30.4.12

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Anonymous Anonymous said...
À esquerda ou à direita
Está posta a questão
Se à esquerda ela espreita
Vamos ter revolução

Se para a direita pende
O seu dono é ditador
É pila que só ofende
Não acarinha nem dá amor

Se tem manias de centro
É uma pila indecisa
Nunca sabe se se quer dentro
Se é disso que precisa

Seja qual for o lugar
De tal irrequieto penduricalho
Tem ele de não se enrugar
E de não fugir ao trabalho


:):):)

29.4.12

CONSCIÊNCIA DA PILA

Um homem nem sempre tem consciência da sua pila. Habitua-mo-nos a crescer com ela e ela a crescer connosco. Mas, a verdade é que ela existe para além da nossa vontade. Um instrumento vagamente incómodo que atrapalha nas calças e nunca sabemos se havemos de arrumar para a esquerda ou para a direita. Com o tempo, porém, vamos aprendo a tolerá-la. As senhoras costumam gostar. Dá jeito para fazer chichi em circunstâncias adversas. É um prodígio de design e elasticidade que permite a adaptação aos lugares mais confinados. Os anos passam e vamos aprendendo a conviver com a nossa pila. Às tantas já nem reparamos. É só quando acontece alguma coisa que lhe damos valor. Operações, dores, ardores... O hospital permitiu-me desenvolver um afecto acrescido. Uma ligação de maior intimidade. Tudo tem um lado positivo. Cada vez sou mais dono da minha pila. 

NOTÍCIAS DA MATILDE - A CAMINHO DA AUSTRÁLIA


DOMINGO FLORIDO




CRÓNICAS DO HOSPITAL - O REGRESSO

Quando finalmente saí, tudo parece ter outra cor. Ainda não morri desta e o que vier a mais é ganho. Aprendi imenso nesta minha primeira viagem ao hospital. A primeira é que não quero mais nenhuma. Depois, que sou um privilegiado. O hospital era bom. A comida óptima. As enfermeiras uma maravilha. O médico competente. Regresso com a obrigação de beber três litros de água por dia e de não fazer esforços nenhuns. Quanto à água, só receio afogar-me. Quanto aos esforços, parece-me bem. Perguntei e o médico disse-me que podia blogar livremente. Amigos, a vida continua!

28.4.12

COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST

Blogger Claire said...

Uma bufa é uma brisa que desliza pela fralda da camisa e um peido é ar comprimido que sai pelo cu e faz ruído.

CORRIGENDA

Blogger Eduardo P.L said...

Jorge, já que me responsabilizou por parte de sua decisão, me cabe transcrever aqui as funções corretas da próstata, que não produzem o sémen exatamente, mas parte do líquido^( de 10 a 30 % ), conforme:

A próstata é uma glândula exócrina que faz parte do sistema reprodutor masculino.A próstata difere consideravelmente entre espécies anatomicamente, quimicamente e fisiologicamente. A função da próstata humana é produzir e armazenar um fluido incolor e ligeiramente alcalino (pH 7.29) que constitui 10-30% do volume do fluido seminal, que juntamente com os espermatozóides constitui o sémen.

O Expresso enganou-se. Fica uma correcção fundamental. Afinal a próstata é só pH. Mas a mistura é feita lá (veja-se o boneco).

RESSECÇÃO ENDOSCÓPICA DA PRÓSTATA


A próstata é uma glândula bem escondida e que discretamente vai produzindo o sémen. Encravada por baixo da bexiga e quase a descair para o recto, a próstata poderia ficar ali acobertada e sossegada pela vida toda. Ninguém dava com ela. Sim, que o exibicionismo fica mais para a frente... Acontece que lhe dá para crescer com a idade. Aumenta de volume e passa de uns normais 20/30 gramas, para 50, 60 e mesmo 100. Azar dos azares, o canal da urina, a uretra, é o mesmo do sémen. A uretra passa pelo meio da próstata em ligação à bexiga. Quando a próstata cresce a uretra fica comprimida e a urina começa a correr mal. De ano para ano, cada vez pior. Pode mesmo fazer uma retenção por obstrução total do canal e provocar infecções a montante, na bexiga e nos rins. É a Hipersplasia Benigna da Próstata (HBP). Uma operação simples para desobstruir a uretra. A Ressecção Endoscópica da Próstata. Na imagem de baixo podem ver o aparelho usado na penetração. Depois há uma espécie de desbaste, como se estivéssemos a trabalhar talha e ficam aqueles fragmentos cortados. Foi esta a operação que fiz. Um operação com um post-operatório chato, pela necessidade de algalia de grande calibre e, depois, do ardor no acto de urinar. Oito dias depois, estou muito melhor e já me sinto um homenzinho. Ressecção é uma palavra "fina". Talvez das poucas que tem dois ss e dois cc.  Esta palavra vai desaparecer e passará a resseção ou será recessãoAproveitem enquanto não chega o Acordo Ortográfico. 

EFEITOS DO SORO




27.4.12

CRÓNICAS DO HOSPITAL - O MITO DAS ENFERMEIRAS

Assistentes de bordo, bombeiras, mulheres polícia... e, claro. enfermeiras. Um fetiche de fardas. Um mito sexy para aumentar a excitação. Vêm de branco, de azul, algumas de encarnado. Deve haver uma hierarquia. Não consigo entender. Movimentam-se airosamente entre tubos e algalias. Seringas e agulhas. Pensos e compressas. Uma profissão exigente. Uma responsabilidade total. São os nossos anjos da guarda. Mexem em tudo com um à vontade desconcertante. E nós estamos muito expostos. Expostos e fragilizados. Pior, nada nos pode excitar. Aliás era o pior que me podia acontecer. Uma erecção e lá volto eu para o bloco operatório com o "material" descosido. Como controlar estas coisas? Francamente, nesta fase, prefiro enfermeiros.

DIABO NA CRUZ - SOUND CHECK

Recebida ontem à noite. Os meus filhos (João e Manuel), no sound check em Viseu. Destaque para a "tralha" que os percussionistas têm de carregar. A gravidade não ajuda. Tudo tem de ter suporte. Como é fácil ser guitarrista!... Hoje à noite, para quem estiver no Porto, o concerto é no Hard Club.

26.4.12

CRÓNICAS DO HOSPITAL - DOS TRAQUES E SEUS DERIVADOS

Dar traques é uma actividade essencial para a saúde. Um traque entalado pode dilatar os intestinos, provocar dor de cabeça, comprimir o diafragma. Pode mesmo despoletar um ataque cardíaco. O traque tem de ser eliminado, custe o que custar. Mas, nem sempre é fácil. Há traques renitentes que se acobertam nos entrefolhos do bandulho. Traques escorregadios que ora sobem, ora descem. Traques cobardes que se recusam a ver a luz do dia. Uns requerem força. Outros, apenas jeito. Dar traques é, socialmente, uma arte. A discrição sem ruído. O alívio sem cheiro. Depois de uma operação "às partes", traquejar exige dificuldade acrescida e cuidados redobrados. Não se pode rebentar com a operação. Não podemos contrair o abdómen. Tem de ser suave. O pior é que sem um pequeno esforço não é possível desalojá-los. E, assim, passamos  o dia a engendrar técnicas. De cócoras? De pernas para o ar? De lado? Os tubos continuam a atrapalhar. Às tantas ainda me sai pela boca! Finalmente um estrépido de felicidade. Uma sonoridade rotunda próxima de um dó maior de sétima aumentada. A cor era definitivamente amarela. Um tempo arrastado, talvez dois compassos ternários e uma semínima abreviada em "staccato" final. Mas os traques são uma função continua. Uma prova de vida. Uma força da natureza. Sei que em breve terei nova batalha com novo traque. Uma batalha privada, porque aqui ninguém ajuda. Ninguém pode dar um peido por nós!

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Blogger Silvares said...
Depois de ler todos estes depoimentos e os comentários do Jorge, a expressão "25 de Abril sempre" ganha um novo sentido.
Agradeço todos os comentários. A qualidade, a franqueza, a frontalidade. Uma colaboração imprescindível. 

MENA - O FIM DA CENSURA



Lembro-me de estar na paragem de autocarro a caminho do Liceu de Portimão. Da 1ª aula do dia: Matemática e o professor numa pilha de nervos. Lembro-me que já não tive Francês. Lembro-me dos jardins desertos e de um rapaz solitário caminhar lentamente até ao recreio das meninas. Depois mistura-mo-nos todos, na certeza de que já não era proibido. O meu 1º acto de liberdade talvez tenha sido despir a bata branca. Tinha acabado de fazer 15. Na total anarquia dos 2 anos seguintes quase não fui a uma aula. Mas devorava livros.Todos os que até ali me tinham sido proibidos. Imagine-se que não se podia ler Jorge Amado!!! 
Mais tarde, "Gabriela Cravo e Canela" seria a 1ª telenovela a passar na TV portuguesa. :)


Todos nós sabíamos que havia liberdade, mas não sabíamos bem onde ficava. Naquele dia deram-nos as liberdades todas de uma vez. Tivemos de aprender a ser livres, a saber estar fora da gaiola.

XUNANDINHA - POSTO DE COMANDO

Tinha 14 anos os meus pais trabalhavam de noite e eu como sempre liguei a telefonia, achei que o programa do costume não estava a dar,ouvi o aviso do posto de comando "a pedir à população para manter a calma e ficar em casa" achei esquisito e pensei há isto não é cá e saí para a escola,ainda começou a primeira aula mas a meio mandaram-nos para casa, só mais tarde o meu papá contou o que se estava a passar.

Tudo foi esquisito naquele dia. Um dia que parecia não acabar. E quando acabou, ficou a sensação que outro ia começar. Um dia para o resto das nossas vidas. 

SILVARES - RENASCER

Eu tinha 11 anos e estudava na Escola Preparatória Doutor Oliveira Salazar, em Viseu. Não compreendi bem o que se passava. Em minha casa, na minha família, havia quem estivesse feliz, quem estivesse triste, quem não estivesse nada. Eu fiquei assim-assim pois a escola fechou e, quando voltei, as letras de ferro cravadas na parede com o nome do Doutor haviam sido arrancadas. A partir daí (re)comecei a crescer.

Deus, Pátria e Família foram, de repente, substituídos pelo Programa das Forças Armadas e os famosos "3 D's" - democracia, desenvolvimento e descolonização. A escola fechou e a vida mudou.

ANÓNIMO - EM ANGOLA OS CRAVOS NÃO FORAM VERMELHOS

No dia 25 de abril de 74, em Luanda, não havia guerra civil. Havia a guerrilha na mata, como já acontecia há mais de uma década, mas Luanda vivia em paz. Guerra civil, recolher obrigatório e tudo o mais que a uma guerra civil é inerente, veio depois. Nesse dia glorioso rejubilei. Não só pelos angolanos como também pelos portugueses. Estariam livres de uma ditadura severa e de uma guerra que não era deles. Por nós, angolanos, tudo estava por vir ... Passou o tempo e no cano das armas não houve cravos vermelhos. Houve fogo. Todo esse processo trouxe-nos mais guerra, mais fome, mais dúvidas, mais incertezas quanto ao futuro. Também mais sonhos e mais esperança. Para mim, particularmente, trouxe-me o peso de um exílio que carrego há mais de 30. Ainda assim, tenho o dia 11 de novembro de 75, em Luanda, como um dos dias mais felizes de minha vida. Jamais culparei Portugal por tudo o que de mau aconteceu, muito menos seu povo. Ardam nos infernos, esses sim, os seus indignos e tiranos governantes. 25 de abril, sempre. Minha gratidão eterna aos Capitães de Abril. Quanto a Angola, ainda está sendo escrita o resto dessa História. Mas valeu. E muito!

Angola é a história por contar. Um país que Portugal deixou adiado e que ficou nas entremalhas da Guerra Fria. Um país que emerge e que só espera por democracia a sério. Quem lá esteve jamais esquecerá. Este é um relato de quem perdeu a Pátria, mas que aceita por uma causa maior.

MARIA DE FÁTIMA - LARGO DO CARMO

Tava na caminha
a minha companheira de quarto (uma MRPP convicta) acordou-me: um golpe de estado, e eu de direita ou de esquerda? muito atinadinha já: Faculdade de Ciências com a cantina fechada pelos pides faz a cabecinha mesmo das meninas do papá, e depois foi a manhã em casa que a minha companheira tinha a mãe alentejana de visita e ela a dona da casa rezavam para que não saíssemos pregados em frentes da televisão que de pronto respondeu á questão que eu tinha colocado...
pelas duas da tarde fomos para a rua, eu e a Nita a contrariar os rogos lá em casa para que não saíssemos: fomos avenida de roma praça de londres, arco do cego: não nos deixaram passar, ou aconselharam-nos, sei que compramos um jornal, não sei qual e ainda hoje tenho pena de não ter estado no largo do carmo estando em lisboa

Momentos que marcarão para sempre a nossa geração. Quem saiu à rua nunca mais esquecerá... quem não saiu nunca terá outro momento igual. Esta foi a revolução mais pacífica de que há memória.

FATYLY - 25 DE ABRIL SEMPRE


Não estava em Portugal, nasci e cresci em Luanda. Já no meio de uma guerra civil, com recolher obrigatório ainda trabalhava, ir e vir era uma aventura e na hora do almoço, (numa pequena cantina perto, que ainda servia refeições, comemos arroz de cabidela) soubemos "entre-dentes, não fosse a PIDE estar por perto", que tinha havido golpe de estado na metrópole. Imagens zero e à noite ligamos a rádio clandestina e ficámos a saber um pouco mais.
Cada dia após, começou tudo a piorar, eram mais os dias que não podíamos ir trabalhar devido ao tiroteio nas ruas, intensificou-se o "martelar de pregos em caixotes de quem trouxe alguma coisa via marítima", o dia-a-dia passou a ser "sobrevive, sobrevive" no meio do caos nasceu a minha filha a 4 de Abril de 75 e saí em Novembro. Fome, muita fome...e fico-me por aqui!
O que mais me estranha é que ainda hoje permanece o sentimento angustiante de quando aterrei em Portugal e comecei do zero: estar dentro de uma caixa de fósforos.
Porque será?
Hoje ao olhar certas fotos com os cravos, apetecia-me enfiar um molho de cardos nuns quantos indivíduos que destruíram + outros que continuam a destruir tudo, gamaram o que não deviam, meteram-nos numa panela de pressão marca UE, cujo pipo (euro) é o que todos e estamos a sentir na pele!
Apesar dos pesares...25 de Abril SEMPRE, mas hoje deveria ocorrer outro liderado por um povo novamente oprimido e em filas de espera para terem algo para comer!



Uma descrição vivida que impressiona pela franqueza e pela certeza de que a conquista da liberdade implica sacrifícios brutais. A intolerável sensação de perder a Pátria e a alegria de alcançar a Liberdade. 

LUÍSA - OS CRAVOS MURCHOS DA INJUSTIÇA

Tinha 2 anos e meio, 4 irmãos e um pai a trabalhar para o agregado familiar.
A versão que tenho do 25 de abril é a que a Fatyly nos trouxe. A visão do cravo é pervertida por aqueles que usaram e usaram-se do poder encostados à politica. Um caso de liberdade transformado em libertinagem sem valores nem princípios.
Era tão pequenita no 25 de abril...mas sou tão grande no meio das injustiças que daí vieram!
Muitos militares de abril devem estar espantados com as voltas que tudo isto deu!!!


A vida mudou, mudou muito. Não é possível imaginar como era. A questão é que as ambições cresceram. E todos queremos mais. Uns querem poder e dinheiro, outros continuam a querer apenas liberdade e justiça.

25.4.12

AONDE ESTAVAS NO 25 DE ABRIL?


Não me lembro de quase nada. Estava sozinho em casa. Tenho ideia que estava numa crise matrimonial do meu primeiro casamento. O meu pai estava em Bruxelas numa reunião da NATO. A minha mãe tinha ido com ele. Levantei-me cedo, pelo meio-dia, e soube que tinha havido golpe de estado ao som de "Grândola Vila Morena". Estava de ressaca e ainda fiquei com mais dor de cabeça sem conseguir atingir a profundidade da coisa, perdido em aspirinas de ocasião. Fui ouvindo notícias surrealistas: povo na rua; cravos nas espingardas; calças à boca de sino penduradas no Largo do Carmo; tanques em cada esquina; ministros em fuga desesperada; o Império definitivamente a decair... Não me apeteceu nada ir para o meio do povo. À noite, na televisão, apareceu um bando de generais com ar absolutamente sinistro: a Junta de Salvação Nacional... Naquele ano de 1974 acabei o curso de Direito. Escapei ao MRPP e também não fui à tropa. Passei directamente à reserva territorial de onde, aliás, nunca tinha saído.

Quem quiser pode aqui deixar os seus testemunhos. Serão publicados amanhã. Interrompemos as Crónicas do Hospital devido à solenidade do dia.

VISÕES DO HOSPITAL







CRÓNICAS DO HOSPITAL - DO CHICHI E DO CÓCÓ

O quarto tem vista para a serra de Monsanto. Mas eu não quero saber da vista. Estou furado, entubado, algaliado. O contrôle da cama articulada amarrado ao varão.  Dois tubos a sair da "coisa". O comando da televisão pendurado no tubo do soro. O telemóvel ao lado da almofada. O caderno de notas do lado direito. A máquina fotográfica do lado esquerdo. Entra a enfermeira. Mais um chute na veia. Analgésico. Batem à porta."Posso limpar?". Outra enfermeira. Outro chute. Agora é antibiótico. Muda o soro. Mais uma litrada. Começo a ficar com alergia na pele. Nova enfermeira. Mais analgésico. Toque na porta. Agora é a comida. Gritaria no corredor. Outra enfermeira: "Ah, temos de tomar um laxante"... Só no hospital é que percebemos a confusão que é o chichi e o cócó. Temos de ir com a enfermeira atrás. Arrastar suportes, sacos de soro, tubos a atrapalhar, as compressas a descair, o pijama a meter-se no meio do material, o papel higiénico que teima em não rasgar. Uma luta inglória que nos faz pensar se vale a pena comer. Afinal vai tudo pela pia abaixo e só dá maçada. Acresce que sai caríssimo comer. Não haverá energias alternativas? Sei lá... comida eólica, uns comprimidos nucleares?

24.4.12

GARES MARÍTIMAS - VISITA GUIADA




Viradas para o rio Tejo, as Gares Marítimas de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos, construídas na década de quarenta do século XX, contam-nos hoje bastante da história do século português a que pertencem. Primeiro, porque foram palco de partidas e chegadas numa época em cujo o transporte marítimo era a principal forma de ligação de Portugal com os seus territórios ultramarinos e demais nações estrangeiras. Depois, porque são marca, por um lado, do regime ditatorial de direita de então e cuja vontade as edificou e, por outro, do arquitecto Pardal Monteiro que as desenhou. Por último, porque nelas podemos encontrar os frescos com que José de Almada Negreiros, a convite do desenhador das gares, animou as suas paredes.


Visita guiada pelo pintor Victor Belém, dia 30/4. Encontro às 10 horas na porta da Gare Marítima de Alcântara.

PARA DESCOMPRIMIR DO HOSPITAL

Portugueses ficam 273 euros mais pobres a cada mês (DE)
A dívida pública portuguesa aumentou quase seis mil milhões de euros em apenas dois meses. São 273,06 euros de aumento por mês a cargo de cada português.

CRÓNICAS DO HOSPITAL - CUIDADOS INTENSIVOS

Não sei porque vim para aqui. Era suposto voltar para o quarto. Devo estar muito mal para me trazerem para os Cuidados Intensivos. Um espaço branco. Mais branco que a cal. Luzes coadas. Camas articuladas ligadas a uma parafernália de fios. Indicadores luminosos, gráficos, computadores que apitam em permanente busca de sinais vitais. Ali temos a certeza de morrer completamente assistidos. Eu devia estar mesmo muito mal para estar na Unidade! Ao meu lado a D. Rosália gemia baixinho. Permanentemente rodeada de enfermeiras. Parece que lhe tinham tirado osso de fémur para enxertar uma vértebra, depois de lhe terem tirado um quisto que obstruía a aorta (ou seria a aorta que obstruía a vértebra?). Enfim, está no hospital há um ano. Ao fundo, a D. Aurora tosse convulsivamente e abre os olhos para gritar pela Catarina, exigindo que se quer levantar imediatamente. Ninguém liga. Do outro lado, um homem forte recentemente operado ao coração, tenta ler um livro de pernas para o ar... Que estava eu ali a fazer? Só podia estar muito mal! Muito mal mesmo! Continuo sem sentir as pernas. A "coisa" começa a arder. A fome ataca violentamente. Explicam-me que não posso comer enquanto durar o efeito da anestesia. Aldrabo. Digo que já passou. Exijo uma sopinha. A enfermeira não vai nisso. A grande vantagem é que não preciso de ir ao WC. Estou algaliado com volta dupla, de saída e entrada, para lavar bem por dentro. Uma urina permanente que sai para um jarro com excelente cor de sangria rosé. Devo ter dormido umas horas. Acordo em sobressalto com a invasão de um grupo de médicos em visita guiada. Ficaram muito tempo ao lado da D. Rosália (a tal do osso na aorta). Quando chegaram ao pé de mim, um perguntou: "E este?". "Ah, esse foi uma recessão". Passaram por mim com absoluto desprezo, quase desdém. Foi aí que percebi que, afinal, talvez o meu caso não fosse muito grave...

23.4.12

DIABO NA CRUZ - DIGRESSÃO ARRANCA HOJE


DIABO NA CRUZ - FOTO PROMOCIONAL




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Blogger Claire said...

Mais chicha menos chicha. O que importa é que 
abriste os olhos.

CRÓNICAS DO HOSPITAL - NO BLOCO

Da cintura para baixo não sentia nada. A parte de cima ouvia, sentia, mexia. Um corpo dividido. Meio morto. Meio vivo. As vozes atrás da cortina sussurravam palavras incompreensíveis. Termos técnicos. Jargão clínico. Maçonaria anatómica. Um écran mostrava imagens a cores. Não percebi nada. Não tinha legendas. Tremia de frio. Mãos geladas. Dentes a tremer. Músculos em espasmo. A morte deve ser assim. Para baixo não sei. Não sentia nada. Ainda teria pernas? Ao lado passavam rapazes de touca alegres, discutindo futebol. As vozes atrás da cortina murmuravam que estava quase. Quase o quê?! Apeteceu-me perguntar, mas tremia de frio.. Não conseguia articular. Entrei no pânico da congelação. Percebi que estavam a furar. Seria um berbequim? Devia estar a esvair-me em sangue. Um desastre provocado. Uma invasão ao meu corpo... e ainda por cima vou pagar! Apeteceu-me fugir, mas não tinha pernas. Tentei mexer as nádegas. O rabo era um conceito meramente intelectual. Totalmente inamovível. Absolutamente irresponsável. Não tinha comando no corpo. Aliás, não tinha comando em nada. Podiam cortar-me às postas. Tanto faz! De repente acabou. As vozes por trás das cortinas calaram-se. Arrastaram-me para a maca. Elevador acima, elevador abaixo. "Tudo bem, rapaz. Correu tudo bem". "Tudo bem o quê?", balbuciei em estado de choque térmico. "A operação correu bem..." "Ah, sim, pois... e ainda tenho pila?"... 

22.4.12

VOLTEI

Quando se entra para uma operação nunca sabe o que acontece. "Olha, já agora corta-se mais isto... É pá, tira mais aquele bocado... Então e aquilo, não está lá a fazer nada!" Não temos voto na matéria. Estamos KO. Tudo isto se complica quando mexem no "instrumento". Nunca se sabe se fica a tocar bem, se desafina, ou sequer se apita. Sigam as Crónicas do Hospital. Nos próximos dias vou dar-vos uma visão desapaixonada de uma operação vista por dentro.

ET: quero agradecer penhoradamente todos os comentários e dizer-vos que já me fartei de rir (embora não possa!)
ET 2: estou com dificuldade em postar. O Blogger meteu uma novo visual, novas opções... Uma trapalhada!

18.4.12

(IN)SEGURANÇA SOCIAL

Anda tudo muito preocupado com as gerações futuras. Com o efeito da crise nos nossos filhos e netos. A insegurança no emprego. A falta de expectativas. A quase certa impossibilidade de se aposentarem quando chegar a idade deles. Estamos a falar de gente que tem agora 20/30 anos. Gente que tem a obrigação de inventar novos paradigmas. De promover novos modelos sociais. Gente que não pode ficar encostada a velhos sistemas que se esgotaram. E se os novos não souberem inovar quem o pode fazer por eles? Problema grave são as pessoas com mais de 60 anos. Aí sim, não há nada a fazer. Que margem de manobra tem essa gente? Nenhuma! Descontámos durante uma vida 1/4 do vencimento e agora não há dinheiro?! Foi um contrato que fizémos. Um contrato de segurança social. O Estado funcionou como uma companhia de seguros. Uma companhia que agora não quer pagar. Não é admissível o "plafonamento". Não é admissível o aumento da idade para quem já estava em condições. Não é admissível o aumento de impostos para os aposentados. Um estado de direito não pode quebrar contratos, a não ser que já esteja na bancarrota. A segurança social está a tornar-se insegurança social.

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Eduardo P.L said...



Cada povo tem o REI, ou monarquia que merece! Aqui no Brasil temos a Rei Lula, que não mata elefantes, mas participa de caçadas a prefeitos, senadores e deputados! Verdadeiras carnificinas são patrocinadas pelos seus comparsas! E o pior, a "memória" do eleitor, não é nem de longe a de um elefante!

25 DE ABRIL - VIII (FIM)

Tudo estava preparado para que as eleições de Abril de 1975 fossem a ratificação popular do PREC. Só que o povo votou. Ao fim de 40 anos, finalmente, o povo podia votar em liberdade. O recenseamento foi obrigatório. Foram recenseados 6 milhões de eleitores, contra os 1,8 milhões de 1973. A participação dos eleitores foi maciça: 91,7% dos eleitores votaram. E a votação foi surpreendente. O PS elegeu 116 deputados; o PSD, 81 deputados; o Partido Comunista, apenas 30. A 19 de Julho, quase 100 mil pessoas estiveram com Mário Soares na Alameda Afonso Henriques. Depois das urnas, o PCP começava a perder nas ruas. O povo não queria o comunismo. Ninguém queria o comunismo, excepto os comunistas. E nem todos os que se diziam comunistas o eram. Sucediam-se boatos desencontrados. Manifestações diárias. Comícios transmitidos em directo pela televisão. Os SUV (Soldados Unidos Vencerão) cercavam a Assembleia Constituinte. O Governo foge para o Porto. Tentativas de tomadas de quartéis pela força. O COPCOM e a arrogância tresloucada de Otelo Saraiva de Carvalho. Uma instabilidade que redundava em caos social e numa acentuada deterioração da economia. A esquerda foi-se desgastando, cada vez mais circunscrita aos quadros e simpatizantes dos partidos. A 10 de Dezembro, o Major Ramalho Eanes, novo chefe de Estado-Maior, suspende todos órgãos e assembleias do MFA. O povo venceu o comunismo e deixou como horizonte a democracia pluralista e a integração europeia. A 2 de Abril de 1976 Portugal passa a ter uma Constituição pluripartidária. A 12 de Junho de 1985, Portugal adere à CEE.

25 DE ABRIL - FOTOS





RAJOY JÁ CAPTUROU MESSI

O REI E OS ELEFANTES

Afinal o rei de Espanha parece que foi convidado para a caçada. Que não gastou os 40 000 euros da licença para matar. Que, para certas empresas, é de grande prestígio ter por lá um rei a matar elefantes. E que matar elefantes pode salvar o Botswana, um país que estará a ser destruído por aqueles paquidermes. Já antes, em jovem, o rei de tinha tido um "acidente de caça" e matou o irmão sem querer. Desta vez, partiu um perna. Os elefantes não têm culpa. Os espanhóis também não. Tudo o que a Espanha menos precisava, neste momento, era juntar à crise económica uma crise de credibilidade no regime. A verdade é que as monarquias actuais são um sorvedouro de dinheiro público sem qualquer significado político. Símbolos de passado que já passou, os reis caçam elefantes, fazem ski e partem pernas. Um futuro sem horizonte.

ONDE É?