30.11.11

1 DE DEZEMBRO - RESTAURAÇÃO


1 - Na confusão que se seguiu à morte D. Sebastião em Alcácer Quibir, o trono foi entregue ao tio, o cardeal D. Henrique. D. Henrique tinha 66 anos e viria a reinar 18 meses. Ainda pensaram casá-lo, a bem da Nação. O Cardeal não quis. Talvez dogma ou falta dele, a verdade é Henrique podia ter designado um sucessor. Hesitou e resolveu seguir os procedimentos. Abriu concurso público para a sucessão e nomeou um júri especial para análise das propostas. Apareceram cinco candidaturas, das quais três tinham fundamento: Filipe II, de Espanha; D. Catarina, duquesa de Bragança; e D. António, prior do Crato. A sucessão ao trono português iria ser, entre 1578 e 1581, um dos maiores pleitos jurídicos da Alta Idade Média. Filipe II, de Espanha (I de Portugal). Uma disputa dinástica que se resolveria pela negociação e não pela conquista.
2 – Quando em Abril de 1581 se reuniram as Cortes de Tomar, a decisão estava tomada. As Cortes mais não foram do que a solenização e aclamação de um mundo novo. Um mundo em que, finalmente, todas as coroas da Ibéria estavam reunidas num único ceptro. Uma união que desde D. João II vinha sendo sucessivamente tentado sem sucesso, devido a  acidentes e infortúnios. Nas Cortes de Tomar (1581), Filipe II de Espanha, depois Filipe I de Portugal, foi formalmente reconhecido rei dos portugueses. Já era rei de Castela, Aragão, Catalunha, Franco-Condado, Países-Baixos, Sardenha, Córsega, Sicília, Milão, Nápoles e ainda dos territórios extra-comunitários em África e na América. A "Casa Habsburgo" geria reinos. Portugal era mais um, mas um reino muito importante para o Império Espanhol. Portugal não perdeu a independência, apenas perdeu o rei. Filipe ganhou o trono por ter feito mais concessões aos nobres e ao alto clero. Eles quiseram o rei Habsburgo, inclusivamente porque isso lhes dava mais estatuto do que um Prior do Crato qualquer, um bastardo cuja legitimação não dava importância. Era em Castela que maiores reservas havia à ocupação do trono português. Temiam os nobres espanhóis perder poderes face aos nobres portugueses e temiam, acima de tudo, o maior poder centralizador que isso dava a Filipe. Temiam mesmo que ele decidisse fixar a capital do Império em Lisboa, secundarizando Madrid, coisa que foi, aliás, aconselhada pelo Duque de Alba. Se isso tivesse acontecido, provavelmente hoje haveria União Ibérica.

3 - Nas Cortes de Tomar, que culminaram três difíceis anos de negociação, ficou definido o exclusivismo absoluto português. O "Estatuto de Tomar" reservava para os naturais do reino todos os mecanismos de gestão e governação laica e eclesiástica. Só portugueses poderiam ocupar cargos de governança. Mais, ficou estatuído que caso o rei fosse obrigado a sair do reino de Portugal, o poder passaria a ser exercido por delegação que teria de recair em naturais de Portugal, salvo se a pessoa nomeada fosse da família real dos Habsburgos. A verdade é que Filipe sai de Portugal logo em 1583 e delegou, de imediato, poderes no cardeal Alberto de Áustria, seu sobrinho. Portugal continuou a ser um reino "por si", mas deixou de ter um reino "para si”.

PONTAPÉ NA CRISE

Ontem fomos ao Tivoli participar na homenagem a Titina, uma grande voz da música caboverdina. Neste video de 2008 vemos Titina com Ana Firmin, cantando um coladera de Tito Paris, "Chico Malandro". Deve-se ouvir bem alto.

29.11.11

ENTREVISTA COM A CRISE - DÍVIDA SOBERANA

A Dívida Soberana não é fácil de encontrar. Refugia-se em salas nobres. Em palácios dourados. Foge da multidão. Dá-se ares de grande senhora. Não gosta de falar para não influenciar os Mercados. Conseguimos a entrevista após muita insistência e só depois do Ministro das Finanças ter intercedido.

Expresso: Afinal o que é a dívida soberana?
Dívida Soberana: Ainda bem que me faz essa pergunta. A bem dizer, o Estado sou eu.
Expresso: Mas, desculpe, então o Estado não existe indepentemente da dívida soberana?
Dívida Soberana: Existir até podia existir. Mas não era a mesma coisa.
Expresso: Então os impostos servem para quê?
Dívida Soberana: Servem para pagar a dívida soberana.
Expresso: Mas, espere lá... então e a dívida, afinal, serve para quê?
Dívida Soberana: Para justificar os impostos.
Expresso: Mas, mas, mas...
Dívida Soberana: É simples. O Estado pede dinheiro aos bancos. Desata a fazer coisas que não servem para nada. Depois pede dinheiro aos cidadãos para pagar aos bancos. É a dívida soberana.
Expresso: Então e se os cidadãos não tiverem mais dinheiro?
Dívida Soberana: Se os cidadãos não têm dinheiro, não conseguem pagar impostos. Se não pagam impostos, a dívida aumenta. Se aumentar, a dívida é cada vez mais soberana.
Expresso: Mas como se pode viver assim?!...
Dívida Soberana: Claro que se pode viver assim eternamente. Se ninguém pagar qual é o problema?


ANTES QUE CAIAM TODAS

27.11.11

HOMENAGEM

CARMINHO
CUCA ROSETA
JOANA AMENDOEIRA
MAFALDA ARNAUTH
ANA MOURA


As novas vozes do Fado cantam no feminino. Assim como não gosto de mulheres a cantar Rock, também não gosto de homens a cantar Fado. Escolham qualquer uma que não se arrependem

COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST

BloggerLuísa said...
FADO é alma!
É voz das gentes em acordes únicos!
É saudade!
É alegria!
É nostalgia de tristeza pelo adeus...
Fado é PORTUGAL!

Bjnhs

26.11.11

A IMATERIALIDADE DO FADO

Mais do que um género musical, o Fado será a alma de um povo. Um grito, um lamento. Uma nostalgia, uma fatalidade. Mais do que uma melodia, o fado será uma estranha forma vida. Uma filosofia. Um estado de espírito que, por persistir no tempo, parece ser sinónimo de Portugal. É assim que o Fado vai ser hoje "vendido" na distante Bali, onde decorre o VI Comité Intergovernamental da UNESCO. O Fado é candidato a Património Imaterial da Humanidade, entre 49 candidaturas, a par  com os xamãs jaguares da tribo Yurupari (Peru); das danças Nijemo Kolo da Dalmácia (Croácia); da dança Tsiattista (Chipre); ou da Cavalgada de Reis da Morávia. Uma concorrência que desconhecíamos. Um mundo que se expande na retracção. Que fica maior na proximidade. Um mundo que se descobre. Um Fado que tudo alcança.

CORES DE LISBOA


 

24.11.11

BRANDOS COSTUMES

Os famosos "brandos costumes" nacionais têm razão de ser ou foram uma invenção salazarista para sossego do regime? Seremos verdadeiramente tolerantes? Somos mais tolerantes que os ingleses ou que os alemães? Não matámos tanto como os holandeses no Brasil? Toleramos melhor os pretos? A nossa Inquisição foi mais suave que a espanhola? O 25 de Abril foi uma revolução de cravos? Sinceramente, acho que pouco importa se somos um povo tolerante ou intolerante. Tenho receio é de sermos um povo “tótó”. Uma tolerância feita de cobardia. Tenho receio que os “brandos costumes” sejam ausência de vontade. Incomoda-me que a tolerância seja, afinal, desinteresse por quem nos governa e como nos governa. Que seja falta de pachorra para exercer os nossos deveres democráticos. Indiferença pelos subornos e pela corrupção. Falta de horizontes. Ausência de projectos. Um povo abúlico e inerte, brincando diletantemente aos “brandos costumes”. Um povo desinteressado de si próprio.

23.11.11

COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST



AnonymousAnonymous said...
Acho que a maioria das pessoas não está interessada em participar e tomar decisões, gostam de ser manipuladas e de serem espectadores. Não gostam é que lhes baixem o nível de vida e a perspectiva de virem a consumir ainda mais. É com isso que estão indignadas. Volto a afirmar que a falta de qualidade dos nossos políticos é espelho da sociedade composta pelos indignados. Quanto aos obscuros interesses, talvez sediados na tal terra oca, sempre existiram e sempre existirão. As pessoas deveriam é estar indignadas consigo próprias e modificarem o seu comportamento.O resto é demagogia
Ortega

22.11.11

SER POLÍTICO - INDIGNAÇÃO SOCIAL

Os povos andam a ser jogados na roda do casino por grandes interesses financeiros sem qualquer controle internacional. As crises do capitalismo vão afundar o próprio modelo. Os mercados são insaciáveis. Olham para a dívida soberana dos Estados como um mero valor bolsista. Os países são meras fichas de aposta no tabuleiro da globalização. As ditaduras roubam. As democracias também. Tanto faz à direita como à esquerda. Tanto faz qualquer coisa. Venderam-nos condições que não se podem manter. Um Ocidente perdido em angústia existencial. Uma explosão geral que se adivinha. É neste quadro que se assiste à "indignação social". As pessoas estão fartas de ser afastadas das decisões. De serem meros espectadores. De serem manipuladas. De servirem para legalizar o roubo. De terem representantes frouxos e corruptos. As pessoas estão saturadas de promessas. Fartas dos partidos. Dos políticos. As pessoas estão fartas! Podem não saber o querem, não saber o que fazer, como fazer..., mas sabem que o caminho não pode ser este. Este é o caminho da total exaustão. Da rendição aos grandes e obscuros interesses. Da falta de visão dos pobres políticos que temos. Este é o caminho que acabará na indigência geral. Todos sabemos que não é este o caminho. Todos nos indignamos. Porém, só alguns saem à rua. Podem parecer seres exóticos, vagamente anarcas, um pouco lunáticos. Mas eles querem o que nós queremos: alterar o modelo político e social. Ter condições dignas de vida. Ter futuro. Eles são uma vanguarda. A questão é que a muitas pessoas estão a passar mal, mas acreditam que tem de ser assim. Resignam-se. Eles não. A "indignação social" é o partido do futuro. E o futuro é uma incógnita. Um dia estaremos lá.

DIA A DIA - OUTONO

A estação passa e nós passamos com ela. Uns mais caducos, outros mais perenes. Somos uma espera na indefinição. Uma vibração de incerteza. O dia passa pela noite. Os meses devoram o ano. As horas passam vorazes. Acordamos sem certeza de ter dormido. Adormecemos sem certeza de acordar. Uma rotina confortável dentro da casa aquecida. Lá fora o mundo enerva-se com a vida.  Ficamos à espera de qualquer coisa. Qualquer coisa que não sabemos o quê. O Outono passa rápido. O Inverno adiado teima em regressar... Ainda havemos de o recordar.

20.11.11

CONVENTO DA ARRÁBIDA - AS HORAS

CONVENTO DA ARRÁBIDA - SANTOS


CONVENTO DA ARRÁBIDA - REFEITÓRIO

CONVENTO DA ARRÁBIDA - INTERIORES



Existem 114 chaves em todo o Convento, cada porta tem sua chave. O papel do chaveiro na guarda e distribuição das chaves é fundamental. Advinhanha-mo-lo a abrir as portas à frente dos monges, a fechar, voltar com a comida. A comida eram raízes e frutos, pão e alguma protaína na forma de pernas de frango vindas do Convento Novo. A chuva caía no topo da Serra, alagando as grutas onde pernoitavam os monges  Um vida tão diferente. Tão despojada. Tão experimental. Tão iluminada. Homens magros, andrajosos e sem dentes. Homens desorbitados na descoberta do desconhecido. Visões de Fé e de Amor. Sabedoria que não se revela. Revelações que são pessoais.

CONVENTO DA ARRÁBIDA - CONFISSÃO

CONVENTO DA ARRÁBIDA - EXPIAÇÃO



19.11.11

CONVENTO DA ARRÁBIDA - MEDITAÇÃO

CONVENTO DA ARRÁBIDA - AS CELAS



CONVENTO DA ARRÁBIDA

O Convento de Nossa Senhora da Arrábida foi fundado em 1542 por Frei Martinho de Santa Maria, da Ordem de São Francisco, a quem D. João de Lencastre, primeiro Duque de Aveiro ofereceu o usufruto da Serra da Arrábida para continuar a sua vida de eremita. No local existia já uma eremida, a Eremida da Memória, de veneração à imagem da Senhora da Arrábida (séc. XIII). Os eremitas viveram sempre em grutas, mais acima na Serra, no chamado "Convento Velho". Estes Franciscanos eram conhecidos pelos "Espirituais" e, contrariamente aos outros frades da Ordem, viviam só para a oração, recusando as coisas mundanas. Por isso, sempre consideraram o Convento Novo um luxo e mantiveram-se nas suas grutas. Neste Convento Novo ficavam os monges "em lista de espera", aguardando a morte de um irmão, para lhe ocupar a gruta. Em 1834, com a extinção das Ordens Religiosas, o convento passou para a casa Palmela. Em 1990 passou para a Fundação Oriente que o recuperou e utiliza, fundamentalmente, para conferências e colóquios.

TERRA OCA - A CONSPIRAÇÃO AMERICANA

18.11.11

TERRA OCA - SERRA DA ARRÁBIDA

A Serra da Arrábida situa-se na margem norte do rio Sado, entre Setúbal e Lisboa, despenhada sobre o Atlântico. Arrábida poderá significar "local de oração" ou de "vigia", numa toponimia vinda do árabe. Hoje em dia é um Parque Natural. Mas há quem defenda que aqui existem entradas para a Terra Oca. Outros locais de suposta entrada, em Portugal, localizam-se na Serra de Sintra. As mais importantes entradas estariam nos Himalaias, nos Andes e nos contrafortes da Serra do Roncador, no estado brasileiro de Mato Grosso. A Terra Oca é uma lenda que vem directamente do hinduísmo e dos tempos pré-biblícos. Agharta seria um axis mundi, um reino subterrâneo primordial, localizado na quarta dimensão. Um reino mítico em que Melquisedeque é o Rei-do-Mundo. Um paraíso perdido citado na Bíblia (Genesis, 14:18-20). Shambhala é a capital desse reino. No budismo Tibetano acredita-se que há canais de ligação entre Shambhala e o Dalai Lama no exílio. Shambhala tem vários nomes: Erdami, na Mongólia; Campos Elísios, para os gregos antigos; Amenti, para os antigos egípcios; Cidade dos Sete Reis de Edom (ou Éden), na tradição judaica; Avalon, nas lendas do Rei Artur. Júlio Verne baseou-se neste mito para criar a "Viagem ao Centro da Terra". A banda desenhada de "Blake and Mortimer", também se baseia neste mito. Igualmente o filme "Salteadores da Arca Perdida". Até os americanos, recentemente, descobriram uma conspiração sustentada numa "entrada" para o centro da terra, situada algures no Pólo Sul. A verdade é que,  para lá das crenças ou dos mitos, a Terra Oca simboliza uma viagem ao interior de nós próprios. Um caminho esotérico para um mundo novo.

VIAGAM À TERRA OCA - VII

Ao longe uma ilha verde. Árvores vetustas protegem a entrada. Um templo distante. Um templo branco. Casas que se sobrepõem numa  pureza astral. Estamos dentro ou fora? Saímos ou voltámos a entrar? Saímos sem entrar? Temos medo de ficar. Medo de não voltar. Temos receio  de voar. Temos asas que não sabemos usar. Precisamos de ajuda. Uma ajuda que não vem. Afinal a Terra Oca está vazia.

17.11.11

VIAGEM À TERRA OCA - VI

Um abismo que tudo alcança. Um magma de mercúrio expande-se no horizonte. Paramos sem saber para onde ir. Como continuar? Silêncio total.  Ausência absoluta de som. Continuamos sem ver ninguém.  Um mundo interior que julgávamos habitado. Estamos parados num tempo sem idade. Descemos para subir. Um vazio absoluto.  Os deuses há muito nos abandonaram...

16.11.11

VIAGEM À TERRA OCA - V

Uma luz branca. Dez degraus para o infinito. O número do universo. Um universo desconhecido. Um pressentimento de vida. Um prenúncio de morte.  E tudo à nossa volta parece não interessar. Só aquela luz nos pressegue. Um chamamento, uma salvação. Sente-se a presença divina, mas será que Deus existe?...

VIAGEM À TERRA OCA - IV

Templos perdidos. Altares de pedra. Catedrais de rocha. Por todo o lado surgem vestígios sacrificiais. Orações invisíveis ecoam nos corredores infindáveis. Um barulho surdo vindo do centro da Terra. A rocha estremece. Uma vibração uterina.  Adivinha-se um magma brutal. Seguimos sem ver. Não há ninguém para olhar. Ansiamos pela luz. Fugimos da escuridão... 

15.11.11

VIAGEM À TERRA OCA - III

Fomos descendo. Apalpando paredes húmidas e escorregadias. Uma luz filtrada. Cada vez mais escura. Estratificações fracturadas. Galerias fósseis... Continuamos a descer. A luz há muito desapareceu. Um ambiente cavernícola. O som tem um eco surdo. Apodera-se de nós uma claustrofobia esmagadora. Corredores. Galerias. Labirintos. Uma visão negra do infinito.  A água cai do tecto em pingos de estalactite. A vida parece não poder existir... De repente o ar aquece. O tecto sobe por cima de nós. Corre um vento manso. Um cheiro doce. Um vago odor a maresia. Uma luz intensa ofusca-nos os sentidos. Ao fundo, muito ao fundo, uma clareira enorme abre-se sobre o vazio. Pressentimos um continente novo. Uma  calma radiosa apodera-se de nós. Não sabemos se estamos em cima ou em baixo. Perdemos o corpo... 

SER POLÍTICO - O MURO DAS LAMENTAÇÕES


Depois da Segunda Guerra Mundial, os EUA anteciparam-se e impediram que fossem exigidas à Alemanha reparações de guerra tão avultadas como o tinham sido em Versalhes (que, diga-se de passagem, também ficaram por pagar). Mesmo assim, as indemnizações acenderiam a muitos biliões de euros. Quase tudo ficou adiado até ao dia de uma eventual reunificação alemã. Isso significou que os trabalhadores escravizados pelo nazismo não foram compensados, as famílias dos judeus mortos e a maioria dos países europeus se viu obrigada a renunciar às indemnizações que lhe correspondiam devido à ocupação alemã. No caso da Grécia, a dívida alemã que ficou por pagar é superior aos 220 mil milhôes de euros correspondentes às duas tranches de ajuda àquele país. Em 1990, na sequência da queda do Muro, a Alemanha passou um calote aos seus credores, quando o chanceler Helmut Kohl decidiu ignorar o tal acordo que remetia para o dia da reunificação alemã os pagamentos devidos pela guerra. É que isso era fácil de prometer enquanto a reunificação parecia música distante, mas difícil de cumprir quando chegasse o dia. Com a queda do Muro, Alemanha expandiu o mercado a leste e aproveitou o mercado da União Europeia. Reequipou-se com o dinheiro das indemnizações de guerra não pagas e das ajudas comunitárias à Alemanha de Leste. A Alemanha é assim mesmo. Um estado imperial que destroi civilizações para renascer mais forte. Mas de que valem as lamentações? Os ódios serôdios? As vinganças adiadas? Num mundo bipolar e dominador, as queixas só servem para aumentar o desprezo dos poderosos. Não lhes dêem essa satisfação. Temos de ser inventivos e arranjar alternativas. Caso contrário estamos apenas a desistir.

14.11.11

VIAGEM À TERRA OCA - II


Como todos sabem, vem aí um novo mundo. É preciso conjugar o Intelectual, o Emocional e o Espiritual. Superação e Metástase. Transformação. Amor Universal. Paz. Satya-Yuga. Idade de Ouro. Eterna Primavera. O Excelso Senhor Maitreya Buda, o Buda-Síntese, o Cristo Universal que se manifestará na Face da Terra como o Avatara do Ciclo de Aquarius, inaugurando uma Nova Era para o Mundo. Uma busca da Suprema Unidade. Os três Tronos ou Sóis. O triângulo pitagórico manifestado na Trimurti indiana. É óbvio que a combinação desses três tronos dá origem ao Grande Septenário Cósmico. Ou seja, “Do uno trino sairam os sete auto-gerados”, os sete sóis que giram em torno do Sol central do oitavo sistema. O Deus único e verdadeiro manifestado, através das suas hipóstases, os três Budas ou três Cristos... Toda a gente sabe isto, claro. Foi com base nestas certezas inabaláveis que fomos seguindo. Seguimos sem garantia de estarmos a subir para baixo ou a descer para cima...

13.11.11

VIAGEM À TERRA OCA - I

E se Terra fosse oca? E se o Paraíso afinal fosse no centro da Terra? Se, lá bem no centro, existisse um reino?  Um reino mítico, uma quarta dimensão? Uma civilização de sábios?  Se houvesse oito cidades sagradas? Cidades subterrâneas interligadas por uma rede universal de caminhos dimensionais? Discos voadores que se deslocam a incrível velocidade? Acessos para a superfície, guardados por iniciados que impedem a entrada de curiosos? Haverá por aí túneis infindáveis que nos levam até Agharta? Melquisedeque, o Rei do Mundo, governará a Terra a partir da capital Shambalah? Rama, Cristo, Buda e Quetazalcoatl são emissários desse Mundo? E em Portugal haverá entradas para a Terra Oca? Fomos ver...

11.11.11

SER POLÍTICO - OS MERCADOS ESCOLHEM

Nunca saberemos com precisão se os líderes que escolhemos por voto não estavam já antecipadamente escolhidos pelos grandes poderes económicos e pelas maçonarias de interesses. A verdade é que os lobbies, as grandes empresas e os bancos são decisivos nessa selecção. São interesses obscuros, por vezes divergentes do interesse geral, mas essa pressão faz parte do processo democrático, tal como o conhecemos. Em última análise, a existência de vários interesses concorrentes ou até antagónicos, permite assegurar algum grau de previsibilidade e de democraticidade. Com a recente nomeação de Lucas Papademos como novo primeiro-ministro grego e da previsísel nomeação de Mario Monti para substituir Berlusconi, na Itália, a democracia ficou entre parêntesis. As escolhas são feitas directamente pelos "mercados", essas entidades incógnitas que começam no nervoso dos computadores dos "brokers" das empresas finas de Wall Street e acabam nos fundos de pensões de uns quaisquer parolos do Texas ou da Florida que nem sabem onde fica a Europa... A democracia começa a ser um mero embaraço formal. O que virá a seguir?  

10.11.11

SINAIS DOS TEMPOS

UNESCO suspende actividade por falta de dinheiro. A UNESCO viu-se incapaz de continuar com os seus programas de Educação, Ciência e Cultura devido à falta de dinheiro causado pelo não pagamento por parte dos EUA de uma contribuição dos USA DE 44 milhões de Euros, em Novembro.

ONDA DE TRINTA METROS - PRAIA DA NAZARÉ

VIAGEM SÓ DE IDA

ESTÁ TUDO MALUCO OU É SÓ ELE?

Portugal está "a atingir o limite" e hoje seria mais fácil uma revolução. Otelo Saraiva de Carvalho defende que se os militares perderem mais direitos, a resposta pode ser um golpe militar, mais fácil que em 1974 (Diário Económico).

Para quem não sabe, este homem é militar, foi um dos responsáveis pela Revolução e, mais tarde, chefe das "FP 25 de Abril" (uma força terrorista que queria instaurar um socialismo popular revolucionário).