Oeiras é um caso único. Mais uma originalidade portuguesa. O candidato que ganhou as autárquicas, Paulo Vistas (e ganhou com grande vantagem), era o número dois de Isaltino Morais, actualmente preso por fraude fiscal e branqueamento de capitais. A lista agora vencedora chamava-se "Isaltino Oeiras Mais à Frente". Um movimento independente dos partidos. Paulo Vistas não só não enjeitou a herança, como dedicou a vitória ao ex-presidente preso. O seu primeiro acto após a vitória de ontem foi visitar Isaltino na prisão. Oeiras é o concelho com mais licenciados e doutorados do país e o primeiro ou segundo em quase todos os indicadores de qualidade de vida. Gente, teoricamente, esclarecida. Muitos oeirenses sentem-se envergonhados. Mas a verdade é que muitos licenciados votaram em Paulo Vistas/Isaltino Morais. Por isso ele ganhou e esmagou. Porquê? A melhor explicação ganha uma visita guiada à prisão da Carregueira, onde estão os presos mais famosos de Portugal.
30.9.13
NENHURES - VOTAÇÃO FINAL
Adormeci. Ainda estavam a contar os votos. Acordei cheio de nevoeiro. Afinal tinha ganho. Agora é que vão começar os problemas.
29.9.13
COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST
Silvares said...
Devíamos usar outra palavra para a caixa onde deitamos os votos. "Urna"... o voto entra vivo e sai morto.
28.9.13
EU SOU UM INTERESSE INSTALADO
De quatro em quatro anos fica tudo muito nervoso com as eleições. Muita gente não sabe onde votar. Não se revê em coisa alguma. Acha que votar em branco é a solução. Não é um voto contra o governo. É um voto contra o sistema, dizem. À falta de alternativas, manifestam-se contra tudo. A maioria são jovens. Não se revêem eu nada disto. Querem um mundo diferente. Não sabem o que fazer. Mas a questão é o que fazem no intervalo das eleições. Tentam alternativas? Criar novos partidos? Conquistar os actuais partidos? Provocar uma renovação? Novos movimentos de cidadania? O voto esgota-se num acto. O poder eleito fica automaticamente legitimado depois da eleição, com mais ou menos votos em branco. Tanto faz. O voto em branco é uma curiosidade política de interesse sociologicamente nulo. Quem vota em branco tem consciência. Não se abstém. Por isso fica o desafio para que façam mais. Comecem já. Não esperem pela altura das eleições. Ah, e não contem com os mais velhos. Eu sou um interesse instalado. E como todos os pensionistas, aposentados e reformados, não passo de uma despesa.
DIA DE SOL E CHUVA
Esta é a vista do restaurante onde foi o jantar de blogueiros quando o Eduardo cá esteve. Paço d'Arcos é como se chama a vila. O Paço dos Arcos é o palácio amarelo. O restaurante é o "Areias do Tejo". O rio é o Tejo, no seu estuário monumental. Um dia de sol e chuva. Açorda de gambas com linguados fritos.
DIA DE REFLEXÃO
As eleições são amanhã. Hoje é dia de reflexão. As campanhas acabaram à meia-noite. Nem no Facebook se pode falar!!! Só Deus, na sua infinita apartidarização, nos pode escutar. É um dia zen. Zen, mas inconstitucional. Um dia em que nos é coartada a liberdade de expressão, como nos mais negros tempos da PIDE. Como se alguém no seu perfeito juízo fosse agora pegar na papelada que recebeu nas últimas semanas e estudar atentamente as propostas dos partidos até à exaustão. Sentados sozinhos na quietude do lar, faríamos tabelas de prós e contras, encontraríamos contradições, julgaríamos a bondade de cada candidato e, em consciência, tomaríamos opções radiosas e esclarecidas. A única vantagem do "dia de reflexão" é que o barulho promocional acabou. Pena não terem tirado as carantonhas dos candidatos das rotundas. Vamos ter de os aturar na sua boçalidade mais umas semanas de inércia publicitária. Boa reflexão.
27.9.13
NENHURES - COMÍCIO DE ENCERRAMENTO
Andei na dúvida a semana toda. Faço? Não faço? Mas como hoje vai estar a chover à brava, decidi que sim. Ao longo da campanha fui perdendo patrocinadores. Uns porque chegaram a acreditar em mim, razão mais que suficiente para desconfiar deles. Outros porque conseguiram tachos mais relevantes junto da concorrência e mandaram-me à merda. Por isso, espero que vá po...uca gente ao jantar-comício, que estas coisas saem caríssimas. Ah, e pelo sim pelo não, não digo onde é. Deixo a tentadora ementa: larvas salteadas no mel e vinagre balsâmico; canapés de formiga de asa triturada em mel de alecrim; gafanhotos ao alhinho; arroz de algas; bolo de grilos ao laranja.
Uma boa digestão para todos... e votem bem.
Uma boa digestão para todos... e votem bem.
26.9.13
NENHURES - OS ÚLTIMOS CARTUCHOS
As caravanas
passam a apitar apregoando a frescura dos candidatos. Todos prometem. Poucos
alcançam. Uns não sabem ao que vão. Outros sabem bem demais. Contrariamente a
outros candidatos, eu não organizei qualquer arruada, nem participei em
qualquer enxameamento. Não sujei a rua com propaganda fácil. Não colei cartazes
ridículos nas rotundas de escoamento. Limitei-me a dizer aquilo que não penso,
que é exactamente o que todos os outros fazem. Espero que no Domingo haja muitos
indecisos nulos e alguns brancos abstidos. Eu não tenho dúvidas que não vou ganhar.
Mas desconfio que para ganhar basta perder.
25.9.13
COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST
Eduardo P.L. said...
As sondagens são como exames pré natal. Hoje em dia não erram mais o sexo da criança...
24.9.13
NENHURES - AS SONDAGENS
Com o aproximar do dia
eleitoral, anda tudo muito nervoso. As sondagens dão valores para todos os
gostos. Nunca percebi para que servem as sondagens. Uma espécie de antecipação
da vitória? Uma tentativa de influenciar o eleitorado? É como se antes dos
jogos de futebol já se soubesse o resultado. Ninguém ia ver. A surpresa é o
ideal. Eu não encomendei sondagens. Estou certo de que não irei ganhar. Mas se
houver um ou dois votos em mim, ficarei radiosamente alvoroçado.
23.9.13
22.9.13
COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST
Jorge acho que estás preparadíssimo para seres o protagonista do próximo filme de Woody Allen. :)
21.9.13
FUI AO CINEMA
O filme é o Blue Jasmine, do Woody Allen. O enredo típico de Woody, com dramas sentimentais, mulheres à beira da depressão e namoros cruzados. Uma excelente interpretação de Kate Blanchet. O filme passa-se em S. Francisco, Califórnia. Os habituais clichés de imagem estão lá, nos postais ilustrados da ponte, da baía e de meia dúzia de locais emblemáticos. Mas nada disto importa, nem era sobre isso que vos queria falar. A verdade é que estou a ficar velhote. Ontem tive a certeza. Fui com uns amigos e parece que passei o filme todo a falar alto. Eles já estavam um bocado envergonhados. Estava constantemente a ver parecenças da Kate com uma prima da Fernanda ou a achar que S. Francisco só tem neblina, a perguntar onde era aquela cena ou a queixar-me das costas. Ainda por cima, o raio do filme tem uma música muito suave, a puxar ao jazzie, e ninguém estava a comer pipocas na sala (?), o que exponenciou as minhas sussurradas palavras num som de megafone que toda a sala deve ter ouvido. Fiquei perturbado porque não tinha a consciência de que tinha falado muito. Enfim, a idade não perdoa. Não tarda ando por aí a falar sozinho.
20.9.13
NENHURES - OS EMPRESÁRIOS
Fala-se muito em iniciativa privada. Pois é, experimentem criar uma empresa. Burocracia que ferve. Muitos papéis e licenças. Meses à espera de secretária em secretária. Quando finalmente se consegue, chegam os descontos obrigatórios para a segurança social, para o Fundo de Desemprego. O pagamento do IVA. O pagamento antecipado por conta. Se houver lucros apanha-se com o IRC em força, mais a taxa liberatória. Um bom empresário tem duas hipóteses: comprar Mercedes ou Ferraris; ou colocar o dinheiro a bom recato num qualquer “off-shore”.
Em Nenhures não queremos que
os empresários sofram e só há uma solução para atacar o mal pela raiz: acabar
com as empresas. Em Nenhures não somos hipócritas. Não apelamos à iniciativa
privada. Temos pena dos empresários. Sabemos os sacrifícios que isso comporta.
Em Nenhures queremos gente feliz. Sem preocupações com impostos. Queremos
garantir que connosco não há empresários. Todos serão funcionários. A
funcionalização e o “tacho” são essenciais. Em Nenhures a felicidade será uma
realidade.
19.9.13
NENHURES - OS TACHOS
Verifiquei
uma enorme apetência dos meus eleitores para estar próximo do poder. Assim,
dentro da nossa política de total transparência vamos atribuir não Assessorias,
mas Sinecuras. Cargos públicos sem qualquer responsabilidade e sem qualquer
trabalho. Enfim, “tachos”. É preciso acomodar esposas, amantes, primos, tios,
enteados, amigos de café… É imperativo que ninguém ande por aí sem um cargo,
sem carro, sem motorista. Não quero que se sintam diminuídos e ainda pensem em
ir para a oposição. Ponho assim à vossa disposição um enorme catálogo de
Sinecuras. Escolham, candidatem-se e sintam-se livres para poder propor outras:
-Guardião da Imagem Extrema
-Guardião da Metáfora Permanente
-Guardião da Alegoria Final
-Guardião da Elipse Total
-Sinecura da Felicidade Eterna
-Sinecura da Bondade Permanente
-Sinecura do Absoluto Disparate
-Sinecura do Riso Contagiante
-Sinecura da Enormidade Absoluta
Apropriem-se da coisa pública. Não tenham pejo. Ela está cá para isso mesmo. O que seria da "coisa" se ninguém lhe pegasse? Quanto aos vencimentos, falamos depois. Ainda tenho de conversar com a minha contabilista.
-Guardião da Metáfora Permanente
-Guardião da Alegoria Final
-Guardião da Elipse Total
-Sinecura da Felicidade Eterna
-Sinecura da Bondade Permanente
-Sinecura do Absoluto Disparate
-Sinecura do Riso Contagiante
-Sinecura da Enormidade Absoluta
Apropriem-se da coisa pública. Não tenham pejo. Ela está cá para isso mesmo. O que seria da "coisa" se ninguém lhe pegasse? Quanto aos vencimentos, falamos depois. Ainda tenho de conversar com a minha contabilista.
18.9.13
NENHURES - A REFORMA DA CÂMARA
Tenho um problema. Preciso do
vosso conselho. Imaginem que, se for eleito, como espero, vou-me deparar com
uma situação insustentável. Na Câmara Municipal de Nenhures há 76 motoristas
para conduzir directores. Por outro lado, há apenas 35 veículos automóveis. 76
pessoas, para 35 máquinas! Fico num dilema: ou despeço motoristas ou compro
carros. Se despeço motoristas, vou ter logo um sarilho e ser acusado de
contribuir para o desemprego. Se compro carros, serei um despesista. É claro
que dispensar directores ou acabar-lhes com as regalias está completamente fora
de questão. Se o fizesse não seria eleito, pura e simplesmente. Por outro lado,
se comprar os carros terei de aumentar as derramas e outros impostos para ter
dinheiro para comprar os ditos carros. Finalmente, se comprar mais automóveis
contribuo para o desenvolvimento da indústria mundial, em geral, e das empresas
revendedoras nacionais, em particular. Ou seja: de um lado não despeço ninguém,
satisfaço clientelas e ainda dou dinheiro aos capitalistas. Do outro, limito-me
a aumentar uns impostozitos. Que hei-de fazer?
OBRIGADO A TODOS
Naquele tempo ainda não sabia que ia ter barba, nem que ia ficar careca. Eram tempos de total inconsciência. Hoje continuo inconsciente e cada vez me apetece mais ser assim. Só me preocupo de vez em quando para mostrar que existo e assim poder receber parabéns dos amigos. E foram muitos amigos que me felicitaram. Hoje os parabéns chegam de telefone fixo, entram pelo telemóvel, são SMS celulares, mensagens no Facebook, e-mails mais íntimos, textos no blogue e, finalmente, ao vivo e a cores. Um dia estimulante que exige a nossa permanente boa disposição. Hesito entre querer fazer anos todos os dias ou nunca os fazer. Obrigado a todos.
17.9.13
16.9.13
NENHURES - ENTREVISTA COM O CANDIDATO
Eram 11 horas da manhã. Fomos
encontrá-lo ainda de pijama, espojado no sofá branco, na penumbra da sala.
Televisão ligada sem som, sintonizada nas televendas. Depois de um café duplo e
duas aspirinas, conseguimos arrancar, a custo, alguns tímidos mugidos do
Candidato.
Expresso: “Porque decidiu candidatar-se?”Candidato: “Porque Nenhures precisa de mim”.
Expresso: “Quer explicitar melhor a ideia?”
Candidato: “Repare, se eu explicitar arrisco-me a perder votos. Agradeço que não me faça perguntas difíceis”.
Expresso: “Então, mas afinal que ideias tem para Nenhures?”
Candidato: “Mais uma vez peço que não me faça perguntas difíceis. Se eu explicitar ideias os outros podem copiar. Pior, até pode ser que o eleitorado não goste. O melhor é estar calado”
Exausto, o Candidato adormeceu de borco. A televisão está agora a
passar uma grande produção infantil, em que a Branca de Neve vai despachando
anões numa sucessão vertiginosa, em posições cada vez mais estranhas. As
imagens sugerem operações às vísceras, filmadas muito de perto e com grande
intensidade luminosa.
O Candidato acorda de súbito e, estremunhado, murmura: “Está ver o que Nenhures precisa? Precisa de um bom realizador. O enredo não interessa para nada”.
O Candidato acorda de súbito e, estremunhado, murmura: “Está ver o que Nenhures precisa? Precisa de um bom realizador. O enredo não interessa para nada”.
15.9.13
VOLTEI
Em Lagos estava-se muito bem. A temperatura era de 28º máxima, 20º mínima, água a 25 graus, pouca humidade e sem vento. Tanto fazia estar cá fora como dentro de água. Há muito tempo não tinha dias de praia assim. E dias destes só acontecem no Algarve. De todas as paragens que conheço, e já são algumas, continuo a achar o Algarve o melhor destino de praia. Tudo o que é tropical ou tem água quente demais ou cá fora o calor é insuportável. Mesmo o Mediterrâneo é, normalmente, demasiado húmido e tórrido. Estive no local certo no momento certo. Fica uma foto nocturna de Lagos, mas que também podia ser diurna. Tanto faz.
9.9.13
VOU ALI E JÁ VENHO
Vou a banhos reflectir sobre toda esta cansativa problemática das autárquicas. Espero que fiquem a pensar nas minhas fantásticas propostas, com a certeza que todos (mas mesmo todos) terão um "tacho" em Nenhures.
NENHURES - A ÉTICA
Segundo um conhecido
eurodeputado parece que não há só uma ética. Há, pelo menos, três. Uma
"ética-ética"; uma "ética-jurídica"; e uma
"ética-politica". E elas não se misturam. Antes têm o seu tempo e
modo específicos de intervir.
A
"ética-ética" será uma ciência filosófica que se estuda em circuito
fechado, sem qualquer interesse prático. Algo que se discute entre velhos
gregos e alguns troianos infiltrados, no circuito bafiento do academismo. Serve
para obter diplomas e deixar crescer a barba.
Já a
"ética-jurídica" não é uma ciência. É um processo e, normalmente,
demorado. Um processo cheio de armadilhas, requerimentos, providências
cautelares e até alguma repristinação. Um processo de desfecho totalmente
incerto. Tudo se passa no silêncio obscuro dos gabinetes judiciais, numa
cadência ritual que nada tem a ver com a vida real. É, assim, uma coisa
autónoma. A vida e a política, em especial, não podem esperar, nem estar
dependentes desta "ética-jurídica". Aliás, não ter
"ética-jurídica" não significa que não se tenha
"ética-ética" ou "ética-política". Significa, apenas, que o
processo judicial não correu bem, sabe-se lá porquê. Ele há tantas minudências
judiciais…!
Finalmente
temos a "ética-política". O princípio é este: só se é responsabilizado
politicamente pelo voto. Portanto, mesmo que eu seja um professor de ética e um
cidadão exemplar sem qualquer processo judicial, politicamente isso não
interessa nada. Posso perfeita e legitimamente perder as eleições para um
bandido profissional, desde que esse bandido seja político e o povo lhe dê mais
votos. O povo é que define a ética de um candidato. E, repare-se no detalhe, o
conceito só é definido a posteriori.
Só depois das eleições sabemos se fulano é ético ou não, em função da votação.
Algo que é, portanto, exógeno ao candidato. É o povo quem mais ordena e define
a ética-política.
A verdade é
que a abundância de arguidos e a demora dos tribunais em os julgar, não se
compadece com a plena vivência política e o dinamismo democrático. Podemos
agora estar seguros de que há sempre uma ética. Assim, os tribunais que sempre
foram independentes, inamovíveis, inenarráveis, inantigíveis, inalienáveis e
inconcebíveis, veem agora reforçados as suas incapacidades éticas, deixando de
estar pressionados pelo "timing" da decisão e pela ética específica
da coisa. Podem decidir como quiserem e quando quiserem. Eticamente é
politicamente irrelevante!
NENHURES - A LISTA
Uma boa lista é constituída
por pessoas absolutamente irrelevantes que nos ficarão caninamente agradecidas
para toda a vida. Um ou dois arguidos em processos judiciais que nunca se atreverão
a levantar cabelo; um homem ligado à igreja (um ex-seminarista ou, pelo menos,
um “bom-cristão”); uma quota razoável de pretos e mulheres e um ou outro gay, por forma
a dar uma ideia de modernidade democrática vagamente assexuada. Finalmente uma
regra de ouro: nunca, mas nunca, convidar as nossas amantes. Uma lista assim
concebida garante um despotismo nada esclarecido, mas totalmente inócuo e que
deve assegurar a reeleição a próximo mandato… única coisa que deve interessar a
um bom político.
8.9.13
NENHURES - NÃO PROMETO NADA
O verdadeiro
candidato é o que nada promete. “Logo se vê” é a verdadeira essência do
mandato. Prometer é fácil. Difícil é não prometer. Eu não prometo nada.
7.9.13
NENHURES - QUEM ROUBA FAZ?
Ultimamente vai sendo frequente ouvirem-se críticas a cidadãos que se candidatam a eleições sendo arguidos em processos judiciais por actos praticados no exercício de cargos públicos. Deixemo-nos de hipocrisias. Aquela história de “ele rouba, mas ao menos faz” que no passado garantiu, muito justamente aliás, a eleição de muitos autarcas, já não é suficiente.
De facto, aumentaram
exponencialmente os casos de processos-crime contra membros dos executivos
camarários. Ora quem nos garante que todos roubam de facto? Deixámos quase de
os conhecer. Sabemos lá quem são. São tantos os arguidos. E se não temos a
certeza de que roubam, pode ser que afinal não façam nada. Isto é: pode ser que
só roubem e não façam; que não roubem nem façam; e até pode ser que façam sem
roubar. Sei lá. A dúvida instalou-se definitivamente.
A singela condição de arguido,
não basta. Só com julgamento e condenação certificada deixa de haver dúvidas.
Passa a haver uma total transparência, provada e comprovada pelos tribunais.
Não percebemos o pudor de certos candidatos em não assumir essa mais-valia: “Eu roubo, mas faço”. Uma máxima que
devia ser o “guide-line” de uma campanha séria.
Tomara eu poder dizer o
mesmo. Há, porém, em mim uma certa vergonha, uma imbecil tibieza, uma pueril
inibição que nunca me deixará assumir esse patamar de tão alta gestão. Às vezes
penso se não serei um mau candidato.
6.9.13
CANDIDATO A NENHURES
Anuncio em primeira mão que
vou ser candidato ao município de Nenhures. Nenhures é uma povoação simpática
que fica na fronteira de coisa nenhuma, entre quase nada e muito pouco. A vila
é habitada pela tribo dos Ninguém. Os Ninguém adoram fazer nada, dizer mal
de tudo e querem continuar assim para todo o sempre.
Comecei por lhes dizer que a
data das eleições não me dava de todo jeito porque já tinha quiroprático
marcado para esse dia. Insistiram. Invoquei, então, o meu baixo nível cultural
e até alguma iliteracia. A falta de experiência em “gamar” a coisa pública. A
ausência de vontade em aceitar subornos. A dificuldade no tráfico de
influências. Cheguei mesmo a refugiar-me nas três multas de estacionamento e
num excesso de velocidade que, embora já prescritas, podiam eticamente
comprometer. Nada. Lembrei-me que em puto tinha fumado uns charros. Acharam que
só dava experiência para lidar com a juventude. Onde eu via defeitos eles viam
qualidades. Fizeram um abaixo-assinado. Consideraram que ser magro, quase careca
e usar óculos eram requisitos bastantes para a minha candidatura. Acabei por
aceitar à falta de argumentos decisivos.
Anuncio, pois, formalmente a
minha candidatura a Nenhures. Vai ser uma campanha totalmente
electrónica. Não tenho pachorra para comícios, muito menos para febras com
batatas fritas e bacalhau com natas. Detesto inaugurações. Abomino procissões.
Odeio charangas e bandas populares. O meu lema será “Eu Voto Em Mim”. As minhas
propostas serão avassaladoramente irrelevantes. Desafio a que outros façam o
mesmo e no fim vamos a votos e que ganhe o pior. Quero as vossas opiniões, as
vossas críticas, os vossos anseios. Nada será tido em conta, mas pelo menos
desabafam. Votem em mim que eu também não.
AUTÁRQUICAS
Em Portugal estamos a entrar no período de campanha para as eleições autárquicas, que se realizarão a 29 de Setembro. Vou apresentar amanhã a minha recandidatura a Nenhures, usando exactamente os mesmos argumentos de há quatro anos. Vamos ver se desta vez tenho mais sorte.
4.9.13
DEUS É INCONSTITUCIONAL
Eu que não me confesso
sinto-me invadido. Deus escuta-me. E parece que me escuta por todo o lado. Ao
virar da esquina. Deitado na cama. Na casa de banho. Nos mais íntimos momentos
da minha insalubre existência. Será legal? Primeiro eram as Finanças... Depois
a Procuradoria... Chegou a suspeitar-se do Governo. Há quem diga que são os Estado
Unidos. Mas não. É Deus! Deus quer saber tudo. Estar em todo o lado. Uma
obsessão omnipresente que gera uma ubiquidade promíscua. Um dom duvidoso que
pode ser criminalizado. Deus é inconstitucional. Não pode escutar sem mandato
judicial. Vou recorrer.
Mais um post antigo para recordar...
3.9.13
POEMÍNIMOS - EDUARDO LUNARDELLI
Receber um livro de um amigo, mais que um prazer é uma expectativa. "Poemínimos" tem o mínimo de palavras para o máximo de poesia. Um livro de emoções em que a rima acontece sem querer. Sensual, sexual, pessoal, irónico. Desabafos e ânsias. Desejos e angústias. Sarcasmos e verdades. Um livro exclusivo. São flashes que o autor se apressa a passar ao papel. Uma escrita quase automática sem revisão. E, se num caso ou noutro, uma segunda leitura poderia aperfeiçoar a ideia, na maioria dos casos é precisamente a espontaneidade que lhe dá força. Eduardo procura nos seus três últimos livros líricos uma forma nova de dissertação poética. E cada vez resulta mais comprimido. Mais minimalista. Mais absorvente, como se fosse a busca de um mantra ainda por inventar. Neste terceiro livro, Eduardo Lunardelli está à beira de o conseguir. Descreve o que pensa sem compromissos com o leitor. E o leitor, ao ler, compromete-se consigo próprio. Nada mais se exige. A forma é cada vez mais despojada. E se a mensagem penetra é porque tem mesmo de penetrar. É um livro esteticamente perfeito e inovador. Fácil de transportar. Um livro de bolso, no melhor sentido de intimidade literária. Talvez por isso Eduardo confesse:
Agora quero um livro leve
não precisa ser grosso e pesado
não precisa parar de pé
Deve ficar deitado
ao lado da cabeceira da cama
...
Agora quero um livro breve
para ser lido e anotado
páginas marcadas e texto grifado
Deve ficar deitado
anotado
grifado
Um livro simples
mas desejado
Encomendas: 011 30794433 ( Maria ) ou epl.escrit@gmail.com - R$12,00 com frete incluso para todo Brasil.
Agora quero um livro leve
não precisa ser grosso e pesado
não precisa parar de pé
Deve ficar deitado
ao lado da cabeceira da cama
...
Agora quero um livro breve
para ser lido e anotado
páginas marcadas e texto grifado
Deve ficar deitado
anotado
grifado
Um livro simples
mas desejado
Encomendas: 011 30794433 ( Maria ) ou epl.escrit@gmail.com - R$12,00 com frete incluso para todo Brasil.
2.9.13
SÍRIA - UM POUCO DE HISTÓRIA
A Síria, que na Antiguidade incluía também a Mesopotâmia (actual Iraque) e o Líbano, foi sucessivamente ocupada por canaanitas, fenícios, arameus, hebreus, egípcios, sumérios, assírios, babilónios, hititas, persas, gregos e bizantinos.
Entre os séculos XII e VII a.C., desenvolveu-se, na parte central de seu litoral, a Civilização Cananéia, conhecida, mais tarde, pelos gregos como Civilização Fenícia e que foi a primeira civilização mercantil do planeta e a origem daquilo a que se convencionou chamar de Civilização Ocidental.
Após a morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C., o vasto Império formado por aquele conquistador foi dividido. A Síria tornou-se o centro do Império Selêucida, assim denominado por ser inicialmente chefiado por Seleuco, que fora um general de Alexandre. Um Império que se estendia até o oeste da Índia. Posteriormente, após as "guerras púnicas", a região passou a ser uma província do Império Romano, que já não incluía a parte oriental do antigo Império Selêucida, então dominada pelos partos (da região iraniana).
Em 636 d.C., o domínio da região passou do Império Bizantino para os árabes, liderados pelo califa Omar. Damasco passou a ser a capital do mais poderoso império da época, o Califado Omíada, que em 750 se transfere para Córdova (Espanha), acossado pelos Abássidas.
No século XI, no período das Cruzadas, a região é tomada por uma pequena força cristã, uma ocupação que durou quase 200 anos.
Em 1175, Salah Al Din (Saladino) unifica o Egipto, Síria e Iraque, e estabelece capital novamente em Damasco.
No século XVI, a região passou a ser uma província do Império Otomano. Mas, em 1831, o quediva do Egito, Mehemet Ali, conquistou a região. Em 1840, a região voltou ao controle do Império Otomano, que permitiu a instalação de missões e escolas cristãs subsidiados pelos europeus.
Em 1858 começou o conflito entre maronitas (cristãos), drusos e muçulmanos, conflito que culminou com os chamados massacres de Junho de 1860. Um mês depois tropas francesas desembarcaram em Beirute para proteger os cristãos.
Essa intervenção forçou o Império Otomano a criar uma província separada, o "Pequeno Líbano", que deveria ser governado por um cristão nomeado pelo sultão otomano e aprovado pelas potências europeias.
Depois da queda do Império Otomano durante a primeira guerra mundial, a Síria foi administrada pela França até a independência em 1946, data em que a ONU ordenou a retirada das forças europeias e determinou o fim do domínio francês na região.
Em 1958, a Síria e o Egipto iniciaram uma experiência de unificação política por meio da República Árabe Unida, um ambicioso projecto impulsionado por Gamal Abdel Nasser que teve curta duração. Em 1961 os dois países voltaram a ser estados distintos. Dez anos depois foi feita outra tentativa de unificação política dos países árabes, por meio da Federação das Repúblicas Árabes que concedia uma maior autonomia aos países membros e que, além do Egipto, incluía também a Líbia.
Em 1963, ocorreu uma revolução popular que levou ao poder o Partido Baath Árabe Socialista, que fora fundado em 1947 por Michel Aflaq, um militante nacionalista de origem cristã. E são eles que mantêm o poder.
1.9.13
ENTÃO E OLIVENÇA?
Com o envio de uma Nota à ONU, da autoria da Missão Permanente de Espanha junto das Nações Unidas, em Nova Iorque, datada de 5 de Julho reacendeu-se a disputa que, nas últimas décadas, tem levado as autoridades espanholas a porem em causa a dimensão da Zona Económica Exclusiva de Portugal em redor das Selvagens (Madeira) pelo facto de, afirmam os espanhóis, as mesmas não deverem ser classificadas como ilhas, mas sim como “rochas” e, consequentemente, com direito unicamente a "mar territorial”, ou seja, à diminuição da ZEE de Portugal em redor das Selvagens das actuais 200 para, apenas, 12 milhas marítimas.
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