A estátua fica à entrada do "The Oitavos", um hotel de grande luxo na zona da Quinta da Marinha (Oitavos - Cascais). Francamente já não sei: será arte péssima? Ou assim assim? Para quê os pés para dentro? E as mãozitas "tipo atrasado mental"! Ajudem que estou confuso...
31.10.11
30.10.11
GLOBALIZAÇÃO - ERRO ESTRATÉGICO?
O GATT (Acordo Geral sobre Tarifas e Preços) prolongou-se de 1947 a 1993. Deu origem à Organização Mundial de Comércio (WTO). A globalização começou aqui. Foram 50 anos de negociações para desmantelar proteccionismos e abrir mercados fechados. Foram 50 anos para revolucionar o mundo e criar um mercado tendencialmente igualitário. Um objectivo democrático e aparentemente justo. Passadas menos de duas décadas o “mundo ocidental” (leia-se, Europa e USA) encara a globalização como o começo do fim. Que se passou então? De facto, o “Ocidente” desindustrializou-se fortemente. Prescindiu da sua estrutura produtiva. A mão-de-obra é cara. As garantias sociais incomportáveis. Continuamos a depender excessivamente do petróleo que não produzimos. O “Ocidente” passou a comprar cada vez mais produtos manufacturados na Ásia. Produzimos serviços de duvidosa utilidade e sem interesse, do ponto de vista da exportação. Trabalhamos para pagar aos outros países. A globalização que era suposto beneficiar os países “avançados”, acabou por beneficiar os países emergentes, em geral, e os BRIC, em particular. O “Ocidente” foi ingénuo e arrogante. Provavelmente estava convencido que a China iria continuar a produzir T-Shirts e o Brasil a exportar papaias. Houve uma subavaliação da China e da Índia e do mercado asiático em geral. O “Ocidente” pensava que ia dominar a globalização. Puro engano. A enorme dimensão interna daqueles mercados, associado à cultura milenar, ao dinamismo e à capacidade de imitação e inovação, não foi devidamente ponderada pelo “Ocidente”. Mandam as regras económicas mais prudenciais que os grandes países tenham economias fechadas, protegidas por uma pauta aduaneira desincentivadora das importações. Já as economias pequenas devem ser abertas, permitindo exportações que lhes aumentem o mercado e garantam um saldo positivo na balança de pagamentos. Os acordos do GATT ao alterarem abruptamente as regras, baralharam os mercados e destruíram o equilíbrio económico vigente. O “Ocidente” deu um tiro no pé. Sem dúvida que, para quem delineou a estratégia ocidental, este foi um erro colossal. Mas pergunta-se: não deveria ser esse o desiderato último da globalização? Acabar com a hegemonia “ocidental”? Entrar em novo ciclo? Um ciclo mais justo e equilibrado?... Resta ao “Ocidente” voltar a trabalhar!
29.10.11
CRIME SEM CASTIGO?
"Uma autoridade brasileira não tem jurisdição sobre um cidadão que se encontra no
território nacional português. As autoridades portuguesas não estão submetidas a
uma medida cautelar, neste caso a prisão preventiva que é determinada por uma
jurisdição estrangeira», explicou o antigo bastonário, comentando o caso de
Duarte Lima.
Rogério Alves referiu ainda que Duarte Lima «não pode ser extraditado para o
Brasil» porque «a Constituição da República Portuguesa prevê como regra a não
extradição de cidadãos nacionais».
Contudo, o antigo bastonário explicou que Duarte Lima pode ser julgado em
Portugal por um crime cometido noutro país.
«Essa é uma possibilidade [mas] remota porque obrigaria a uma certa
exportação da prova do Brasil para Portugal. Mas é uma das duas hipóteses que em
tese podem verificar-se, a primeira é um julgamento no Brasil na ausência do
réu», disse.
28.10.11
IMACULADA - A VELHA SENHORA
Imaculada veio jovem da sua aldeia transmontana para Lisboa. Veio em busca de uma nova vida. Trabalhou em casa de uma família de boas posses. Depressa se apercebeu dos olhares lascivos que lhe lançavam os senhores que frequentavam tão distinta casa. Tornou-se uma mulher voluptuosa, de curvas generosas e conheceu o prazer pelas mãos de um filho de fidalgo. Com o dinheiro que tirava de fidalgos imberbes, cedo percebeu que poderia ser muito mais do que uma simples criada de serviço. Começou a juntar um pé-de-meia e, assim que pode, saiu da casa. Em 1886, descobriu o Cais do Sodré, zona de bares duvidosos e gentes estranhas. Foram muitos os homens que tiveram o seu corpo, mas só um lhe levou o coração. Era marinheiro e tinha embarcado no vapor francês "Chili", em Bordéus. Fez escala em Lisboa para carregar mantimentos e carvão antes de prosseguir viagem rumo à América do Sul. Consta que, nesse mesmo barco, viajava Toulose Lautrec. Consta que terá sido este pintor quem lhe deu a ideia de se tornar uma Madame, como as que ele conhecia em Paris no seu querido Moulin Rouge. Imaculada tornou-se a "Madame do Cais do Sodré", dando muita felicidade a marinheiros, fidalgos, burgueses e meninos que queriam tornar-se homens.
Em Novembro abre o novo bar "A Velha Senhora", na Rua Nova do Carvalho. Promete um renovado ambiente de Cais do Sodré. Uma homenagem à Imaculada.
27.10.11
DIA A DIA - SOMOS DEMAIS
Há gente a mais. Muita gente a mais. Esta
é a Era da Superpopulação. Desde a morte de Cristo até ao
séc. XVII foram necessários 16 séculos para que a população da terra
duplicasse. Ao ritmo actual, a população duplica em menos de meio século. De 4
em 4 anos a humanidade acrescenta à sua totalidade o equivalente à população
dos USA! No passado as pestes medievais e as guerras permanentes ajudavam a
manter o equilíbrio entre os recursos e os habitantes. Vivia-se pouco e mal, é
certo. Mas o mundo mantinha-se equilibrado. Agora a progressão geométrica de
crescimento da população desequilibra a obtenção de recursos e a obtenção
intensiva de recursos desequilibra o planeta. A ciência prolonga a vida até ao
estado de eutanásia e os velhos acumulam-se em hangares de tristeza e vergonha.
Deram-nos um Estado Social protector na doença e na velhice. Um estado que
garante pensões, subsídios e reformas. Deram-nos uma ilusão de riqueza e a
garantia de felicidade. Um modelo incomportável, falido e pernicioso. Um modelo
insustentável com o crescimento exponencial da população e com a globalização
económica selvagem a que se chegou. A crise que aí vem vai ser a peste dos
tempos modernos. Um
mundo novo em que os homens fazem do corpo o sacrifício da alma!
HÁ BISCOITOS NO ARMÁRIO
Macau é uma terra estranha. Uma neblina
opaca. Uma névoa amarela. Céu de chumbo. Um destino sem horizonte. Um horizonte
sem fronteiras. A terra está no mar. O mar que está por todo o lado. Barcos que
são cais. Juncos, velas, sampanas. Montanhas longínquas. Uma calma quente. Um
calor surdo. Olhos oblíquos. Portas entreabertas. Sorrisos tímidos. Buracos
negros de curiosidade. Uma ponte que liga. Outra que separa. Vielas ancestrais.
A cidade não dorme. Tudo se compra. Tudo se vende. Vidas paralelas. Um bulício
que fala. Uma fala que não se entende. Casinos flutuantes. A vida que se joga.
O destino que se perde. Deuses que sopram. Uma brisa divina. Árvores rubras.
Acácias em flor. Alamedas de sombra. Um bule. O chá. Homens seculares. Obscuridade
intensa. Caracteres indefiníveis. Vidas desconhecidas… Macau é uma expectativa
sem fim. Macau é o começo do início.
In "Há Biscoitos no Armário".Fotografia de Roberto Barbosa (não incluída no livro).
26.10.11
ENTREVISTA COM A CRISE - O IMPOSTO
O Imposto é dos protagonistas da crise mais difíceis de apanhar. Refugia-se em impressos. Esconde-se na burocracia. Desaparece nas prateleiras bafientas das repartições. Infiltra-se nos discos rígidos da rede fiscal...
Expresso: Diga-me, não acha que devia ter uma participação mais activa no combate à crise?
Imposto: Mais activa?! Mas, então queria mais impostos? Para quê? Para aumentar o despesismo do Estado? Para criar mais institutos e fundações? Para comprar mais viaturas oficiais, mais viagens em primeira classe, mais cartões de crédito, mais prémios e subvenções?... Aumentar os impostos é aumentar a dívida!
Expresso: Mas, então e o Estado Social, a Justiça... Enfim, a paz, o pão, a habitação?
Imposto: Que grande confusão! Então acha que eu existo para dar contrapartidas aos contribuintes? Julga que eu sou alguma vulgar taxa? Por amor de Deus!
Expresso: Mas desculpe lá, afinal para que é que serve?
Imposto: Para que sirvo? Para garantir as despesas gerais de administração. Sem mim não havia Governo, Presidente da República, Parlamento...
Expresso: Espere lá... Mas isso não é um bocadinho demagógico? Então e a reforma do Estado não ia resolver isso tudo?
Imposto: Não se iluda. A reforma do Estado só se faz se não houver dinheiro. Comigo só aumenta o desperdício.
Imposto: Mais activa?! Mas, então queria mais impostos? Para quê? Para aumentar o despesismo do Estado? Para criar mais institutos e fundações? Para comprar mais viaturas oficiais, mais viagens em primeira classe, mais cartões de crédito, mais prémios e subvenções?... Aumentar os impostos é aumentar a dívida!
Expresso: Mas, então e o Estado Social, a Justiça... Enfim, a paz, o pão, a habitação?
Imposto: Que grande confusão! Então acha que eu existo para dar contrapartidas aos contribuintes? Julga que eu sou alguma vulgar taxa? Por amor de Deus!
Expresso: Mas desculpe lá, afinal para que é que serve?
Imposto: Para que sirvo? Para garantir as despesas gerais de administração. Sem mim não havia Governo, Presidente da República, Parlamento...
Expresso: Espere lá... Mas isso não é um bocadinho demagógico? Então e a reforma do Estado não ia resolver isso tudo?
Imposto: Não se iluda. A reforma do Estado só se faz se não houver dinheiro. Comigo só aumenta o desperdício.
25.10.11
LEILA PINHEIRO - ROBERTO MENESCAL
Menescal, o homem do "Barquinho", continua em grande forma. Leila... é Leila! Será que os vamos ter por cá?
24.10.11
MEDRONHOS
Uma baga selvagem tipicamente mediterrânica. São famosos os medronheiros do Algarve que ocupam extensas áreas da serra do Caldeirão e de Monchique. Os medronhos, fermentados e destilados, produzem uma água-ardente poderosíssima que chega aos 60 graus de teor alcoólico. Esta foto foi tirada aqui em Nova Oeiras. Se a crise bater com força vamos engarrafar.
A CHUVA CAI
A chuva começou hoje. Entrou com grande estilo. Uma tempestadade com vento ciclónico e um tempo cinzento de morrer. Para a semana muda a hora. A crise vai-se intensificar. Vai-se interiorizar. Vai-nos deprimir. A crise vai passar a ter cores carregadas com IVA a 23%. O Verão fica longe e sem subsídio. E nem a recapitalização dos bancos, nem o perdão à Grécia nos vai dar ânimo. Neste início de Inverno o Expresso da Linha garante sol na eira e chuva no nabal. Vamos manter a esperança, nem que seja virtual. Precisamos de abanar a cabeça. Aqui a hora não muda. Sejam felizes.
23.10.11
HÁ BISCOITOS NO ARMÁRIO - LANÇAMENTO I
Maria Manuel Pimenta de Castro Machado fez no dia 21 de Outubro noventa anos. É a primeira senhora a contar da esquerda. Para comemorar o aniversário, os quatro filhos resolveram oferecer-lhe uma biografia. Coube-me a honra de escrever o livro. A sua vida longa e rica passou por Lisboa, Angola, Moçambique e Macau. Uma vida que percorreu muita História. Desde as convulsões da I República, à Guerra do Ultramar e ao 25 de Abril. Foram longas horas de conversa. Uma memória prodigiosa. Uma força impressionante. Entrevistei muita gente. Da família e fora dela. Viajei virtualmente por sítios desconhecidos. Macau foi uma surpresa. Foram 10 meses de trabalho intenso e gratificante. "Há Biscoitos no Armário" é uma viagem e uma lição de amor. O Armário existe mesmo. É um Armário mágico. Está na sala da casa da família. Um Armário cheio de afectos, onde os netos e bisnetos encontram sempre os biscoitos favoritos de cada um. Foi com esta alegoria que surgiu o fio condutor da narrativa. Foi com o medalhão da porta do Armário que a Mafalada Diniz estilizou a capa (pode-se ver num post abaixo). Acabado o livro, fiquei sem trabalho... Não sei se vá de férias ou se comece a pensar no próximo livro. Há um alívio e, simultaneamente, um desassossego.
22.10.11
A ANSIEDADE DO AUTOR
Ao fim dez meses de trabalho, a excitação do livro. Foram horas e horas de entrevistas e de pesquisa. Andei por sítios desconhecidos. Percorri sensações ignotas. Uma biografia é a história de uma vida. É entrar na intimidade dos outros. É viver uma vida que não é nossa. Um livro é inspiração e transpiração. É escrever. Reescrever. Cortar. Acrescentar. São dúvidas. Correcções. Erros. Gralhas. Revisões. As provas finais. A capa que não ficou bem. A gráfica que se atrasa. Os livros que desaparecem... A ansiedade do autor não tem fim. Só acaba com o lançamento da obra. É hoje na Casa de Macau, em Lisboa.
21.10.11
GOLDMAN SACHS - O DEUS DA CRISE
Afinal, o Goldman Sachs manda no mundo?
Coloca ex-funcionários nos lugares de topo que decidem o rumo da economia
global, o que leva muitos a dizerem que domina o mundo. «Sou um banqueiro a
fazer o trabalho de Deus». É a forma como o presidente do maior banco de
investimento do mundo vê a sua missão. Alguém já tinha ouvido falar de Lloyd Blankfein?
20.10.11
CASCAIS - FAROL DE SANTA MARTA
Em 1650 foi construído um pequeno forte num promontório rochoso, a seguir à Eremida de Santa Marta. A partir de 1762 foi modernizado. O Farol começou a operar em 1868, quando o forte deixou de servir propósitos militares. Hoje é um dos ex-libris de Cascais. Ali funciona também o Museu do Farol, com preciosos equipamentos. Uma das lentes expostas pode ser vista na foto anterior.
19.10.11
O ROSTO DA OPOSIÇÃO
Suspensão dos subsídios de férias e de Natal é «a violação do princípio básico de equidade fiscal» (SIC)
O Presidente da República considerou hoje que a suspensão dos subsídios de
férias e de Natal da administração pública e dos pensionistas é «a violação de
um princípio básico de equidade fiscal».
Confusos? Não vale a pena. É uma trapalhada à portuguesa!
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18.10.11
MYRA - UM PRESENTE INESPERADO
Do distante Próximo Oriente, Myra continua a pintar e a pensar em nós. Do seu apartamento sobre o Muro das Lamentações, Myra faz da net uma janela para o Mundo. Uma prenda inesperada. Uma lembrança permanente.
EÇA DE QUEIROZ - "AS FARPAS" (1872)
"Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesmo baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal"
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COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST
Anonymous said...
Não sendo os buracos financeiros buracos astronómicos (no sentido cosmológico), o dinheiro tem que sair (ir) para algum lugar. Não acredito que os tais banqueiros tenham caixas fortes tipo Tio Patinhas. Estou confuso... Esse dinheiro terá reentrado no sistema ou saiu do outro lado do universo?
Ortega
Ortega
17.10.11
ENTREVISTAS COM A CRISE - O BURACO
Os buracos quando começam tendem sempre a aumentar. É o "Princípio Universal do Alargamento do Buraco". Um buraco entregue a si próprio não pára de crescer. Por isso, quando entramos num buraco perdemos a noção. Já estamos bem enterrados e não damos pela dimensão do problema. Foi essa a dificuldade. A nossa entrevista começou com atraso. A bem dizer já estávamos no Buraco e não tínhamos dado por isso.
Expresso: Diga-me uma coisa Buraco, sente-se responsável pela crise?
Buraco: Qual crise? Não vejo qualquer crise. Olhe à sua volta. Vê alguma coisa? Nada! É tudo escuro...
Expresso: Pois, precisamente. Está escuro por causa da crise...
Buraco: Não, não. As crises têm cores. Muitas cores. Caso contrário não as víamos. Repare, há um enorme erro quanto à natureza dos buracos. O buraco não é intrisecamente mau. Na realidade somos nós que damos sentido à vida. Sem buracos a vida era plana. Sem "frisson". Uma coisa desconchavada. Sem graça... A vida tem altos e baixos. Sem baixos, como podia haver altos?
Expresso: Sim... pois..., mas os buracos não têm fim? Enfim, um limite?
Buraco: Aí é que está a confusão. Um buraco, por definição, está sempre em expansão. Sempre que o mundo pula e avança, o buraco aumenta. Será que queremos acabar com a evolução? A vida é, de facto, um enorme buraco.
Expresso: Mas, mas... então e o buraco financeiro?
Buraco: O buraco quê?! Desconfie dos buracos com nome. Esse é o buraco dos banqueiros. Gente perigosíma. Quem entra nesse buraco perde o norte. Nunca mais de lá sai. Fica agarrado aos juros, aos spreads. Embrulhado na taxa real e na nominal. Em breve começará a ganhar dinheiro.
Expresso: Então, mas ganha-se dinheiro com um buraco?
Buraco: Claro. A ideia é essa. De que lhe serve o dinheiro sem um buraco!...Se tiver dinheiro você vai procurar um buraco para se meter, não é? Ou vai ficar com o dinheiro debaixo do colchão?...
Expresso: Estou confuso!...
Buraco: Não vale a pena. Os buracos existem para descomplicar. Entregue-me as suas poupanças e em três meses tem o seu Buraco pessoal assegurado.
Expresso: Sim... pois..., mas os buracos não têm fim? Enfim, um limite?
Buraco: Aí é que está a confusão. Um buraco, por definição, está sempre em expansão. Sempre que o mundo pula e avança, o buraco aumenta. Será que queremos acabar com a evolução? A vida é, de facto, um enorme buraco.
Expresso: Mas, mas... então e o buraco financeiro?
Buraco: O buraco quê?! Desconfie dos buracos com nome. Esse é o buraco dos banqueiros. Gente perigosíma. Quem entra nesse buraco perde o norte. Nunca mais de lá sai. Fica agarrado aos juros, aos spreads. Embrulhado na taxa real e na nominal. Em breve começará a ganhar dinheiro.
Expresso: Então, mas ganha-se dinheiro com um buraco?
Buraco: Claro. A ideia é essa. De que lhe serve o dinheiro sem um buraco!...Se tiver dinheiro você vai procurar um buraco para se meter, não é? Ou vai ficar com o dinheiro debaixo do colchão?...
Expresso: Estou confuso!...
Buraco: Não vale a pena. Os buracos existem para descomplicar. Entregue-me as suas poupanças e em três meses tem o seu Buraco pessoal assegurado.
16.10.11
15.10.11
SÁBADO - FICAMOS SEM ASSUNTO
Aos sábados parece que a imaginação foge. Um dia de repouso que nos faz perder o assunto. A produtividade cai. O consumo atrofia. A receita fiscal diminui. A economia contrai... É a recessão! Se eu fosse governo acabava com os fins-de-semana. Os blogues só tinham a ganhar. Não sendo possível, fiquem com as minhas gatas... e umas florinhas para disfarçar.
14.10.11
ARTE PÉSSIMA - OS MATACÕES DE CABRITA REIS
Pedro Cabrita Reis afirma-se escultor. A Câmara Municipal de Oeiras comprou-lhe duas "instalações" no valor de um milhão e duzentos mil euros (sim, leram bem)! Esta "coisa" aqui fotografada comemora os 250 anos da vila de Oeiras. São oito matacões em mármore, sem escala, sem arte, sem personalidade. O valor do mármore não ultrapassa os cinquenta mil euros... Será que o valor acrescentado representa tanto? O defeito não está em quem sabe vender. A virtude está em quem sabe comprar. A CMO enfiou o barrete. É uma cultura sem recurso. Uma visão transitada em julgado. Uma estratégia em suspensão. Até quando temos de pagar as custas?
13.10.11
ENTREVISTAS COM A CRISE - O EURO
Fomos encontrar o Euro, vagamente alcoolizado, acabrunhado no fundo de um balcão, num bar de terceira ordem. A desvalorização era evidente. A desmotivação total. A entrevista foi a possível.
Expresso: Afinal o que é o Euro?
Euro: Apetece-me dizer que só sei que nada sei. Acho que fui traído...
Expresso: Mas não era suposto o Euro ser uma moeda forte?
Euro: Sabe, o Euro é uma ideia abstracta. Só existo enquanto sonharem comigo. De facto, não passo de uma folha de papel. Só por mim não valho nada... Houve quem me defraudasse...
Expresso: Mas a Zona Euro não era o máximo? O que se passou?
Euro: A questão é o que não se passou...
Pausa prolongada. Euro sorve compulsivamente o fundo do copo, num mal disfarçado nervosismo.
Expresso: Mas então o que é que não se passou?
Euro: Olhe, não posso falar. Se falo ainda me desvalorizam mais. Eu que sonhava com barras de ouro, acabo em papel higiénico
Expresso: Mas isto está assim tão mal? O Euro não serve para nada?
Euro: Sabe, o Euro está óptimo. Aliás cada vez há mais notas... Não há é dinheiro para o gastar.
Nesta altura, o Euro balançava cada vez mais no banco. Mal se aguentava em pé. Pediu um último "shot" e a conta. O empregado do bar foi peremptório: "Pagamentos só em moedas de ouro".
COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST
myra said...FAZER 60 ANOS NO SÉCULO XXI
Recebi este texto pela net, no qual me revejo em grande parte.
Está a aparecer uma nova franja social: a das pessoas que andam à volta dos sessenta anos de idade, os
sexalescentes.Aa geração que rejeita a palavra "sexagenário", porque
simplesmente não está nos seus planos deixar-se envelhecer. Trata-se de uma verdadeira novidade demográfica - parecida com a que, em meados do século XX, se deu com a consciência da idade da adolescência, que deu identidade a uma massa de jovens oprimidos em corpos desenvolvidos, que até então não sabiam onde meter-se nem como vestir-se.
sexalescentes.Aa geração que rejeita a palavra "sexagenário", porque
simplesmente não está nos seus planos deixar-se envelhecer. Trata-se de uma verdadeira novidade demográfica - parecida com a que, em meados do século XX, se deu com a consciência da idade da adolescência, que deu identidade a uma massa de jovens oprimidos em corpos desenvolvidos, que até então não sabiam onde meter-se nem como vestir-se.
Este novo grupo humano que hoje ronda os sessenta teve uma vida razoavelmente satisfatória. São homens e mulheres independentes que trabalham há muitos anos e que conseguiram mudar o significado tétrico que tantos autores deram durante décadas ao conceito de trabalho.
Hoje, não são pessoas que estejam paradas no tempo: a geração dos "sessenta", homens e mulheres, lida com o computador como se o tivesse feito toda a vida. De uma maneira geral, estão satisfeitos com o seu estado civil e ,quando não estão, não se conformam e procuram mudá-lo. Raramente se desfazem em prantos sentimentais.
Hoje, as pessoas na década dos sessenta, estão a estrear uma idade que não tem nome. Antes seriam velhos e agora já não o são. Hoje estão de boa saúde, física e mental, recordam a juventude mas sem nostalgias parvas, porque a juventude ela própria também está cheia de nostalgias e de problemas.
Celebram o sol em cada manhã e sorriem para si próprios... Talvez por alguma secreta razão que só sabem e saberão os que chegam aos 60 no século XXI ...
Celebram o sol em cada manhã e sorriem para si próprios... Talvez por alguma secreta razão que só sabem e saberão os que chegam aos 60 no século XXI ...
12.10.11
ENTREVISTAS COM A CRISE
A partir de amanhã, uma série de entrevistas com os principais protagonistas da crise. Veja aqui as entrevistas que nunca foram feitas. Um exclusivo Expresso da Linha. Não perca.
10.10.11
UNIVERSIDADE DE LISBOA - REITORIA - I
Em 1960 é estabelecida legalmente a Cidade Universitária e em 1961 abre o edifício da Reitoria. Com desenho dos arquitectos Porfírio Pardal Monteiro e António Pardal Monteiro, este edifício é decorado, no exterior, por desenhos de Almada Negreiros. No interior, a decoração do átrio da entrada principal consiste nos painéis em mosaico do pintor António Lino Pedras e em vitrais de Lino António. A guarda da grande escadaria do átrio dos Passos Perdidos é da autoria do escultor José Farinha. É ainda neste edifício que está localizada a célebre Aula Magna. Projectada para os grandes acontecimentos da universidade, ela é usada para os mais variados eventos culturais e sociais, sendo considerada uma das melhores e mais importantes salas de espectáculos de Portugal. O seu interior foi desenhado por Daciano da Costa.
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