a vossa
organização estava em perigo. Ele estava em risco eminente de ser descoberto.
Posso fazer de imediato a transferência bancária dos dois milhões de dólares
para fechar o negócio, desde que me garantam a chegada da encomenda a Marselha
nos próximos oito dias”. O dinheiro era sempre um bom argumento. Tsé-Lao
mandou vir chá. O acordo ficou estabelecido. Valdemar fez a transferência
através do iPad. O explosivo seguiria para Marselha no dia seguinte. Quando
regressou ao Hotel Lisboa, Valdemar mandou uma mensagem para um número de
Bruxelas. A mensagem era clara: “A festa pode continuar. Os foguetes vão a
caminho”.
Fotografia de Roberto Barbosa.
Fotografia de Roberto Barbosa.
(Continua)
21.1.14
19.1.14
16.1.14
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXXII
Em Macau, Valdemar instalara-se
no Gran-Hotel Lisboa. Os casinos e o jogo dominavam a economia de Macau.
Casinos que não fecham nunca. Um jogo que atrai mais de dois milhões de
turistas por mês. Um bulício permanente. Cá fora, prostitutas aguardam clientes
para comemorar a vitória ou para fazer esquecer a derrota. Ao fim da tarde
Valdemar desceu do quarto e dirigiu-se ao iluminado lobby do hotel, esperando um contacto, conforme fora combinado.
Sentiu uma mão nas costas e dois homens com cara de kung-fu disseram-lhe para
os seguir. Cá fora, um carro levou-os a alta velocidade até ao Porto Interior.
Uma lancha rápida aguardava. Quinze minutos depois estavam no iate “Pérola do Oriente”, ancorado ao
largo, a meio caminho entre Macau e Hong Kong.
Fotografia de Roberto Barbosa
(Continua)
14.1.14
QUE FAZER DO PASSADO?
Projectos é o que nos resta da vida. Os que fizemos, os que não fizemos e os que haveremos de fazer. Toda a nossa vida é um projecto em constante mutação. O que antes era uma evidência, hoje é uma história, amanhã poderá ser um livro. As nossas vidas passaram depressa. Resta hoje prolongá-las no saudosismo produtivo de uma acção concreta. A certeza de aproveitar o que fomos no resto que seremos. Hoje estou cheio de ideias. Vou começar a chatear os amigos...
13.1.14
COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST
Eduardo P.L. said...
Bem apanhado. A sardinha em Portugal substitui a Soup do Warol....
12.1.14
11.1.14
CIDADE TRANSPARENTE - EDUARDO LUNARDELLI
O novo livro de Eduardo Lunardelli chegou ontem depois atravessar o Atlântico. "Cidade Transparente" é um livro de memórias soltas. Coisas que nos ficam na memória e passam ao papel consolidadas na perspectiva dos anos vividos. Não sabia que, sem querer, tinha inspirado o livro quando escrevi ao Eduardo sugerindo que antes da autobiografia escrevesse "episódios soltos". Fiz bem. O livro lê-se de um fôlego e ficamos a querer mais. É impressionante as coisas que gravamos na nossa base de dados pessoal. Coisas que, depois, saltam para o papel com a naturalidade de quem vê no passado um fonte literária. Imperdível.
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXXI
Idalécia esteve quatro dias em coma. Tinha múltiplas fracturas.
Braços, pernas e costelas. Mas, mais preocupante, era um profundo traumatismo
craniano na têmpora esquerda. O inspector Ribeiro sabia, agora, que tinha
razão. Inácia, a colega de Idalécia no supermercado, identificara o corpo de
Melzek como o do namorado alemão de Idalécia. O empregado do café “O Náufrago”,
embora não o pudesse garantir a 100%, foi bastante positivo na identificação do
cadáver como do homem que vira no pontão do Cais da Solaria, logo a seguir ao
atentado. E depois, pensou “o Gordo”, para que haviam de o liquidar? Aquilo não
fora um assalto, mas uma execução profissional. Estranho era Melzek ainda estar
em Lagos. Porque razão teria ele ficado depois do atentado? Estranho era
Idalécia não ter sido também executada, mas apenas empurrada. Aquilo não fazia
qualquer sentido. As averiguações identificaram o apartamento de Melzek no
Edifício Baluarte. Nada foi encontrado de relevante. Claro que a identidade era
falsa. Melzek não era Melzek e muito menos Joseph Strauss, nome com que
arrendara o apartamento. O passaporte era, obviamente, falso. Tudo era falso.
No entanto, a fotografia de Melzek foi reconhecida por várias bases de dados
criminais. Era um homem procurado internacionalmente. Um assassino a soldo, com
ligações a partidos ou grupos neo-nazis. Essas ligações começaram a ser
exploradas, nomeadamente a “Irmandade Branca”, uma organização particularmente
violenta e perigosa, com secções espalhadas por vários países ocidentais. “O Gordo”
estava, agora, seguro que a investigação ia no bom caminho. Ansiava por
interrogar Idalécia, esperando que ela não tivesse perdido a memória.
CAMPO DE OURIQUE
Encontra-se no coração da cidade, entre as Amoreiras, a Estrela e os Prazeres. Trata-se de um bairro residencial, mas com uma vocação para o comércio muito forte e antiga. Campo de Ourique é um bairro com vida própria, parece uma pequena cidade dentro da Grande Lisboa. É apontado frequentemente como o bairro mais pacífico da cidade de Lisboa e aquele que reúne as melhores condições de vida, diferenciando-se de outras zonas urbanas que dependem excessivamente de Centros Comerciais. Os dias úteis e o fim de semana parecem não se distinguir entre si, pois o movimento pacato e paradoxalmente dinâmico das gentes atravessa o bairro todos os dias da semana com o mesmo ritmo. Aqui residiu Fernando Pessoa, hoje Casa Fernando Pessoa, na Rua Coelho da Rocha.
10.1.14
9.1.14
7.1.14
6.1.14
EU CONHECI UM MITO
Os gregos criaram os Mitos. Gente que cometera proezas heróicas para além no normal. Gente que vivia as próprias lendas e fazia a História curvar-se à sua passagem. Gente que entrava em guerras contra Troia. Cavalos de madeira imaginários que ganharam cidades impenetráveis. As viagens de Ulisses. Os mitos de Sisifo. As lendas de Safo. São histórias que cruzaram o tempo, aumentaram em dimensão e ganharam em detalhes. Hoje são filmes, peças de teatro, livros, jogos electrónico, histórias para contar aos netos. Gente imortalizada que vive connosco para sempre. São mitos, mas não sabemos se existiram.
Eu conheci um mito. Eusébio da Silva Ferreira morreu ontem de madrugada aos 71 anos. Era apenas futebol. Não precisou sequer de matar, estripar, decapitar, para ser um mito. Bastava chutar uma bola de futebol. Alguém sabe se existiu o Homem da Maratona? Terá havido um Ulisses? E havia mesmo cavalo de madeira? Nunca saberemos. Mas Eusébio existiu mesmo. Eu vi-o jogar na televisão e no Estádio da Luz. Já então tínhamos a noção que estávamos a ver algo que nos transcendia A reviravolta contra a Coreia do Norte. A vitória contra o Brasil. As lágrimas na derrota com a Inglaterra. A vitória na Taça dos Campeões Europeus contra o Real Madrid. O livre impossível a mais de 40 metros que quase furou as redes da Juventus. Os remates alucinantes de força e espontaneidade. A agilidade felina. Aquela inclinação para a frente quando rematava a bola. O arranque desconcertante. A força avassaladora da paixão... Eu conheci um mito. Não sei se Ulisses existia. Mas sei que Eusébio sim. Morreu ontem. O mito acaba de começar.
4.1.14
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXX
Valdemar embarcou no aeroporto de Guarulhos, São Paulo. Viajava num
avião da Air China, com escala em Frankfurt e Pequim. Chegaria a Macau quarenta
e seis horas depois. Saiu a uma 3ª feira, chegaria na 5ª feira. Embarcou
sozinho e apenas com uma pequena mala de mão. Combinara um encontro com Tsé-Lao,
o homem que lhe fornecia os explosivos. Era importante esclarecer os equívocos
que se geraram após a execução de Octávio. Era fundamental reganhar-lhe a
confiança e reatar o contrato. Valdemar sentou-se num discreto lugar em classe
económica. Não reparou que, quatro filas atrás, uma mulher de porte atlético e
olhar penetrante não o perdia de vista. Moema decidira seguir Valdemar. Algo
lhe dizia que aquele homem estava envolvido em negócios ilegais, muito ilegais.
Seguiu o seu instinto.
(Continua)
(Continua)
3.1.14
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXIX
Passearam de mãos dadas com o luar a
bater-lhes no rosto. Chegaram a um promontório isolado. Melzek beijou Idalécia
com intensidade. Beijou-a repetida e apaixonadamente. Idalécia deixou-se
arrastar até à beira do precipício. Num movimento súbito, Melzek empurrou-a.
Idalécia caiu. Ele viu-a cair em câmara lenta. Matava ali a sua esperança. A
esperança numa vida diferente. Percebeu que não era um homem normal. Nunca
poderia ser um homem normal. O passado perseguia-o. O futuro não existia. Viu-a
cair sabendo que nunca mais teria paz. Matava-se a si próprio. Um ruído surdo e
o corpo imóvel jazia no fundo da ravina. Melzek virou-se desesperado e recebeu
duas balas no peito. Recuou surpreendido. Um homem vestido de preto,
encostou-lhe o cano da pistola com silenciador à cabeça e disparou sem piedade.
O corpo de Melzek caiu do penhasco e ficou ao lado de Idalécia. Idalécia ainda
gemia quando viu o corpo do alemão estraçalhar-se ao seu lado. A “Irmandade
Branca” não perdoava.
(Continua)
2.1.14
OPERAÇÃO CAÇÃO - XXVIII
Idalécia encontrou-se com Melzek
no “Café do Mar”, em cima das arribas, a caminho da Praia do Pinhão. Tinham
combinado beber um copo depois do jantar. Estava Lua cheia. Um luar
romântico que se espelhava nas águas mansas da baía de Lagos. Idalécia, porém,
não conseguia tirar da cabeça as dúvidas quanto a Melzek. Seria ele o bombista?
A certa altura não resistiu e disse-lhe: “Sabes, parece que encontraram o
cartão de telemóvel do bombista”. Melzek deu um salto. E disse-lhe, com
calma aparente: “Ah sim? Uhm... e como sabes isso?”. “Foi o meu irmão que
encontrou dentro de um peixe”, informou Idalécia. Melzek estava confuso.
Peixe, cartão, irmão!... “Mas como sabem que é do bombista?”, indagou
Melzek. “Foi o inspector que disse”, retorquiu Idalécia. Melzek deu três
saltos e ficou calado. “Sabes, dizem que era um alemão”, continuou
Idalécia em tom provocatório. Melzek teve um estremeção e percebeu que tinha de
actuar imediatamente. Pagou a conta, com ar indiferente, e convidou Idalécia
para uma volta pelas arribas.
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