
No dia 25 de abril
de 74, em Luanda, não havia guerra civil. Havia a guerrilha na mata, como já
acontecia há mais de uma década, mas Luanda vivia em paz. Guerra civil, recolher
obrigatório e tudo o mais que a uma guerra civil é inerente, veio depois. Nesse
dia glorioso rejubilei. Não só pelos angolanos como também pelos portugueses.
Estariam livres de uma ditadura severa e de uma guerra que não era deles. Por
nós, angolanos, tudo estava por vir ... Passou o tempo e no cano das armas não
houve cravos vermelhos. Houve fogo. Todo esse processo trouxe-nos mais guerra,
mais fome, mais dúvidas, mais incertezas quanto ao futuro. Também mais sonhos e
mais esperança. Para mim, particularmente, trouxe-me o peso de um exílio que
carrego há mais de 30. Ainda assim, tenho o dia 11 de novembro de 75, em Luanda,
como um dos dias mais felizes de minha vida. Jamais culparei Portugal por tudo o
que de mau aconteceu, muito menos seu povo. Ardam nos infernos, esses sim, os
seus indignos e tiranos governantes. 25 de abril, sempre. Minha gratidão eterna
aos Capitães de Abril. Quanto a Angola, ainda está sendo escrita o resto dessa
História. Mas valeu. E muito!
Angola é a história por contar. Um país que Portugal deixou adiado e que ficou nas entremalhas da Guerra Fria. Um país que emerge e que só espera por democracia a sério. Quem lá esteve jamais esquecerá. Este é um relato de quem perdeu a Pátria, mas que aceita por uma causa maior.